Voluntariado também na escola

Por: Silvia Naccache
21 Agosto 2013 - 00h00

As transformações no mundo do trabalho também pressionam escolas de todo o mundo a questionar-se sobre suas funções, responsabilidades e práticas. O Ministério da Educação (MEC) publicou em 1998 os Parâmetros Curriculares Nacionais. Esse documento teve um significado muito especial e demonstrou grande avanço para a educação brasileira, afinal, pela primeira vez foi criado, como o próprio nome já indica, um referencial único para toda a educação nacional. Diante da extensão do território brasileiro e suas diversidades regionais, culturais e políticas, foi preciso pensar um documento que respeitasse as diferenças existentes dentro do país e pudesse ser traduzido em propostas regionais. Os parâmetros são uma proposta de reorientação curricular que, interpretada regionalmente, serve como orientação e base para a elaboração da proposta curricular de cada instituição escolar, sendo adequada e adaptada ao cotidiano da sala de aula. Propõe uma revisão dos currículos escolares, estimula um debate educacional ampliado e aprofundado envolvendo toda a comunidade escolar.
A escola deve ser reconhecida como um espaço em que referenciais éticos sejam não só discutidos, mas vivenciados e construídos; um local onde devem ser compartilhados em valores cidadãos. Escolas de todo o mundo estão direcionando os seus currículos escolares para a formação de homens e mulheres capazes de ingressar no mundo do trabalho, mas também, e acima de tudo, preparados para o exercício da cidadania. O voluntariado junto aos jovens tem esse papel formador, para que sejam mais conscientes e preparados.
Muitas escolas planejam, organizam e desenvolvem projetos de voluntariado. Temas como ética, cidadania, respeito e solidariedade são bastante enfatizados e refletem a importância de que a escola brasileira seja responsável por formar cidadãos que tenham atitudes de solidariedade, de cooperação, de participação social e política, de justiça e de respeito.
O desenvolvimento de projetos de voluntariado traz benefícios tanto para a comunidade que recebe a ação, quanto para alunos, professores, enfim, toda a escola que a planeja e desenvolve. Os alunos que se envolvem com projetos sociais como voluntários têm a oportunidade de se tornarem empreendedores juvenis, ou seja, esses jovens exercitam capacidades como a de imaginar, de planejar e de colocar em prática sonhos e projetos. Tornam-se protagonistas de transformações dentro e fora da escola, exercitando assim a participação ativa nas transformações necessárias à sua comunidade.
O jovem voluntário é capaz de concretizar projetos pessoais, favorecendo seu desenvolvimento emocional e, consequentemente, profissional. Muitas das habilidades exercitadas no voluntariado são exigidas no mundo do trabalho, porém, poucas vezes são estimuladas e vivenciadas na escola. O professor também é beneficiado quando se envolve em projetos sociais, estimula seus alunos a participarem dessas ações e relaciona tais experiências com os conteúdos curriculares: planejar e desenvolver projetos sociais contribui para que a escola chegue mais perto da realidade dos seus alunos.
Já o público-alvo que recebe diretamente a ação planejada e desenvolvida pela escola vê a sua realidade transformada positivamente e passa a ter uma relação mais próxima com a instituição escolar, vendo-a como um lugar público que pode contribuir muito para a melhoria da qualidade de vida não só pela construção teórica de conhecimentos, mas também pelo o que é capaz de fazer na prática: a comunidade para dentro da escola e vice-versa. Incentivar e criar condições para a participação de jovens no voluntariado são práticas essenciais para o desenvolvimento da consciência de cidadania, democracia e do encontro com valores como solidariedade, inclusão, respeito a diferenças, valores que contribuem, e muito, para o desenvolvimento harmonioso da nossa sociedade.
O voluntariado é uma oportunidade que potencializa a formação de cidadãos envolvidos com a solução de problemas de suas realidades, sejam eles sociais, educacionais, de saúde, ambientais, entre outros.
A proposta de trabalhar o tema solidariedade, cidadania e ética dentro das escolas brasileiras não é uma exigência do MEC, mas a vivência e o exercício são exigências para uma aprendizagem para a vida. No ambiente da escola, existe a promoção do voluntariado educativo. Esta proposta visa estimular a cultura do voluntariado, com caráter pedagógico, a partir do desenvolvimento de projetos que potencializam a principal função da escola: promover a aprendizagem, preparando o aluno para a vida e para o trabalho. Promove atuações sociais integradas ao currículo escolar e têm também o objetivo de melhorar a qualidade de vida da comunidade onde a escola está inserida. Nas universidades, a proposta de que os jovens realizem atividades complementares reconhece a importância das competências adquiridas pelo aluno fora do ambiente escolar, obtidas nas relações com o mundo do trabalho e junto à comunidade. Várias atividades são sugeridas, tais como projetos de pesquisa ou iniciação científica; cursos de extensão ou de atualização cultural ou científica; monitoria, participação em empresas juniores, curso de idiomas ou informática; seminários; palestras e a participação em atividades de voluntariado. Uma vez que estas experiências podem ser vivenciadas desde a juventude, há enorme probabilidade que este tipo de atuação e compromisso social e político perpetuem-se ao longo da vida dessas pessoas.
O jovem voluntário desenvolve uma responsabilidade com a sociedade em que vive e uma maior consciência de suas habilidades e competências, direitos e deveres como cidadão. O movimento é mundial, é global, e o voluntariado é a ferramenta para alcançarmos uma sociedade mais justa, solidária e cidadã.

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