Incentivo à Leitura e à Cidadania

Por: Silvia Naccache
09 Junho 2016 - 00h00

Voluntariado nas bibliotecas comunitárias

As bibliotecas comunitárias fazem com que todos tenham a possibilidade de acesso à leitura, aos livros e à cultura. São espaços que vão além da reunião de livros, mas que articulam com a comunidade atividades de mediação de leitura, de teatro, saraus e ainda em muitas delas a dinâmica de contar e ouvir histórias. Uma característica é bem comum a todas essas iniciativas: contar com mão de obra voluntária.

Contudo, para que essas bibliotecas comunitárias sejam espaços abertos e organizados de maneira duradoura e sustentável, é fundamental que a gestão do programa de voluntários seja eficiente, respeitando a legislação do trabalho voluntário no Brasil, e também tenha uma liderança dedicada, que valorize, reconheça, mas ainda incentive, mobilize, mantenha-se informada e engajada em projetos, causas e metas.

Os exemplos e depoimentos de voluntários mostram a eficiência da presença de voluntários nos programas, além de deixar bem claro que o sucesso das iniciativas acontece quando existem comprometimento, responsabilidade, consciência de direitos e deveres assumidos no trabalho voluntário.

Da Teoria Para a Prática

A voluntária da Biblioteca do Centro de Voluntariado de São Paulo, que mantém um acervo sobre voluntariado e é frequentada por gestores de programas de voluntariado e alunos interessados no Terceiro Setor, Maria Araújo, formada em Biblioteconomia, foi quem organizou todo o acervo e é também quem realiza a sua manutenção. Ao assistir a uma palestra sobre voluntariado, descobriu que Centro de Voluntariado de São Paulo possuía uma biblioteca. Fora isso, percebeu que o espaço precisava de organização e que o acesso aos livros deveria ser feito de modo simples, claro e de fácil entendimento. A biblioteca passa hoje por um processo de automatização, já possui um sistema de classificação por cores e números, de fácil compreensão aos usuários, com mais espaço e organização. “É difícil descrever a alegria que isso me proporciona, de ver as pessoas felizes com o fruto do meu trabalho. Sem falar daquele abraço que recebemos, pois fazer trabalho voluntário é muito gratificante, ainda mais no nosso ramo de atuação profissional. Vejo como uma oportunidade de retribuir à sociedade o que foi aprendido em sala de aula. Além de poder contribuir com o nosso conhecimento, tornando a biblioteca um espaço para todos, é uma maneira prazerosa de fazer o bem e ainda aprender mais!”, afirma Maria Araújo.

Voluntária do Projeto Adote Um Livro e Transforme-se, Grazielli de Moraes também é formada em Biblioteconomia. Ela arrecada livros novos e usados e promove com sua equipe de voluntários a distribuição gratuita das obras em diversos pontos da cidade de São Paulo. Já distribuiu cerca de seis mil livros. Conta ainda com a parceria de autores, que, além de participar das ações com sessões de autógrafos e bate-papo com os leitores, fazem a doação de livros. São bibliotecas comunitárias itinerantes, e os livros estão todos classificados e organizados para que a distribuição seja de fato relevante para quem doa o livro e para quem o recebe. “No trabalho voluntário recebo muito mais do que ofereço. Tenho sim no meu voluntariado a grande oportunidade e a satisfação de levar a leitura e os livros a alguém, é isso me motiva”.

Voluntário das Bibliotecas Vaga Lume, na Região Norte do Brasil, Andrey Teles tem 22 anos e nasceu em Belém (PA), mas logo foi morar na comunidade São Miguel, em Portel (PA), de onde ele pretende sair apenas para estudar. Quer voltar logo em seguida para repassar o conhecimento que vai adquirir e para ajudar a sua família. “Não quero sair daqui, pois aqui tenho tudo de que preciso. Só falta melhorar a educação”, diz o jovem, que é bastante ligado à família e aos amigos. Aliás, educação é um tema muito caro para Andrey desde a infância. “Há sete anos a escola só tinha até a 3.ª série. Repeti duas vezes a 3.ª série e três vezes a 4.ª só para não parar de estudar”. Além da falta de professores e de estrutura, a comunidade também não tinha acesso aos livros. “Na minha infância, senti muita falta de livros, desse universo que os livros trazem. Eu demorei para aprender a ler, pois não tínhamos livros na biblioteca a não ser os didáticos. Na época tinha somente uma cartilha por aluno e não tinha ninguém para incentivar a leitura”, conta.

Desde sua infância, o cenário da educação em São Miguel mudou muito e um dos grandes responsáveis por isso é o próprio Andrey. Um de seus sonhos de criança era ter uma escola grande, com boa infraestrutura para incentivar o aprendizado e com novas turmas e professores, já que a escola onde estudou tinha apenas uma sala, apelidada de “caixinha”. Andrey e seus colegas solicitaram apoio do prefeito de Portel, mas o político disse que não havia recursos para a construção da escola. Foi então que eles se propuseram a construir a edificação se o prefeito se comprometesse a enviar os professores. O trato estava feito. Com a ajuda de um amigo do Rio de Janeiro, Andrey arrecadou R$ 10 mil e reuniu a comunidade toda para que construíssem a escola com as próprias mãos. O projeto foi desenhado com quatro salas – três para as aulas e uma para a biblioteca –, e em um semestre elas estavam prontas para receber os alunos, os novos professores e os livros.

Hoje Andrey tenta terminar o último ano do ensino médio (o estado não consegue enviar professores para terminar a última matéria que falta) e é coordenador da Biblioteca Vaga Lume, da comunidade. “Foi no Congresso da Vaga Lume que eu vi a importância dos livros. A minha vida começou a mudar lá. Entrei em contato com pessoas com quem eu falo até hoje e que me ensinaram a zelar pela biblioteca”. Andrey também diz que aprendeu a utilizar melhor a biblioteca, criando espaços confortáveis e fazendo mediação de leitura. No mesmo congresso, com uma voluntária da biblioteca de Barreirinhas (MA), o jovem aprendeu que uma biblioteca muito arrumada é sinal de que ela não está sendo usada, e, para que as crianças se sintam à vontade para pegar os livros e ler, o espaço deve ser convidativo. “Eu deixo as crianças explorarem as prateleiras e eu digo para os outros voluntários também deixarem elas fazerem isso. Depois a gente arruma, esse é o nosso trabalho”, explica.

Andrey acredita que a biblioteca tem um papel muito importante no desenvolvimento das crianças e reconhece que, depois que passou a ser voluntário, se desenvolveu mais e conheceu mais possibilidades por meio da leitura. “Eu falo para as crianças da comunidade que elas têm sorte, pois já nasceram numa época mais evoluída, em que os livros estão disponíveis para elas. Falo também que elas têm de zelar pela biblioteca, pois é onde você aprende a se expressar, ler e escrever”.

As bibliotecas comunitárias gerenciadas e que contam com a participação de voluntários transformam comunidades e pessoas. Transformam quem faz e quem recebe a ação e dão a oportunidade de acesso aos livros a quem não tem!

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