Wellington Nogueira

Por: Paula Craveiro
01 Março 2008 - 00h00

Wellington Nogueira é ator profissional formado pela Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova York. Já participou de projetos de teatro, cinema e circo, além de ter integrado o elenco do Clown Care Unit (CCU) – programa pioneiro em levar palhaços profissionais especialmente treinados para visitar crianças hospitalizadas, criado pelo norte-americano Michael Christensen, diretor do Big Apple Circus. Ele é também empreendedor social reconhecido com o fellowship da Ashoka e líder Avina na Região Nordeste do Brasil.

Em 1991, ao voltar de seu período de especialização como ator nos Estados Unidos, e inspirado na experiência com o trabalho desenvolvido pelo CCU, Nogueira fundou o programa Doutores da Alegria, que hoje atua em quatro capitais brasileiras e é reconhecido como o mais importante do gênero no mundo.

O trabalho desenvolvido pela organização deu tão certo que, em 2005, inspirou o documentário “Doutores da Alegria – O Filme”, dirigido por Mara Mourão, esposa de Wellington, e vencedor de prêmios em Nova York, Gramado e Monterrey.

Nesta entrevista à Revista Filantropia, o ator e empreendedor relembra sua trajetória profissional; o histórico, as conquistas e metas dos Doutores da Alegria; e ainda revela seu posicionamento como cidadão.


Revista Filantropia: Conte-nos um pouco sobre a história dos Doutores da Alegria, sua origem e o que motivou sua criação.
Wellington Nogueira: Em 1991, após nove anos de trabalho como ator em Nova York, integrando a Clown Care Unit – lançada em 1986 pelo ator Michael Christensen –, retornei ao Brasil com o sonho de fundar os Doutores da Alegria. E realmente parecia somente um sonho, pois seria preciso criar toda uma infra-estrutura, contratar e treinar atores e obter apoio financeiro. Sem contar com o fato de que colocar um palhaço em um hospital brasileiro era algo completamente novo.
Foi nessa hora que eu, transformado em Dr. Zinho, usei um tratamento infalível contra o desânimo: doses cavalares de bom humor, algumas injeções de ânimo e persistência para esperar os resultados. Os primeiros exames revelaram uma súbita melhora: pessoas certas foram sendo colocadas nos lugares certos, nas horas certas.
Em setembro de 1991, firmei uma parceria com o Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (SP) e, numa iniciativa pioneira, teve início o programa brasileiro, batizado com o nome de Doutores da Alegria. E o trabalho não parou mais de crescer.

Filantropia: Muitas pessoas já ouviram falar sobre os Doutores da Alegria, mas nem todas têm idéia da real dimensão do que é realizado pelo grupo. Como funciona esse trabalho?
WN: Prestes a completar 17 anos, os Doutores da Alegria são uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, mantida pelo apoio de empresas e pessoas físicas na forma de patrocínio, parceria e associação. A entidade foi pioneira no país na introdução do teatro em um quarto de hospital. Desde 1991, já visitamos mais de 550 mil crianças e adolescentes hospitalizados, atingindo também cerca de 600 mil familiares e envolvendo mais de 13 mil profissionais de saúde.
Temos também um compromisso com a constância. O trabalho acontece duas vezes por semana nos hospitais parceiros. Para garantir continuidade e expansão, nossas sedes realizam, quando necessário, processos seletivos, em média a cada dois anos, que são amplamente divulgados.

Acreditamos que a gestão competente é uma das melhores formas de retribuir a confiança de todos aqueles que acreditam em nossa causa e investem em nosso trabalho

Filantropia: Como você conseguiu profissionalizar um projeto inicialmente de cunho social?
WN: Quando iniciamos as atividades no Brasil, decidimos que o trabalho deveria ser realizado por pessoas cujo ofício fosse o teatro, o circo, ou seja, artistas profissionais. Por se tratar de uma opção, o trabalho não é voluntário. O constante desenvolvimento do artista é a sua subsistência e também a garantia de um trabalho cuidadoso e de qualidade artística, seja para teatro, circo, rua ou hospital. A qualidade artística deve ser a mesma em qualquer lugar.
O trabalho nos Doutores da Alegria exige do artista disponibilidade mínima de 18 horas semanais para as visitas sistemáticas aos hospitais e para o desenvolvimento do seu repertório artístico, que também é aprimorado por meio de cursos técnico e artístico. É um compromisso por um período de um ano que pode se renovar no ano seguinte, dependendo dos compromissos profissionais do artista e de sua adequação ao planejamento da organização.

Filantropia: No início, houve algum tipo resistência à implantação do projeto, uma vez que ele envolvia a reeducação do médico e demais profissionais ligados à área de saúde?
WN: Os maiores obstáculos foram em relação à ignorância. Ninguém tinha nenhum tipo de referência ou compreensão de um trabalho de palhaços em caráter profissional, duas vezes por semana, regularmente. Então, percebi que era preciso fazer um “trabalho de formação” com as pessoas, explicar o que era o trabalho e mostrá-lo acontecendo, para que elas pudessem entender e sentir a importância e a força da alegria.
Dessa maneira, também aprendi que os obstáculos acabaram por se tornar meus melhores recursos! Uma vez estabelecido, o próprio trabalho, por conta de sua continuidade, passou a inspirar os profissionais de saúde a promoverem mudanças em suas posturas e condutas. Um espaço havia sido aberto pela alegria; logo, era preciso habitar esse espaço pela ação.
Esse é, a meu ver, o maior modo de motivação, aquele que vem de dentro de cada pessoa, de sua escolha pessoal, porque ela quer ser melhor para o seu público e seu mundo. É algo que depende apenas dela, é espontâneo. Como resultado desses processos, vimos a área da saúde se mobilizar para criar o programa de humanização hospitalar.

Filantropia: Além de São Paulo, em quais outros estados o grupo atua? Existem planos de expandir ainda mais sua atuação?
WN: A organização Doutores da Alegria está presente em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG) e conta com uma equipe de 21 funcionários e colaboradores nas áreas de pesquisa, formação, gestão, administração e mobilização, além de 60 artistas, dos quais 11 participam também da gestão da ONG. Nossa meta é expandir o trabalho para outras capitais e grandes cidades, nas quais existam hospitais de referência que atendam um elevado número de crianças. Para ser viabilizada, esta iniciativa depende de novos parceiros nessas localidades, pois nossos recursos não crescem proporcionalmente ao aumento da demanda.
Além disso, existem inúmeros grupos pelo Brasil que foram criados a partir da ação dos Doutores da Alegria e que, segundo pesquisa realizada pelo nosso Núcleo de Pesquisa e Formação, trabalham em formatos diferentes. Para atender a essa demanda, lançamos o programa Palhaços em Rede, que oferece toda a orientação de nossa organização para pessoas ou grupos selecionados por meio de edital público, ao mesmo tempo em que reforça a identidade de cada um dos participantes. Com isso, compartilhamos nossa metodologia de trabalho desenvolvida por meio da arte do palhaço e, principalmente, consolidamos a causa da alegria aliada à ética e à qualidade das relações que, para nossa organização, são os pilares do trabalho nos hospitais.

Filantropia: Como são realizadas as visitas?
WN: As visitas onde a organização atua segue um trabalho sistemático: a mesma dupla de palhaços visita as crianças de um mesmo hospital duas vezes por semana, seis horas por dia, durante um ano. Partimos da permissão de cada criança, que pode aceitar os visitantes ou não, para construirmos uma história. Assim, acreditamos levar às crianças hospitalizadas o melhor de nosso ofício de palhaços.
As visitas não têm qualquer custo para o hospital ou para os pacientes e suas famílias. Todos os artistas do programa, bem como os profissionais que trabalham nos bastidores e que dão todo o suporte para que o programa de visitas aconteça com qualidade, são remunerados com recursos provenientes de patrocínio, doações, eventos, publicações, palestras e espetáculos.

Filantropia: Quantos hospitais são visitados mensalmente? Existe algum dado referente ao número de pacientes já atendidos?
WN: No total, são 18 hospitais visitados mensalmente, localizados em quatro capitais onde a organização atua. São oito em São Paulo (SP): Hospital da Criança, Hospital do Grajaú, Hospital do Mandaqui, Instituto da Criança, Hospital Santa Marcelina, Instituto do Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), Hospital do Campo Limpo e Hospital Universitário da USP; quatro no Rio de Janeiro (RJ): Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), Hospital Universitário Pedro Ernesto, Hospital Geral do Bomsucesso e Hospital dos Servidores do Estado; quatro no Recife (PE): Hospital da Restauração, Hospital Barão de Lucena, Hospital das Clínicas e Hospital Oswaldo Cruz; e dois em Belo Horizonte (MG): Santa Casa e Hospital das Clínicas.
Em 2007, realizamos 78.285 visitas nos leitos infantis. Desde a nossa criação, de 2001 até 2007, foram realizadas 550.507 visitas.

Nós, cidadãos, precisamos aprender a nos envolver mais com a construção desse país. É preciso transformar a crítica em ação

Filantropia: Quais os projetos mantidos pelos Doutores da Alegria? Algum deles é desenvolvido em parceria com outras entidades?
WN: Tenho a impressão que agora é que nosso trabalho vai começar de verdade. Esses primeiros anos foram voltados a estabelecer o caminho, e agora temos condições de trilhá-lo com outros colegas, pois temos algo mais consistente e claro. O Programa de Visitas aos Hospitais, o Programa de Formação de Palhaço para Jovens e o Palhaços em Rede são alguns desses exemplos; mas estamos trabalhando com um projeto de Memórias de Pacientes, com metodologia do Museu da Pessoa. Além disso, sou empreendedor Ashoka e líder Avina, o que nos põe em contato com outras organizações e fomenta a possibilidade de novas parcerias.

Filantropia: Como você avalia a evolução dos Doutores da Alegria? Quais as principais conquistas?
WN: Fico muito honrado e feliz com os resultados que alcançamos, mas ainda há muito a ser feito. Definitivamente, a pesquisa sobre o impacto da alegria no hospital abriu o campo para a organização desse conhecimento e sua disseminação, que hoje em dia são nossos eixos estratégicos. Outra conquista é ver esse projeto completar 17 anos e saber que estamos nos transformando, gradualmente, em um centro de referência para formação de bons profissionais e, por último, sermos considerados pelos programas internacionais como o melhor programa do gênero do mundo.

Filantropia: Durante as visitas, certamente vocês se deparam com situações bastante delicadas. Como manter o sorriso nesses momentos? Existe alguma técnica?
WN: Tudo vai depender de como nos disponibilizamos para o momento. Pode realmente não ser o caso de um sorriso, mas o simples fato de estar junto, passando por aquele momento. Ao mesmo tempo, quando estamos caracterizados, existe um enorme senso de propósito que nos leva a agir para solucionar o que se apresenta, integrar e alegrar. Então, nessa hora, também pode acontecer muita coisa que surpreende a todos nós. O mais importante é se entregar ao momento e não querer controlá-lo. Se existe alguma técnica? Existe formação, pois a vida real não tem ensaio e, durante a formação, nos preparamos cada vez mais para os desafios da vida real dos hospitais onde atuamos.

Filantropia: Qual deve ser o perfil de um candidato à equipe dos Doutores da Alegria? E o que é preciso fazer para participar do grupo?
WN: Primeiramente, para participar do processo seletivo para o elenco dos Doutores da Alegria, é necessário ser palhaço profissional com DRT ou ator profissional com DRT e especialização na linguagem do palhaço. Nossas seleções acontecem separadamente em cada uma de nossas sedes, aproximadamente a cada dois anos, e são amplamente divulgadas. Para a seleção dos artistas, existem três etapas: análise de currículos, oficinas e teste prático em hospital.
Os selecionados passam por um período
de treinamento de três meses, atuando uma vez por semana em um dos hospitais parceiros dos Doutores da Alegria, sempre acompanhados por um palhaço-treinador. Além disso, participam de um dia semanal de treinamento na sede para aprofundamento da linguagem do palhaço, ajustes de sua formação artística para o ambiente hospitalar, reforço de conceitos, exploração do universo hospitalar e criação em duplas/trios. E, uma vez por mês, os novos palhaços participam de rodas artísticas junto com os veteranos, para integração do grupo.

Filantropia: Como é feita a captação de recursos para a manutenção dos trabalhos desenvolvidos pelos Doutores da Alegria?
WN: Os parceiros dos Doutores estão divididos em empresas e sócio-mantenedores (pessoas físicas). Muitas empresas fazem doações por meio de leis de incentivo. Além desses parceiros, contamos com pessoas que fazem doações de recursos próprios – sem ser por meio das leis e sem deduzir do IR –, e empresas que realizam parcerias eventuais (marketing relacionado à causa).
Pessoas físicas podem fazer uma doação única, tornar-se sócio-mantenedores, visitar nossa loja virtual, assistir aos nossos espetáculos e participar de nossos eventos. Empresas podem adquirir uma das cotas de patrocínio, tornando-se empresa parceira, contratando palestras e intervenções, como o “Riso 9000”, e realizando uma campanha de marketing em parceria com os Doutores da Alegria.

Filantropia: O que é o Núcleo de Formação e Pesquisa?
WN: O Núcleo de Formação e Pesquisa (Nufo), anteriormente batizado de Centro de Pesquisa e Desenvolvimento dos Doutores da Alegria, foi criado com o objetivo de compreender o alcance de ações como a nossa, multiplicando nossa visão e aumentando o número de pessoas beneficiadas pelo programa, bem como propiciar aperfeiçoamento para nossos próprios artistas. O Nufo fica na matriz dos Doutores, em São Paulo, e procura agregar artistas e profissionais da área de saúde, possibilitando a ampliação do conhecimento da cultura do palhaço, a sistematização do trabalho nos hospitais e sua relação com o desenvolvimento da saúde.
O Núcleo acredita em um futuro no qual a aproximação entre arte e ciência possa favorecer a criação de outras parcerias tão inusitadas quanto a nossa com os hospitais. A medicina e a área de saúde com um todo estão preocupadas com a questão da humanização como um passo importante para seu desenvolvimento futuro.

Filantropia: Há trabalhos científicos que comprovem o efeito terapêutico dos Doutores da Alegria na recuperação
dos pacientes?

WN: O trabalho artístico profissional no ambiente hospitalar vem construindo ao longo desses anos uma parceria bem-sucedida entre artistas e profissionais de saúde. Uma pesquisa realizada pela psicóloga Morgana Masetti, posteriormente transformada no livro Soluções de palhaço – Transformações na realidade hospitalar, apontou para alterações importantes em relação às crianças hospitalizadas como: melhora no comportamento e na comunicação; maior colaboração com exames e tratamentos; e diminuição da ansiedade com a internação.
Os efeitos foram relatados tanto pelas próprias crianças quanto por seus familiares e profissionais de saúde. Esses resultados são decorrentes da utilização do humor, de um sistema eficiente de comunicação e de um conjunto específico de valores e crenças sobre a realidade hospitalar.

Revista Filantropia: Qual sua relação com o médico Patch Adams e seu trabalho nos Estados Unidos?
WN: Conheci Patch em Nova York em 1989, por meio da Clown Care Unit e até hoje nos correspondemos. É um bom companheiro de jornada e uma “figuraça humana” por quem tenho muito respeito e admiração. Sempre que nos encontramos, damos boas gargalhadas.

Filantropia: Qual a relação do Wellington, cidadão, com o Terceiro Setor?
WN: Total! Desde o princípio, quis que Doutores da Alegria fosse uma ONG para se tornar um patrimônio do Brasil, não meu. Segundo, porque depois de 21 anos de ditadura, numa democracia, somos nós os responsáveis por esse país e acho que muito pode ser feito por meio do trabalho de uma organização, mas, a ONG tem hora para abrir e fechar, já o cidadão funciona 24 horas por dia.

Filantropia: Quais são suas ideologias pessoais em relação ao desenvolvimento social do país e à melhoria da qualidade de vida da população?
WN: Embora já tenhamos conquistado muito, acredito que ainda haja muita coisa a ser feita e sei que temos talento e capacidade para isso. Mas é preciso fazer mais, porque estamos lidando com as conseqüências de muitos erros cometidos no passado, como a falta de investimento em educação, cultura e saúde, para promover o desenvolvimento pleno da nação, não apenas o econômico. Também nós, cidadãos, precisamos aprender a nos envolver mais com a construção desse país. É preciso transformar a crítica em ação.

Filantropia: Você acredita que a falta de profissionalização nas organizações não-governamentais é um entrave para o crescimento do setor social no país?
WN: Não creio que seja um entrave, mas algo que faz com que demoremos mais para alcançar certos objetivos. Por outro lado, o que é o profissionalizar? Não acho certo uma ONG copiar um modelo empresarial em nome da profissionalização. Acredito que toda organização não-governamental que busca se refinar tem condições de criar novos modelos de gestão, com base na criatividade que desenvolveram, fazendo muito com muito pouco. Temos muito para compartilhar.
Nós, por exemplo, estamos estruturados como uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, mas acreditamos que a gestão competente é uma das melhores maneiras de retribuir a confiança de todos aqueles que acreditam em nossa causa e investem em nosso trabalho. Uma ONG gerida seriamente é capaz de fomentar a criação de modelos de gestão pautados pela criatividade e de economia atrelados ao desenvolvimento humano e à sustentabilidade.

Números:
• 80 profissionais envolvidos
• 18 hospitais visitados mensalmente em quatro cidades
• 550.507 visitas realizadas

Links
www.doutoresdaalegria.org.br

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