Voluntariado empresarial

Por: Renata Macedo
21 Agosto 2013 - 01h06

Prática leva ao desenvolvimento das competências profissionais

Um dos pilares da administração contemporânea, o desenvolvimento de pessoas, tem levado empresas de todos os segmentos e portes a investirem tempo, recursos financeiros e intelectuais para encontrarem metodologias que supram as necessidades da própria empresa em reter talentos, como a de seus colaboradores, que estão cada vez mais exigentes e perceptíveis às relações de trabalho que a companhia tende a oferecer.
Empresas começam a perceber que muito mais importante que o crescimento industrial é o crescimento da felicidade das pessoas no lugar onde vivem e trabalham. Não são poucas as empresas que possuem em suas metas do “One Page Strategy” indicadores relacionados aos índices de suas pesquisas de clima organizacional.
Da mesma forma, não são poucos os profissionais que realizam suas escolhas de carreira com base na imagem e na reputação da empresa pretendida, na sua postura perante a sociedade, no diálogo exercido com seus públicos de interesse e na postura ética das relações de trabalho.
Se, antes, o desempenho dos colaboradores estava baseado em entregas funcionais, em que os principais atributos considerados eram os técnicos, atividades exercidas com consciência limitada apenas no que era preciso fazer, hoje se espera uma entrega afetiva e sustentável. Profissionais e empresas buscam o compartilhamento de crenças e valores; demonstram consciência e provam suas responsabilidades baseadas em práticas com as quais se identificam.
Atualmente, as empresas consideram não apenas o domínio técnico do profissional, mas também sua bagagem de competências comportamentais. Passam a considerar as competências profissionais como um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos que, associados, geram resultados. São competências qualificadas como essenciais, que estabelecem as condições básicas que um colaborador deve possuir para atingir os objetivos e resultados esperados pela empresa.
Em pesquisa realizada pela The Boston Consulting Group, em parceria com a World Federation of People Managing Associations (Federação Mundial de Recursos Humanos), em 2010, foram ouvidas as áreas de recursos humanos de 100 países, inclusive o Brasil. Nessa pesquisa, foram identificados 21 atributos. Os considerados mais críticos foram a atração dos talentos, o desenvolvimento das lideranças e o engajamento da força de trabalho.
Nesse contexto, o voluntariado empresarial pode se tornar um importante aliado, dando sustentabilidade à estratégia das empresas, inclusive para a conquista da fidelização de talentos.
As práticas de recrutamento e seleção buscam profissionais que possam apresentar diferenciais que determinem o quanto podem atender ou não às expectativas de uma organização, como, por exemplo, conviver bem com as adversidades; saber lidar com as situações de conflito; ser assertivo; comunicar-se bem com os pares; ter bom humor. Todas essas atitudes podem facilmente ser encontradas no colaborador após a prática da atuação voluntária.
As avaliações de expectativa, assim como os depoimentos de percepção que os programas de voluntariado corporativo realizam com seus voluntários, podem apontar para um processo evolutivo de exercício dessas práticas e subsidiar as diretrizes da área de desenvolvimento humano.
Outro indicador de performance de competências humanas nas organizações é a chamada inteligência emocional, considerada essencial para o sucesso profissional do ser humano e atributo de sua competência emocional. A sua prática melhora seu desenvolvimento pessoal e o trabalho em equipe, incentiva pessoas, aumentando sua autoestima, e ajuda na resolução de conflitos no ambiente de trabalho.
As competências emocionais de um profissional são, na verdade, o que estabelece a diferença entre uma empresa medíocre e uma excelente. Muitas vezes, bons resultados aparecem em ambos os casos, mas sem uma dose edificante de “coração” o resultado nunca irá superar a média do setor de atividade da organização.
Essa “dose edificante” é justamente a que encontramos no exercício da atividade voluntária, contribuindo, mais uma vez, para o desenvolvimento de uma competência emocional tão requisitada e desejada pelas áreas de desenvolvimento de pessoas.
Em seu artigo “O valor do voluntariado para recursos humanos”, para a publicação Olhares para o Voluntariado Corporativo, Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, reflete sobre a seleção de profissionais: “...quando os candidatos apresentam as suas atividades de voluntariado, faz-se a leitura dos requisitos pessoais que ele possui para desempenhar com excelência esta atividade plena de cidadania. É possível constatar quais valores estes candidatos privilegiam e faz-se esta relação com a cultura e missão da organização.”
Paralelamente à contribuição para o desenvolvimento de competências humanas comportamentais, o trabalho voluntário amplia a rede de contatos de seus praticantes e os conscientiza a respeito do papel que podem exercer na sociedade onde vivem, na qual a própria empresa em que trabalham está inserida. Também amplia de forma significativa o networking, aumentando a sua influência, reconhecimento e reputação.
Se ainda considerarmos os jovens em início de carreira, atividades não remuneradas, como o voluntariado, podem ser ótimas oportunidades para adquirir a experiência necessária, conhecer o ambiente corporativo e colocar em prática o conhecimento teórico obtido. Não são raras as universidades que hoje contemplam em suas grades a possibilidade do cumprimento de horas de atividades complementares por meio do trabalho voluntário.
Pessoas preocupadas com as responsabilidades social, ambiental, econômica e individual querem trabalhar em um lugar que faça sentido para elas, que lhes dê espaço para desenvolver suas potencialidades e concretizar seus objetivos.
Talentos valorizam o exercício da cidadania, a inclusão social, a transparência econômica, a diversidade, o respeito ao meio ambiente e à sociedade que sejam genuínos e que de fato façam parte do cotidiano das pessoas e das corporações. O voluntariado empresarial pode ser o facilitador desse processo.

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