Voluntariado Empresarial: solidariedade e alegria

Por: Cláudia Sintoni
28 Outubro 2013 - 23h13

Empresas que já possuem os seus programas de voluntariado corporativo e outras que desejam iniciar as atividades nessa área, proporcionando aos seus colaboradores a oportunidade de vivenciarem a atuação social, enfrentam o desafio de desenhar uma boa estratégia para engajar as pessoas e trazê-las para essa vivência. Qual seria a melhor forma de chamá-las para a ação, despertando, mesmo naquelas que talvez nunca tenham experimentado o voluntariado em suas vidas, o desejo de praticar um ato de solidariedade?
A respeito dessas estratégias, gostaria de comentar sobre a dimensão lúdica que podemos associar a esse processo de mobilização. Propostas como gincanas de solidariedade têm sido implantadas com sucesso para esse fim em diversas empresas, sempre com altos índices de engajamento e também de benefícios para as comunidades destinatárias das ações. Cabe refletirmos, portanto, sobre as possibilidades que esse formato traz ao movimento de envolver as pessoas com a causa social.
O brincar é uma forma de expressão humana e, assim como a criança precisa das brincadeiras para viver e compreender o mundo à sua volta, também o adulto precisa do lúdico como canal de expressão e reflexão dos seus potenciais, como bem diz a pesquisadora Adriana Friedmann. Consideram-se como lúdicas as brincadeiras, os jogos, a música, a arte, a expressão corporal, ou seja, atividades que mantenham a espontaneidade das crianças. Associar esse aspecto às atividades de voluntariado que podemos propor é trazer o prazer para essa relação de solidariedade. A mensagem aqui é de que ser voluntário é leve, gostoso, ao contrário de ser aquele sacrifício que devemos fazer pelo outro, ideia ainda presente no nosso imaginário, que merece ser desmitificada.
A vivência do voluntariado por meio do brincar pode tornar-se uma interação bastante intensa com os colegas das diversas áreas das empresas e com as pessoas que recebem as ações voluntárias.
Um programa corporativo de voluntariado pretende proporcionar a vivência de cidadania para os colaboradores da organização que o estrutura. E, sim, cidadania é algo a ser vivido. Citando o professor Antonio Carlos Gomes da Costa, que foi consultor de diversas empresas, fundações e institutos empresariais, no prefácio que escreveu para a publicação que justamente sistematizou o Rally Social, um caso de sucesso nessa abordagem lúdica desenvolvido pela Fundação BankBoston e posteriormente reeditado pela Fundação Itaú Social: “A cidadania não pode ser apenas proclamada, regulamentada, divulgada, reconhecida e estudada. Ela só existe realmente quando é vivida pelas pessoas no seu dia a dia.”
Como vivência, portanto, é que o jogo cumpre também um papel importante de provocar aprendizados. Temos que considerar a natureza educativa da sua realização.
Importante atentar para o fato de que o caráter lúdico não descarta a seriedade e a relevância das ações a serem realizadas. Daí a necessidade de uma organização cuidadosa que se preocupe com o desenho de atividades e tarefas dentro de uma gincana, por exemplo, que realmente contribuam com a comunidade a ser beneficiada. Sendo significativas para os voluntários e para os destinatários de suas ações sociais, estas ganham força de continuidade: voluntários começam a querer atuar mais e a comunidade tem um canal para solicitar e interagir mais.
Finalmente, vale comentar sobre o aspecto de celebração, e festa, que eventos como essas gincanas de solidariedade apresentam. Novamente lembrando o professor Antonio Carlos Gomes da Costa, “uma liturgia, um culto aos valores de solidariedade, de partilha, da alegria de servir e da paz”. Esse momento festivo termina por fortalecer os valores positivos presentes na cultura da organização que oferece esse espaço para seus funcionários.
Em ambientes de tanta competitividade, como normalmente nos referimos às empresas, que tal utilizar essa mesma força competitiva para mover ações em favor do bem comum?
Em tempos tão sisudos e frios, que tal então inserir o brincar e toda a alegria potente que vem com essa vivência em nossas estratégias de mobilização, possibilitando um exercício prazeroso de cidadania?

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