O Perfil do Voluntariado na Área da Saúde e Sua relação Com a Liderança

Por: Valdir Cimino
26 Março 2014 - 23h20

Pesquisa realizada nos Fóruns de Humanização da Saúde 2012 mostram dados do voluntariado em saúde

Os Fóruns Saúde, Educação e Voluntariado do Viva Humanização são iniciativas da OSCIP Viva e Deixe Viver, fundada pelo publicitário Valdir Cimino em 1997. Há vários anos, passaram a integrar o calendário anual de troca de saberes de várias instituições de ensino no Brasil.
O Projeto Viva Humanização* nasceu em abril de 2001, em comemoração às atividades promotoras da profissionalização da gestão do trabalho voluntário e à valorização e valoração da hora voluntária como indicador de capital humano necessário para a sociedade. Este projeto não tem fins lucrativos, mas sim o objetivo de discriminar boas práticas de humanização da saúde e da educação pela ótica da ação voluntária.
A primeira edição do evento foi denominada “Seminário Humanização Hospitalar em Debate”. Em parceria com o Comitê Brasileiro, Instituto Brasil Voluntário – Faça Parte, debateu o tema “O Trabalho Voluntário na Saúde”, e teve o apoio da sociedade, empresas e do governo federal através do Ministério da Saúde. Neste mesmo ano, no mês de outubro, também nasceu o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, durante a gestão de José Serra, então ministro da Saúde.
Entre os anos de 2002 e 2007 foram debatidos temas como: modelos de gestão, respeito ao profissional de saúde, cuidado ao paciente, valorização do trabalho do cuidador, humanização do ensino na saúde, dentre vários outros. Também foram iniciadas pesquisas em humanização.
Em 2012, durante os fóruns realizados nas cidades do Rio de Janeiro, Itajubá, em Minas Gerais, Marilia, em São Paulo, e Salvador, na Bahia, foi conduzida uma pesquisa para identificar os participantes em termos de características sociais, demográficas, ocupacionais e de valores relacionados com a liderança em seus locais de trabalho ou estudo, assim como sobre suas experiências como voluntários na área da saúde. O mote para tal iniciativa associa-se ao fato de que o conhecimento do perfil do voluntário brasileiro que se dedica à área da saúde pode propiciar o surgimento de novas políticas de formação acadêmica e de valorização do trabalhador da área da saúde e, desta forma, contribuir para o despertar de novos voluntários e para a disseminação dessa causa. Desse modo, o objetivo do estudo foi estimar o perfil demográfico e de competências e valores dos voluntários e participantes dos Fóruns de Humanização da Saúde no ano de 2012.
Foram respondidos 653 instrumentos, todavia, 46 foram excluídos em função da ausência de informações ou duplicidade de marcação de respostas a questões que só permitiam uma indicação. Desse modo, participaram desta pesquisa 607 pessoas. Dentre eles, 352 indivíduos reportaram participação atual ou pregressa em ações de voluntariado na área da saúde. Os resultados comentados neste estudo referem-se a estes casos.
O perfil foi composto por mulheres jovens, que não tinham renda mensal elevada. Vários estigmas sobre o voluntariado são postos em cheque com este perfil identificado, exceto o da maior participação das mulheres nas ações de voluntariado. Assim, faixa etária, renda e motivação mostraram-se distintos dos resultados da maioria dos estudos que investiga estes construtos. O ato de voluntariar-se não se mostrou como prerrogativa de pessoas com nível socioeconômico alto e maior idade, e não pode ser explicado pela saída dos filhos de casa. Todavia, há de se considerar que este estudo foi realizado em universidades ou centros universitários, e esta composição pode ser justificada por tal amostragem, e principalmente pela feminização dos cursos de saúde no Brasil. Assim, a conclusão dos cursos de graduação e experiências ainda incipientes no mundo do trabalho podem estar relacionadas com este perfil, e justificar também o fato de que estas pessoas predominantemente não eram responsáveis pelo sustento da família.
Dentre as competências humanas, técnicas e conceituais investigadas, encontraram-se significativamente associadas com as ações pregressas de voluntariado a prática de valorização do relacionamento interpessoal, a capacidade de comunicar ideias e a valorização da capacidade de pensamento reflexivo, respectivamente. Esses atributos devem ser consistentemente considerados por estabelecimentos de ensino e trabalho cuja missão esteja focada no desenvolvimento social, e potencialmente capaz de disseminar o voluntariado como causa.

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