Transpondo limites

Por: Thaís Iannarelli
01 Janeiro 2007 - 00h00

É de conhecimento geral que uma das características mais fortes do Brasil é a diversidade de sua população. De acordo com dados do IBGE de julho de 2006, o país todo conta com 186.770.562 pessoas das mais diversas nacionalidades e crenças. Dentre esse total, segundo dados do último censo, 14,5% compõem-se de brasileiros com algum tipo de deficiência – locomotora, sensorial ou física.
A preocupação com a questão de facilitar o acesso aos locais é crescente, além da necessidade de cumprir a lei da acessibilidade, vigente desde dezembro de 2000. Porém, segundo a psicóloga Rosângela Barqueiro, da Laramara – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, a maior dificuldade enfrentada pelos deficientes é exatamente o não-cumprimento da legislação.
“Como exemplo, o que deveria acontecer é a inclusão de forma igualitária no processo educativo, no lazer, no esporte e no mercado de trabalho. A falta de informação e de conhecimento dos recursos utilizados pela pessoa com deficiência visual são os maiores obstáculos que a sociedade e, às vezes, a própria pessoa com deficiência, impõe”, diz. A Laramara existe desde 1991 e já atendeu mais de 8.000 famílias e 700 crianças e jovens.
Outro problema enfrentado é a maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho, mesmo com a lei nº 8.213/911, que obriga as empresas com cem ou mais funcionários a contratarem pessoas com algum tipo de deficiência. Com o intuito de ajudar esta população no quesito empregabilidade, o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) criou um programa voltado especialmente para este público. “Atuamos em duas frentes. Na primeira, buscamos propiciar capacitação ao estudante com deficiência para a obtenção de uma oportunidade de efetivação no trabalho. Na segunda, auxiliamos empresas a cumprirem a lei nº 8.213/91”, conta Fátima Fernandes, responsável pelo programa Pessoas com Deficiência do Ciee.
Ao conseguir emprego, outra dificuldade é que são poucas as empresas que oferecem ambiente adequado para receber um cadeirante, um deficiente visual ou auditivo, por exemplo. “Orientamos a empresa sobre a necessidade de adequações, pois deverá assegurar a acessibilidade no ato da contratação do estagiário ou do funcionário efetivo com deficiência”, completa Fátima.

Mundo virtual
O acesso às novas tecnologias também precisa passar por adaptações para atender a população com algum tipo de deficiência. “A internet é hoje o maior instrumento utilizado pela pessoa com deficiência visual no mundo”, conta Rosângela. “O deficiente visual que acessa a internet possui recursos – softwares de voz ou de ampliação de tela – que dão a ele total independência para sua navegação, atendendo quase 100% de suas necessidades. O problema é que muitos sites não estão acessíveis, principalmente por falta de informação de quem os desenvolve”, complementa.
Atualmente, apenas Austrália, Canadá, Estados Unidos e Portugal possuem normas técnicas de acessibilidade à internet. Em Portugal, por exemplo, a lei foi criada e as regras foram adotadas em 1999, quando cerca de 9.000 portugueses foram atrás de seus direitos e apresentaram a primeira petição eletrônica a um parlamento. Assim, o país foi o primeiro da Europa a ter em sua legislação normas em relação à acessibilidade eletrônica.

Acessibilidade
Os espaços físicos, quando adaptados às regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), melhoram muito a qualidade de vida das pessoas com deficiência ou necessidades especiais. No Brasil, a lei nº 10.098/00 regulamenta normas e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Um exemplo é o prédio do Serasa, em São Paulo, que recebeu a certificação NBR 9050:94 da Fundação Carlos Alberto Vanzolini por conta do sistema de acesso que a sede oferece aos portadores de deficiência. O edifício foi o primeiro do Brasil a receber esta certificação, pois atende a todos os requisitos da auditoria feita pela fundação.
Porém, nem todos os locais estão tão bem preparados. “O maior problema é exatamente a falta de acessibilidade e recursos para receber determinados tipos de deficientes. Além disso, quando se trata de contratação, nota-se um desconhecimento de que o deficiente pode exercer qualquer atividade, desde que lhe sejam dadas as oportunidades e os recursos necessários”, explica Fátima.
De acordo com Rosângela, a pessoa com deficiência visual deve ser habilitada ou reabilitada aos poucos para se sentir segura no dia-a-dia. “Neste processo a pessoa aprende a usar ferramentas que contribuem com sua segurança, orientação, locomoção e mobilidade, como bengalas, cão-guia, agendas eletrônicas e celulares”.
Outras dicas importantes dadas pela psicóloga englobam cardápios em Braille nos restaurantes, que indicam respeito pelo cliente; a não-utilização de objetos pontiagudos ou escadas no meio dos ambientes (sem a sinalização universal); elevadores com botoeira em Braille (interna e externamente). Todos esses são facilitadores no processo de independência da pessoa com deficiência visual. “Para que a pessoa com deficiência seja respeitada, ações básicas de convivência social deveriam ser praticadas por qualquer cidadão, seja ele deficiente ou não”, complementa.

 

Regras da ABNT para adaptação dos espaços
Rampa: largura mínima de 1,20m; inclinação longitudinal conforme percurso; inclinação transversal máxima de 2%; guias de balizamento com altura mínima de 5cm.
Escada: largura mínima de 1,20m; inclinação transversal máxima de 2%; degraus com espelho entre 16 e 18cm, e piso entre 28 e 32cm.
Patamar em frente à porta: medindo no mínimo 1,20m na direção do movimento; inclinação transversal máxima de 2%.
Corrimão e guarda-corpo: altura de instalação de 0,92m do piso; material rígido; firmemente fixado em barras de suporte. O corrimão deve prolongar-se por pelo menos 0,30m antes do início e após o término da rampa, sem interferir na área de circulação.
Piso início/término rampa e escada: faixa com textura diferenciada (tamanho mínimo de 28cm) ocupando toda a largura da rampa e da escada.
Piso externo: com superfície regular, firme, estável e antiderrapante, sob qualquer condição climática.
Árvores: sem ramos pendentes, garantindo altura livre mínima de 2m a partir do piso.
Porta de acesso principal: vão livre mínimo de 0,80m; sem desnível na soleira.
Indicação visual de acessibilidade: Símbolo Internacional de Acesso.

Serviços importantes
A Laratec – Tecnologia Assistiva, uma das unidades de negócios da Laramara, oferece serviços e produtos que dão assistência tanto para pessoas com deficiência visual como para educadores, estudantes, profissionais e empresas, além de oferecer assistência técnica para tornar os sites acessíveis e os produtos adaptados.

"“Quando se trata de contratação, nota-se um desconhecimento de que o deficiente pode exercer qualquer atividade, desde que lhe sejam dadas as oportunidades e os recursos necessários” Fátima Fernandes, do Ciee"

EDITAIS FILANTROPIA PLATAFORMA ÊXITOS
15.198
Oportunidades Cadastradas
9.566
Modelos de Documentos
3.061
Concedentes que Repassam Recursos
Prazo
16 Dez
2019
Bikeducação: Edital Itaú para Seleção de Projetos...
Prazo
16 Dez
2019
ONU / FIDA - Concurso de Fotografia “Juventude e...
Prazo
Contínuo
Fundo Regenerativo Brumadinho
Prazo
22 Dez
2019
UNDEF - 2019 Call to Civil Society to Apply for Funding...
Prazo
1 Jan
2020
Fundo Julia Taft para Refugiados
Prazo
25 Jan
2020
Environmental Curricula Grants
Prazo
31 Mar
2020
United Nations Voluntary Fund on Disability
Prazo
20 Jan
2020
United Nations Voluntary Trust Fund for Victims of...
Prazo
Contínuo
Mitsubishi Corporation Foundation for the Americas
Prazo
Contínuo
Oak Foundation’s - Issues Affecting Women Programme

PARCEIROS VER TODOS