Voluntariado nas empresas

Por: Revista Filantropia
01 Maio 2004 - 00h00

Por onde começar a criar programas de voluntariado numa empresa e como revitalizar programas já existentes são dúvidas, como tantas outras, sempre colocadas nas reuniões promovidas mensalmente pelo Centro de Voluntariado de São Paulo para orientar e mostrar a importância dessa atuação na transformação da sociedade.

Tais questões denotam certa insegurança e indefinição dos caminhos a seguir para a maioria das 300 empresas que já estiveram no CVSP, e se devem em grande parte à falta de conhecimento das características, da lógica e do modo de operar da área social.

Nem sempre o conceito de responsabilidade social é claro para as empresas – muitas acreditam que já se tornam socialmente responsáveis ao estruturar um programa de voluntariado com os funcionários. Na realidade, a concepção é bem mais ampla, pois envolve uma postura ética diante dos variados públicos e compromisso com a promoção de mudanças que façam diferença na comunidade.

A primeira pergunta que uma empresa deve fazer é: “Por que queremos um projeto de voluntariado com funcionários?”

A primeira pergunta que uma empresa deve fazer é: “Por que queremos um projeto de voluntariado com funcionários?”. A resposta depende de uma reflexão sobre o que ela entende ser seu papel e responsabilidade na sociedade. Precisa-se também fazer uma avaliação do clima interno da empresa.

Em diversos casos em que o CVSP participou da concepção do programa, percebeu-se que o momento não era adequado para dar continuidade à proposta. Fatores como demissões, definição de dissídio, fusões, aquisições e mudança física da empresa podem tomar a atenção dos funcionários a ponto de os desestimularem para o trabalho voluntário.

Além disso, a empresa deve encarar o programa como qualquer outro projeto, sendo necessário estabelecer objetivos e metas, previsão de recursos financeiros, físicos e/ou materiais. Esse planejamento precisa ser elaborado por todos os envolvidos e contar com apoio e envolvimento da diretoria.

Não menos importante no processo é a definição dos tipos de projetos a serem desenvolvidos e do público beneficiário dessas atividades. O programa pode visar, por exemplo, a ações de conscientização (consumo consciente, coleta seletiva) ou ao trabalho voluntário em alguma organização social. No segundo caso é fundamental que a organização também esteja envolvida no planejamento, para que haja melhor aproveitamento de todo o potencial do trabalho voluntário, que merece acompanhamento qualitativo e quantitativo, fatores essenciais para definir a consistência de uma iniciativa.

Informações relevantes, como população beneficiada, quantidade de horas trabalhadas e recursos despendidos, permitirão que a empresa faça um balanço, divulgue os resultados e principalmente reconheça aqueles que se engajaram e doaram o próprio tempo para fazer diferença na comunidade. Isso é o que vai permitir, se necessário, a revisão e correção dos rumos do programa.

É igualmente comum as empresas solicitarem apoio para revitalizar um programa já existente. Para tanto, cabe rever as metas propostas, os resultados obtidos e o envolvimento dos participantes, além de provocar nova sensibilização nas pessoas ou redirecionamento dos projetos.

Recomendações como essas têm sido feitas pelo Centro de Voluntariado de São Paulo ao longo de seus sete anos de existência e reforçam que o assunto precisa ser tratado de forma profissional e organizada, a fim de se obter sucesso. Assim, a iniciativa privada terá efetivamente como apoiar a participação de todos na transformação tão urgente de nossa sociedade.

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