VOLUNTARIADO E GESTÃO

Por: Thaís Iannarelli
15 Abril 2013 - 20h26

As pessoas pensam: “Ah, se você fizer uma boa prestação de contas, já está bom”. Mas, o que é isso? Não basta dizer como utilizei seu dinheiro, e sim o que foi transformado com aquele recurso. Esta é a mentalidade que precisa ser transformada
Maria Elena pereira johannpeter
Presidente da Parceiros Voluntários

Desenvolver metodologias voltadas para atender as necessidades de assessoramento de escolas, empresas e organizações da sociedade civil é o papel da Parceiros Voluntários, organização que existe há 16 anos e é presidida pela entrevistada Maria Elena Pereira Johannpeter. Criada no Rio Grande do Sul, graças ao espírito empreendedor de Maria Elena, a instituição tornou-se referência no desenvolvimento da cultura do voluntariado no Brasil e em tecnologias sociais customizadas, dedicadas a levar sustentabilidade, gestão qualificada e princípios de transparência e prestação de contas ao Terceiro Setor. Maria Elena integra conselhos de entidades empresariais e de fundações nacionais e internacionais do segmento, além de já ter sido agraciada com diversos prêmios. Recentemente, foi convidada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento a integrar seu grupo consultivo da sociedade civil no Brasil. Em entrevista à Revista Filantropia, ela fala sobre sua experiência e atividades em prol da profissionalização da área social no país.

Revista Filantropia: Como você começou a se envolver com o voluntariado e com a área social?
Maria Elena: Isso começou na adolescência, com uns 14 anos. Eu via o exemplo da minha mãe, mas naquela época não havia o título de voluntariado, ela simplesmente fazia. Então, posso dizer que foi por incentivo dela e por vê-la atuar pelo social.

RF: E como surgiu a Parceiros Voluntários?
ME: Depois que tive esse belo exemplo, assimilei aquilo. A gente cresce, a vida nos leva para outros lugares. Então, trabalhei, casei, tive filhos, mas sempre estive envolvida com ações voluntárias. No final da década de 1990, eu já estava próxima de me aposentar, e comecei a me deparar com aquela pergunta típica: “O que vou fazer agora?”. Então, já casada com meu marido atual, resolvi fazer aquilo que sempre quis e que gostaria de fazer, que era me dedicar à área social. Criei a Parceiros Voluntários por conhecer modelos, tanto no Brasil quanto no exterior, de organizações que mobilizavam o voluntariado para outras organizações. Na nossa primeira ação, mobilizamos 100 voluntários para 10 organizações e percebi que havia uma demanda, pois solicitamos 100 voluntários e apareceram 300. Ou seja, a sociedade gostaria de participar, mas não sabia como.

RF: E hoje como é o cenário, 16 anos após a criação da instituição?
ME: Há uns seis anos, ou seja, quando a Parceiros Voluntários tinha 10 anos de existência, passamos a atuar também, paralelamente ao voluntariado, com cursos de capacitação e gestão para as organizações sociais. Ampliamos nossa atuação para que os voluntários, tanto pessoa física quanto jurídica, ficassem dentro das ONGs e para mantê-los as organizações precisavam ter uma gestão mais qualificada. Isso era o que os voluntários traziam para nós. Diante desta informação, começamos a trabalhar com o foco em capacitação e gestão. Então, se existe uma frase que nos defina, eu diria que somos uma potencializadora das organizações sociais para que elas melhor atendam seu público interno, sua missão. Potencializamos de duas maneiras: com cursos de gestão e enviando recursos humanos voluntários qualificados.

RF: Quantas instituições vocês atendem atualmente e qual é a abrangência da atuação?
ME: Aqui no Rio Grande do Sul estamos com 2.400 organizações conveniadas, recebendo nossos cursos gratuitamente e os voluntários que encaminhamos. Desenvolvemos nove metodologias que fazem parte desta capacitação, e agora estamos levando a experiência para a Bahia, por enquanto implementando três níveis do curso, que são: desenvolvimento de liderança, princípios de gestão e educando para a transparência.

RF: Como você analisa o cenário social no Brasil em termos de profissionalização das organizações?
ME: Eu diria que ainda estamos iniciando em termos de gestão. No Brasil, segundo o IBGE, há 290 mil organizações de todos os tipos. No Rio Grande do Sul, temos 26 mil. Na Bahia, 18.800. Então, cada Estado tem um número grande para somar a este 290 mil. É um setor com muitas pessoas, e o Primeiro e o Segundo Setores ainda não assimilaram a importância de o terceiro Setor ter uma boa gestão, com transparência. Porque se exige gestão do governo e das empresas, mas do Terceiro Setor ainda não. As pessoas pensam: “Ah, se você fizer uma boa prestação de contas, já está bom”. Mas, o que é isso? Não basta dizer como utilizei seu dinheiro, e sim o que foi transformado com aquele recurso. Esta é a mentalidade que precisa ser transformada. Os três setores têm de estar no mesmo nível de gestão para responder de maneira correta e transparente.


RF: Como vocês mensuram os resultados da implementação da metodologia da Parceiros Voluntários nas organizações?
ME: Em 2012, lançamos um livro que mostra os resultados da implantação desta metodologia de princípios de transparência e prestação de contas. Ela foi desenvolvida de 2008 a 2011 com o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com patrocínio da Petrobras. No livro, há 12 cases de práticas bem-sucedidas, e mostra como foi positivo o efeito dessa qualificação para as organizações.

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