Uma vida pela janela

Por: Instituto Filantropia
21 Junho 2013 - 21h47

F oi por olhar à rua que beirava a casa que aquela menina-moça foi tecendo a vida.
De dentro da janela, o mundo era estranhamento arrumado. Cada coisa e pessoa tinha o seu lugar, mas tudo parecia de passagem. Lá dentro a arrumação incomodava, algo como um desconforto, uma angústia. Sempre uma saudade, sempre uma solidão. A vida não é assim, arrumada.
O movimento que ali existia não a tocava, não a emocionava. Era a rua quem lhe dizia coisas ao pé do ouvido, coisas boas de se ouvir. Era da rua que vinha o imprevisível que lhe dava conta de que a vida estava ali.
A moça não era só, mas era a janela que lhe abria um mundo de possibilidades que a casa insistia em lhe furtar.
Do lado de dentro da casa, ela era só silêncio, uma moça, uma casa, o silêncio. Dentro dela todos eram muito ocupados com seus afazeres. Guiados pelo relógio do tempo, iam e vinham, sem se perguntar se valia a pena. Era essa atitude que a empurrava para a janela, ela, que queria bem mais, desejava esbarrar em alguém, para pedir desculpas, para mostrar-se viva.
Na janela ela recitava poemas, cantarolava canções de amor, sorria um tanto de felicidade. A moça não era triste.
O dia, que vinha com um pouco de tudo, aguardava por ela na rua. Era o olhar da mulher que a despertava para o melhor de si.
Lá dentro, uma grossa parede de silêncio e solidão se erguia fazendo estranhos, preenchendo de cimento, veios de sangue. Às vezes a vida é assim mesmo, estranha, cruel, faz brotar todas as diferenças do mundo, onde deveriam existir similaridades.
As pessoas se sabiam assim, distantes, a moça se sentia assim, deserta. Mas ninguém tinha forças e ânimo para quebrar paredes, fazer reformas, pintar de cores novas as paredes descascadas, trocar a fiação. A casa era velha, mas era uma casa, e para o que precisavam ela servia.
Mas o mundo lá de fora, o da janela, rompia tudo isso, e faria mais, se todos se deixassem tocar. A moça se deixava tocar, sentir, cheirar, por isso ainda ousava dizer em construção.
Era estranho como também os de casa, vistos da janela, ganhavam alma e ânimo. Ela gostava deles mais quando os olhava de longe. Podia vê-los melhor. Às vezes, olhar de longe nos dá a verdadeira dimensão de alguém ou algo. Mas não se sabe a razão, um desejo de abraço grande, eterno, morria quando a porta se abria.
Como podiam os laços serem assim, ora atados, ora desatados. Esta era uma implacável sensação de dualidade.
A janela, com o passar dos anos, sem perceber, foi o ponto de encontro da moça com os seus, da moça com a rua, da moça com a vida, da moça com a moça.
Um dia, tal abertura ficou pequena, pois ninguém ama apenas pelo olhar. Amar é misturar-se, ir à rua e lá encontrar aqueles que, próximos, nos parecem estranhos. Na rua não há diferenças, a mesma que cria margens, afasta e separa, também liga, aproxima e junta.
A menina-moça percebeu que olhar é bom, mas estar junto é melhor.
Em outro dia, a janela ficou vazia, e a moça partiu à procura do abraço largo e farto. Partiu para acolher, fez-se acolhida, sem mais esperar dos outros, de gente que nunca se arriscou a olhar pela janela.

EDITAIS FILANTROPIA PLATAFORMA ÊXITOS
19.064
Oportunidades Cadastradas
9.597
Modelos de Documentos
3.404
Concedentes que Repassam Recursos
Prazo
30 Jun
2020
Linha emergencial de crédito Conexsus
Prazo
Patrocínio BS2
Prazo
31 Jul
2020
GlobalGiving Accelerator - Virtual Training Program...
Prazo
30 Nov
2020
Stop Slavery Award 2021
Prazo
31 Jul
2020
AEB - Chamamento Público para lançamentos a partir...
Prazo
4 Set
2020
Ideias para o Futuro
Prazo
Matchfunding Enfrente o Corona
Prazo
1 Ago
2020
Todos os olhos na Amazônia
Prazo
1 Ago
2020
The IFREE Small Grants Program
Prazo
31 Dez
2020
Patrocínios e Doações - Instituto Usiminas

PARCEIROS VER TODOS