Terceiro Setor como referência na busca pelo conhecimento

Por: Marcio Zeppelini
01 Março 2008 - 00h00

Sempre digo nas palestras que ministro pelo país que o Terceiro Setor não deve só pedir, pois tem muito a ofertar à sociedade. Não me refiro ao dinheiro ou qualquer outro tipo de recurso material, espaço ou mão-de-obra, mas a um patrimônio imaterial: o conhecimento. Sua aplicabilidade deve ser o foco de todos os atores envolvidos no cotidiano de organizações sociais, universidades privadas, associações e instituições de classe – dos gestores aos colaboradores.

O conhecimento referido é todo aquele acumulado durante a existência da instituição ao longo dos trabalhos desenvolvidos, sem distinção de área. Como normalmente contam com o trabalho de profissionais – médicos, dentistas, psicólogos, educadores, ambientalistas, biólogos, assistentes sociais, administradores, contadores, advogados, entre outros –, são capazes de reunir uma série de conhecimentos e conceitos que poderão ser revertidos em benefício à humanidade como um todo.

Mas como as entidades podem canalizar todo esse conhecimento e experiência para atingir a sociedade com ações benéficas? Em primeiro lugar, é necessário organizar e fazer uma triagem daquilo que é considerado essencial para ser transformado em realidade. Em segundo lugar, é preciso definir como trabalhar e onde aplicar esse conhecimento.

Após esses processos é fundamental criar caminhos para divulgar ao maior número possível de pessoas interessadas nessa “enciclopédia” reunida. Publicações científicas impressas ou on-line, de produção própria ou não, além de artigos e entrevistas em veículos de comunicação voltados ao público leigo, são as melhores formas de se chegar a um bom número de profissionais.

O relacionamento com a mídia não-científica pode render mais frutos quando se tem o auxílio de uma agência especializada em assessoria de imprensa ou jornalistas gabaritados. Afinal, o conhecimento científico e a experiência acumulados precisam, muitas vezes, ser traduzidas para a linguagem mais simples possível. Academicismos ficam somente entre os profissionais envolvidos.

As entidades sem fins lucrativos devem “sugar” esse conhecimento e difundi-lo, usando os profissionais não só para a redação técnica descrita há pouco como também proferindo palestras – sejam para leigos ou para a comunidade acadêmica –, sempre em nome da entidade.

Não importa a área de atuação da organização, sempre há conhecimento a ser ofertado e distribuído. Dessa forma, as entidades se tornarão referência para todos os stakeholders. Aliás, referência é a palavra certa, e é o que deve ser buscado.

Iniciativas

A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) é um exemplo bem acabado de como utilizar as ferramentas da comunicação com conteúdo técnico-científico. A organização edita a Revista da Abrale, que traz notícias de saúde e bem-estar, sem deixar de divulgar o conhecimento adquirido por seus profissionais, ao falar dos temas de interesse de seus leitores, com reportagens e artigos que abordam as patologias por eles tratadas, bem como sintomas, cuidados e prevenção.

Já a Associação Paulista de Medicina (APM), assim como dezenas de outras entidades de classe da área da saúde, que também podem ser consideradas pertencentes ao universo do Terceiro Setor, acumula muito conhecimento, com seus mais de 20 mil médicos associados. Atualmente, edita duas revistas científicas: Revista Diagnóstico & Tratamento, para atualização médica; e Revista Paulista de Medicina, de caráter científico, que traz artigos de todas as especialidades médicas, e é publicada em inglês.

Quem também está no caminho certo é a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que acabou de lançar o livro AACD Medicina e Reabilitação – Princípios e Prática, de Antonio Carlos Fernandes (médico ortopedista pediátrico, diretor clínico da AACD), Alice Conceição Rosa Ramos (médica fisiatra, coordenadora da Reabilitação Infantil da AACD), Maria Eugenia Pebe Casalis (médica fisiatra, coordenadora da Reabilitação Infantil da AACD) e Sizínio Kanaan Hebert (médico ortopedista pediátrico no Rio Grande do Sul e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria).

A obra traz à tona toda a experiência da entidade no desenvolvimento de trabalhos com seu público-alvo. O conteúdo do livro, que tem quase mil páginas, é composto por temas como técnicas de reabilitação, patologias e especialidades atendidas. O lançamento reforça mais ainda a marca e o trabalho da instituição nas áreas em que trata e reabilita seus pacientes, e tem a chance de se tornar referência de consulta para médicos e demais profissionais que atuam com reabilitação. E as vantagens não param por aí. A instituição receberá parte da renda arrecadada com a venda dos livros.

Como fazer

Uma das formas de levar o conhecimento adiante é possuir uma publicação própria – científica ou para o público leigo. Para torná-la realidade, é necessário saber se existirá a possibilidade de obter artigos suficientes para poder produzir a revista e mantê-la com conteúdo atrativo. Além disso, é preciso nomear um Conselho Editorial, que ficará responsável por selecionar os artigos a serem publicados, entre outras ações. Dica: publicá-la somente no formato eletrônico (PDF ou HTML) é uma forma de reduzir os custos e viabilizá-la economicamente.

Para as instituições que não possuem condições suficientes para ter um periódico próprio, a saída é participar de outras publicações, inclusive as não-científicas. Uma instituição que trata de crianças com síndrome de Down, por exemplo, pode solicitar ao seu profissional que escreva, em nome da entidade, um artigo relatando um caso a uma revista de neurociência (dirigindo-se à comunidade acadêmica e científica) ou a uma revista comum. Pode ir mais longe, participando de programas de rádios ou tevê, explicando ao público em geral como lidar com uma pessoa com necessidades especiais (dirigidos a qualquer pessoa interessada no assunto).

Outro exemplo é quando a região ou o bairro em que a entidade tem sede possui um jornal e/ou revista voltados para aquela comunidade. Essa é a oportunidade para a instituição estreitar laços com o veículo de comunicação, a fim de que seus profissionais possam participar como fontes ativas em reportagens ou na publicação de artigos. Um dentista voluntário pode escrever um artigo sobre dicas de higiene bucal e aproveitar para mencionar o trabalho que a ONG faz pelos dentinhos das crianças que atente. É simples e efetivo.

Hospitais e universidades podem e devem ter publicações científicas com o objetivo de publicar teses e outros trabalhos acadêmicos gerados a partir da própria equipe de trabalho. Afinal, o conhecimento surge tanto da teoria quanto da prática. Essas instituições podem abrir boas possibilidades de se tornar referência ao incentivar e proporcionar a seus profissionais a oportunidade de escrever artigos técnicos e científicos para revistas segmentadas ou textos para leigos (jornais e revistas em geral). No caso das publicações científicas, é importante dizer que podem chegar a todas as partes do mundo por meio da indexação nos bancos de dados.

A Scientific Electronic Library Online (SciELO) é um grande exemplo a ser considerado pelas organizações que pretendem ter um periódico. Trata-se de uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros. Esse banco de dados surgiu de um projeto de pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

O SciELO tem o objetivo de desenvolver uma metodologia comum para a preparação, armazenamento, disseminação e avaliação da produção científica em formato eletrônico. O acesso à coleção de periódicos pode ser feito por meio de uma lista alfabética de títulos, de uma lista de assuntos, de um módulo de pesquisa de títulos dos periódicos, por assunto, pelos nomes das instituições publicadoras e pelo local de publicação. É fascinante!

O relacionamento com a mídia não-científica pode render mais frutos quando se tem o auxílio de uma agência especializada em assessoria de imprensa ou jornalistas gabaritados

Avançar é preciso

Mesmo com tudo o que já conquistamos, ainda é preciso avançar muito na difusão do conhecimento científico. É preciso refletir sobre o momento. Muitos já estão fazendo isso, como o professor Mário Aquino Alves, do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da FGV-EAESP, autor de diversos estudos sobre o Terceiro Setor.

Segundo o acadêmico, em artigo recentemente publicado na revista eletrônica IntegrAção, “apesar do predomínio da área na pesquisa sobre organizações sem fins lucrativos, a produção é ainda pequena e, em geral, com qualidade ainda a desejar”. Para o professor, mesmo com uma positiva predominância de estudos de campo na produção brasileira sobre Terceiro Setor, carece-se de resultados satisfatórios para a “geração de conhecimento de qualidade e que seja apropriado à realidade brasileira”1.

E vai mais além, ao detectar alguns problemas graves. A diversidade e a qualidade da composição do referencial teórico sobre Terceiro Setor, cujas “citações se concentram em poucos autores e, em especial, em obras de caráter prescritivo. É gritante, por exemplo, o baixo número de citações de artigos acadêmicos nas revisões bibliográficas dos artigos. Isso resulta em uma pobreza conceitual e epistemológica que contamina a maior parte das pesquisas realizadas”.

Essa é uma das mais sóbrias e inteligentes reflexões sobre os problemas da difusão do conhecimento no Terceiro Setor. Creio que os gestores e dirigentes das entidades sem fins lucrativos – e converso com muitos deles – podem se esforçar para mudar essa situação negativa. Não se trata de uma missão intangível, mas de algo real, que pode transformar a vida de milhares de pessoas. Basta cada um fazer sua parte!

1 Artigo na íntegra em: http://integracao.fgvsp.br/ano8/03/opiniao.htm.

Editora é especializadaem publicações científicas

A Zeppelini Editorial, que edita a Revista Filantropia, tem larga experiência na produção de publicações científicas e institucionais. Desde 2000 no mercado, a empresa trabalha com mais de 20 títulos diferentes, cada um com seu próprio estilo e regras. Entre eles, importantes periódicos científicos, como a Revista São Paulo Medical Journal (existente desde 1932), Arquivos de Gastroenteorologia, Revista Paulista de Pediatria, entre outros. A editora conta com profissionais treinados para revisar e editar as revistas conforme os padrões Vancouver e ABNT, entre outros.

Quando se especializou nessa área, a Zeppelini Editorial escolheu, estrategicamente, ser também a responsável pelos processos de indexações e registros das publicações, ocupando-se de todos os trâmites de indexações no SciELO, Lilacs ou Medline (Bireme). Além disso, presta toda a assessoria necessária nos órgãos burocráticos para o registro de uma publicação – ISSN, ISBN, CBL, entre outros.

A editora dispõe ainda de profissionais qualificados pela Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec) em sua equipe de diagramação e produção editorial, contando com o know-how necessário para cuidar da publicação desde o desenvolvimento do projeto gráfico, revisão do texto até a diagramação do mesmo, conforme os padrões de qualidade exigidos.


Zeppelini Editorial
www.zeppelini.com.br


Marcio Zeppelini. Consultor em comunicação para o Terceiro Setor, editor da Revista Filantropia, produtor editorial pela Universidade Anhembi Morumbi e diretor executivo da Zeppelini Editorial & Comunicação.

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