O tempo do voluntariado e a lei de parkinson

Por: Silvia Naccache
16 Outubro 2020 - 00h00

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Na década de 1950, o administrador, historiador e professor britânico Cyril Northcote Parkinson, ficou bastante conhecido não apenas por publicar centenas de trabalhos científicos, mas principalmente pela lei que leva seu nome e apresenta lições sobre o uso do tempo. Segundo a Lei de Parkinson, nosso trabalho expande-se de modo a preencher o tempo disponível para sua realização: se temos 2 horas ou 24 horas, sem foco e gestão, vamos ocupar todo o tempo que tivermos. Quando delimitamos um prazo de execução, a possibilidade de realizar dentro do tempo e cumprir o que foi pré-determinado é bem maior.

Além disso é fundamental refletir sobre a percepção do que é tempo: uma mesma quantidade de minutos ou horas pode demorar mais ou menos para passar, dependendo do que estamos realizando, onde estamos investindo, de que maneira, com que sentimento, e ainda quais resultados e impactos são provocados. Isso porque a noção de tempo é muito relativa.

Mudar a maneira de gerir o tempo depende de uma modificação na nossa própria postura e uma constante otimização para garantir o melhor uso possível desse recurso, que é irrecuperável. Sem disciplina, atenção, aceitação e paciência, a tendência é que o tempo seja consumido e mal utilizado.

Embora a lei de Parkinson tenha sido estudada e definida para melhorar a forma de desburocratizar e administrar recursos como o tempo, dinheiro e espaços, ela serve para todos nós, e implica em todos os aspectos de priorização e das escolhas que fazemos para ocupar o nosso tempo. Muitas vezes acreditamos que temos sobras ou ausências de tempo, e com isso adiamos ou antecipamos as tarefas.

O tempo de voluntariado é um bem precioso e valioso oferecido para um projeto ou causa, e deve ser muito bem gerido e administrado. Antecipar ou adiar a decisão de voluntariar é escolha individual e pessoal de cada cidadão. Mas a partir do momento que você decidiu participar e se engajar, é tempo de colocar a mão na massa, os talentos e as habilidades em movimento, e determinar exatamente quanto tempo você vai destinar.

Algumas dicas, inspiradas nas reflexões de Parkinson, de como planejar e gerir o seu tempo de trabalho voluntário:

1. Otimize: use o tempo de voluntariar de forma inteligente e com alegria.

2. Organize: voluntariar deve entrar na agenda. Registre as tarefas. Meça quanto tempo gasta para realizá-las. Faça os ajustes necessários.

3. Priorize: escolha com seu coração, com a emoção. Gerencie com a razão. Crie prazos e metas para as atividades voluntárias. Seja disciplinado e comprometido.

“Você ama a vida? Então, se você ama a vida, não desperdice o tempo, porque o tempo é o bem do qual a vida é feita” – Benjamin Franklin.

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