Uma grande mulher

Por: Instituto Filantropia
20 Outubro 2012 - 13h30

Por Juliana Fernandes

Ela é a sétima filha, de um total de 12, do casal Adhemar e Renata. Nasceu em São Paulo e, aos 4 anos, mudou-se para Pindamonhangaba, no interior paulista. Em 1975 conheceu aquele que seria o seu futuro marido, o atual governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin – na época, vereador e estudante de Medicina. Engajada nas questões sociais, ela participa ativamente de campanhas com uma atuação incansável no acompanhamento e ações das comunidades mais carentes. Em seu histórico de luta pelo social, tornou-se uma das mais expressivas voluntárias do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo – com contribuição em importantes projetos.
Em entrevista à Revista Filantropia, Lu Alckmin, primeira-dama do Estado de São Paulo e presidente do Fundo Social de Solidariedade, fala sobre sua dedicação ao trabalho social.

Revista Filantropia: Em que momento da sua vida surgiu a vocação para o trabalho social?
Lu Alckmin: Desde pequena eu observava minha mãe dividindo seu tempo entre os afazeres de casa, o que incluía cuidar de 12 filhos, e o trabalho com os mais necessitados. Ela foi um grande modelo para mim, alguém em quem eu me espelhava. Quando Geraldo foi eleito prefeito de Pindamonhangaba, na década de 1970, comecei a participar voluntariamente das campanhas de arrecadação de fundos e de ações nas comunidades mais carentes. No Fundo Social de Solidariedade, trabalhei como voluntária junto à Dona Lila Covas, na época em que o Geraldo foi vice-governador do Estado de São Paulo.
A partir do momento em que ele assumiu o governo, eu me tornei presidente e voluntária do Fundo, onde dei início ao trabalho que até hoje realizo junto a uma equipe experiente, que conta com o apoio de entidades assistenciais, primeiras-damas e presidentes dos Fundos Municipais na realização de projetos que geram emprego e renda à população carente dos 645 municípios do Estado de São Paulo.

RF: A senhora participa ativamente de campanhas de arrecadação de fundos, além de acompanhar ações em comunidades mais carentes. De que forma leva essa vivência social aos políticos com que a senhora convive?
LA: O contato próximo com as comunidades é muito enriquecedor, pois é a partir dele que conhecemos os anseios e as necessidades da população, é o nosso fio condutor na elaboração dos projetos sociais. Acredito que por meio dos resultados obtidos com os projetos que realizamos no Fundo Social de Solidariedade é possível dar o exemplo a todos de que essa troca de informações é extremamente saudável e positiva.

RF: Em 1995 a senhora atuou como voluntária do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, ajudando em projetos importantes como o da Estação Especial da Lapa, as Casas da Solidariedade, e os JORI - Jogos Regionais do Idoso. Conte-nos sobre essa experiência.
LA: O trabalho como voluntária me proporcionou um grande aprendizado, pois pude acompanhar o desenvolvimento de projetos que até hoje estão em funcionamento, como as Casas da Solidariedade e os JORI. O trabalho voluntário é algo valioso para a minha vida, me fez aprender a ouvir mais o outro, a entender melhor o que é a compaixão e, a partir disso, criar ações que possam transformar a vida das pessoas. Como presidente do Fundo e voluntária, a minha felicidade está em ajudar as pessoas.

RF: Durante os 5 anos em que a senhora esteve à frente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, fez questão de priorizar projetos de capacitação e geração de renda. Em sua opinião, quais foram os principais frutos desse trabalho?
LA: Quando assumi pela primeira vez a presidência do Fundo, em 2001, um dos primeiros projetos implantados e que teve grande êxito foi a Padaria Artesanal. De 2001 a 2006, a Padaria Artesanal capacitou mais de 20 mil multiplicadores, que qualificaram 360 mil pessoas na arte de fazer pães. Além disso, o Fundo implantou mais de 9 mil Padarias Artesanais em municípios e entidades assistenciais, compostas de forno, batedeira, liquidificador, balança, assadeiras de alumínio e botijão de gás. A capacitação deu tão certo que continua sendo oferecida no Palácio dos Bandeirantes e no Parque da Água Branca, na capital.
O curso tem duração de um dia e ensina a fazer 10 tipos de pães.

RF: A senhora é responsável por projetos de reflexão, como a Semana da Solidariedade, a ação do jovem com a Universidade Cidadã e o Casa de Brinquedos, voltado à educação e à sociabilidade das crianças. Com tantas iniciativas, já pensou em exercer efetivamente algum cargo político?
LA: Não tenho pretensões políticas. Acredito que meu lugar é junto ao meu marido, que me dá a oportunidade de ser presidente e voluntária do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, oferecendo suporte às entidades assistenciais, às primeiras-damas dos municípios, às presidentes dos Fundos Sociais Municipais, para levar os projetos de educação, qualificação profissional e geração de renda ao maior número de pessoas possível.

RF: Há algum projeto que a senhora gostaria de desenvolver em São Paulo, ou no Brasil, que ainda não teve oportunidade? Se sim, em que área?
LA: Acredito que ainda temos muito a fazer, mas já trilhamos um maravilhoso caminho até aqui. Sou muito grata por ter tido a oportunidade de realizar tudo o que conseguimos até o momento. Um grande projeto que está sendo colocado em prática são os Polos de Moda, que nasceram das Escolas de Moda, na capital. Inauguramos este ano 28 Polos de Moda em municípios do interior, que são responsáveis pela capacitação das cidades vizinhas e de seus próprios munícipes. O projeto está entrando em sua segunda fase, com a implantação dos polos em 28 entidades assistenciais da capital, nas regiões Norte, Sul, Leste e Oeste. Com essa multiplicação de conhecimento, o nosso sonho é transformar São Paulo no maior polo de costura do Brasil.

RF: Qual a sua grande inspiração na área social – uma referência em que a senhora se espelhe para continuar modificando a vida de tantas pessoas?
LA: Além da minha querida mãe ser para mim um grande exemplo de doação ao próximo, tenho como professora a Dona Lila Covas, quem acompanhei como voluntária quando presidiu o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. Foi Dona Lila quem me ensinou a realizar parcerias e por quem tenho profunda admiração.
Os Jogos Regionais do Idoso (JORI), por exemplo, foram idealizados por ela, e é uma fórmula que deu tão certo que continuamos realizando anualmente no interior do Estado. Na edição deste ano, por exemplo, recebemos na etapa final, em Osvaldo Cruz, 1.882 idosos, vindos de 182 municípios, que competiram com muita disposição em 14 modalidades. É uma lição de vida para todos nós, uma verdadeira amostra de saúde, energia e criatividade. Eles realmente surpreendem a cada ano. E os Jogos acontecem graças à iniciativa de Dona Lila Covas, que lá atrás deu início a este projeto maravilhoso.

RF: De que forma as organizações sociais podem, em parceria com o primeiro setor, ter um papel de destaque na sociedade brasileira?
LA: Para alcançar o sucesso, acredito que o segredo de qualquer ação seja a união. A união de esforços em prol de um objetivo comum, que é beneficiar a população, levar qualificação profissional e geração de renda aos mais necessitados. Para ter um papel de destaque, é preciso oferecer oportunidades que resgatem a autoestima das pessoas, e não apenas “dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Quando damos a oportunidade de as pessoas desenvolverem suas capacidades e descobrirem que estão aptas a assumir um papel diferente na sociedade, que elas podem fazer a diferença na comunidade em que estão inseridas, é nesse momento que sentimos que estamos cumprindo o nosso objetivo como organização social e como primeiro setor.

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