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Por: Paula Craveiro
07 Outubro 2015 - 12h48

Criação de aplicativos para dispositivos móveis visa atrair novos doadores e melhorar a divulgação de informações de instituições do Terceiro Setor

O Terceiro Setor desempenha papel essencial para a sociedade, e muitas vezes acaba suprindo demandas que nem mesmo o Poder Público é capaz de atender. Para cumprir sua missão, essas instituições demandam recursos humanos e financeiros para funcionarem com eficiência; por isso, a etapa de captação acaba se tornando um desafio constante.

Nos últimos anos, a tecnologia tem dado uma “mãozinha” nessa tarefa, permitindo que as entidades adotem estratégias diferenciadas para captar e gerenciar recursos e doadores. Redes sociais, blogs e sites têm contribuído para aumentar a transparência, aperfeiçoar a comunicação das entidades com seus stakeholders e estabelecer relacionamentos mais próximos com doadores e voluntários.

Usar as novas mídias para captação de recursos pode parecer difícil, mas as instituições devem procurar parceiros e voluntários que dominem as ferramentas para elaborar planos de comunicação, produção e divulgação de conteúdo digital, estruturação de sites modernos e responsivos e o uso de aplicativos mobile.

“Para que as entidades tenham sucesso no processo de captação de recursos, é preciso que elas busquem a utilização dos diversos canais disponíveis, sejam comunicações impressas, sites, mídias sociais, dispositivos móveis, entre outros, como forma de alcançar doadores de todos os perfis socioeconômicos”, explica o CEO e fundador da bhbit – Soluções para o Terceiro Setor, Shidartha Rosa.

Ferramentas Mobile

Ao longo dos anos, a captação de recursos evoluiu bastante. Inicialmente, as solicitações de doações, que antes eram realizadas ‘cara a cara’, passaram a ser feitas por correspondência. Na década de 1980, esse contato começou a ser realizado por meio do telemarketing e, já nos anos 1990, passou a contar com o auxílio da internet. Foi somente a partir de 2007 que teve início o uso de celulares para a captação de recursos.

“Com o volume total de celulares vendidos sendo superior ao número de computadores pessoais, esses dispositivos passaram a ser um canal de comunicação importantíssimo para que as entidades alcançassem audiências cada vez maiores. Hoje, felizmente, o acesso mobile não é mais uma tendência; é um fato mais do que consolidado”, afirma Shidartha Rosa.

A mobilização de recursos por meio de dispositivos móveis coloca nas mãos do doador uma ferramenta rápida e fácil para concretizar a doação, não importa onde ele esteja – basta apenas ter o desejo de ajudar e uma conexão de internet disponível. “Esses dispositivos podem ser utilizados tanto para otimizar o processo de doação, ao criar novos canais e facilitar a doação por meio de ferramentas que estão sempre à mão do doador, quanto para fomentar a cultura de doação, ao pedir e estimular doações, e disponibilizar informações que aumentem a credibilidade das organizações sociais perante seus potenciais colaboradores”, destaca Marco Cacuro, diretor de Marketing da Fábrica de Aplicativos. Ele prossegue: “Sabe-se que os smartphones e os tablets estão cada dia mais acessíveis, assim como também é sabido que, no Brasil, o número de acessos à internet a partir desses equipamentos já supera o acesso por dispositivos tradicionais (computadores e laptops). Então, por que não utilizar esse novo canal, capaz de atingir um grande número de pessoas? A aplicação dessa modalidade de captação se faz hoje para todos os tipos de doação – de doação de sangue à doação de notas fiscais e de dinheiro”.

Demanda De Mercado

Até o momento, o uso de aplicativos móveis para captação de recursos por parte dos doadores não foi amplamente adotado no Brasil. “Observou-se nos últimos anos que os aplicativos desenvolvidos exclusivamente para entidades isoladas do Terceiro Setor, com funcionalidade de captação de recursos, em sua maioria, não possuíam design moderno ou até mesmo outras funcionalidades que contribuíssem para que os usuários continuassem seu uso”, ressalta Rosa.

Essas tentativas, explica o CEO da bhbit, falharam por não proporcionar uma experiência atraente o bastante para desviar doadores de outras plataformas já consolidadas, como as doações on-line e as newsletters (mala direta). “Além disso, a captação de recursos por meio de apps se mostra um desafio ainda maior se observarmos que aproximadamente apenas 16% dessas aplicações são abertas por mais de uma vez após serem baixadas”, ele pontua.

No entanto, os especialistas consultados pela Revista Filantropia acreditam que haja grande potencial para expansão desse mercado. “Nota-se que a demanda vem crescendo a cada dia. As ONGs estão cada vez mais conscientes a respeito da necessidade de utilização da tecnologia em seu favor, tanto para incrementar a captação de recursos, quanto para se aproximar de sua comunidade. Quando iniciamos nosso trabalho, há dois anos, pouco mais de uma organização social nos procurava por mês para utilizar os apps. Atualmente, recebemos o contato de uma a três ONGs por semana”, garante Cacuro, da Fábrica de Aplicativos.

“Acredito que haja, sim, um enorme potencial no uso de apps, mas não de forma individualizada, ou seja, cada entidade desenvolvendo seu próprio aplicativo. Hoje já existem algumas plataformas, disponíveis principalmente no mercado norte-americano, nos quais as entidades podem, de maneira mais atrativa, exporem suas causas e angariarem recursos”, comenta Rosa.

Um exemplo seria o OneToday, da Google, que permite que usuários de dispositivos mobile com o sistema operacional Android doem US$ 1,00 para entidades que criarem seu perfil na plataforma. Diariamente, o aplicativo indica três projetos sociais de entidades cadastradas, de maneira aleatória, para que o usuário possa fazer a sua doação. O valor é debitado pelo aplicativo Google Wallet e, posteriormente, repassado às entidades.

 

Sites Incompatíveis Com Tecnologia Mobile

O mercado norte-americano é, sem dúvida, o pioneiro na utilização dessas tecnologias. Lá, é possível observar o Terceiro Setor muito mais mobilizado e atento quanto ao emprego da tecnologia. Já no Brasil, são diversos os casos de entidades com sites incompatíveis com dispositivos mobile e com processos de doação extremamente morosos e com muitas etapas, o que diminui muito o percentual de visitantes que se convertem a doadores. Ainda temos, por exemplo, inúmeros sites nacionais nos quais é possível encontrar informações de contas bancárias para depósitos, por exemplo.

“É importante compreender que a maioria das doações ocorre por impulso, e quanto maior ou mais complicado for o processo para a doação, menor serão os resultados obtidos”, adverte Shidartha Rosa, da bhbit. Para as entidades que buscam se diferenciar, o CEO sugere que optem por um caminho independente na captação de recursos por meio de dispositivos mobile. “Elas devem priorizar o desenvolvimento de um site responsivo com suporte a doações. Dessa forma, estarão preparadas para oferecer uma experiência agradável durante o ato da doação, independentemente do dispositivo utilizado pelo potencial doador”.

 

 

Mobile Fundraising Ou Online Fundraising?

Embora muitas vezes as duas expressões sejam utilizadas como sinônimos, é importante compreender suas diferenças. “A captação on-line (online fundraising) é um gênero da qual a captação mobile (mobile fundraising) é espécie. Simplificando, a mobile fundraising é um modo de utilizar o online fundraising”, explica Marco Cacuro, da Fábrica de Aplicativos.

 

 

 

 

 

 Vantagens E Pontos De Atenção

A tecnologia móvel traz diversos benefícios para as entidades sociais. Entre as principais estão a facilidade para se realizar uma doação ou para obter informações sobre alguma ONG. “As vantagens operacionais, por sua vez, dependem dos sistemas utilizados pela organização. Por exemplo, o tempo de retorno vai variar de acordo com a espécie de doação realizada. Se for uma doação de Nota Fiscal Paulista, os ciclos se encerram em abril e em novembro. Por outro lado, transações financeiras a partir de sistemas como o Paypal trazem retorno mais imediato”, orienta Marco Cacuro, da Fábrica de Aplicativos.

Além dessas vantagens, destacam-se: alcance de potenciais doadores de diversos perfis, a qualquer momento e em qualquer lugar; disponibilização de método conveniente e rápido para que os doadores realizem suas doações; reforço da comunicação e da visibilidade da causa da entidade, juntamente com os outros canais de comunicação; e página de doação com design limpo e com facilidade de visualização em qualquer tamanho de tela.

Ao mesmo tempo em que há uma série de pontos positivos para as organizações, também existem vários pontos que devem ser observados. Em primeiro lugar, a entidade social deve ter muito claro o motivo pelo qual ela está buscando o desenvolvimento de um aplicativo. “Essa deve ser a primeira preocupação, uma vez que dela decorrem os demais pontos, como custo, tecnologia disponível e tempo de implantação”, alerta Cacuro. “O que temos sugerido é o desenvolvimento de um protótipo com algumas funcionalidades pontuais e com custo enxuto, para ter a certeza da viabilidade do que se pretende, para ter a garantia de que o projeto realmente faz sentido. Só então, depois de validada a ideia do aplicativo, sugerimos o investimento mais robusto em desenvolvimento”, ele completa.

Shidartha Rosa, da bhbit, elenca alguns pontos que devem ser levados em consideração:

 

  • Acesso via dispositivos mobile: o monitoramento do percentual de acesso ao site da entidade originado a partir de dispositivos móveis pode ser feito com o auxílio de ferramentas como o Google Analytics.
  • Desenvolvimento de site responsivo: essa medida deve ser tomada antes de se começar a investir em aplicativos. Sem um bom site, com facilidade de acesso e com informações completas e sempre atualizadas, a chance de um aplicativo obter bom desempenho e gerar o retorno necessário à instituição torna-se baixa. Para saber se o site da entidade é compatível com os dispositivos mobile, é possível realizar um teste no link Mobile Friendly, do Google (http://j.mp/GoogleMobFriendly).
  • Design limpo: sempre dê preferência a um design limpo na página de doações, com botões “Doar” facilmente acessíveis, se possível no topo e no final da página, e com integração com gateways de pagamentos.
  • E-mails compatíveis: todos os e-mails enviados (sejam newsletters, informativos, pedidos de doação) devem ser testados em dispositivos mobile.
  • Blog ativo: é muito importante que a organização mantenha um blog ativo. Quanto maior for a frequência de publicações de conteúdos de qualidade, maior serão as chances de o site ser encontrado pelas ferramentas de busca.
  • Redes sociais: dê preferência às notícias positivas. O índice de “curtidas” e compartilhamentos tende ser sempre muito maior para esse tipo de informação.

Quem Já Aderiu

 

O número de entidades sociais interessadas em aderir aos aplicativos vem aumentando continuamente, conforme comentaram os especialistas. Bons exemplos de ONGs que já utilizam essa ferramenta são: Associação de Apoio à Criança Deficiente (AACD), Abrigo Reviver, Instituto Ayrton Senna e Casa de Zezinho.

Os aplicativos contam com funcionalidades como doação de nota fiscal ou por cartão de crédito, campo para parceria e detalhes sobre os projetos.

Outro exemplo interessante de uso dessa ferramenta foi posto em prática pelo Instituto Filantropia no primeiro semestre de 2015. Anualmente, o Instituto promove o Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE). Para a edição deste ano, o IF inovou e desenvolveu um aplicativo para os participantes, no qual era possível conferir a agenda de palestras, receber avisos importantes (como programação cultural e noturna), visualizar o mapa do evento, ver as fotos postadas no Instagram com a hashtag do evento e enviar mensagens à secretaria. “O aplicativo foi uma inovação interessante para o FIFE, pois gerou mais interatividade entre os participantes e a equipe de organização. Além disso, foi importante para que as pessoas pudessem se localizar no evento”, diz Thaís Iannarelli, diretora-executiva do IF.

 

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