Sonho de entidade modelo

Por: Revista Filantropia
01 Julho 2002 - 00h00
O CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola - é uma instituição sem fins lucrativos, fundada há mais de 38 anos e que vem se dedicando na colocação de estudantes do ensino profissionalizante e superior e, após a nova L.D.B. – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, também estudantes do ensino médio maiores de 16 anos, para estagiar em empresas.Quando a presidência do Conselho de Administração assumiu o controle, juntamente com o Superintendente Executivo, foi criado um modelo moderno de gestão da instituição estabelecendo algumas metas no planejamento estratégico para, assim, criar um modelo de instituição nova, atual e moderna.Esse modelo (itens relacionados) serve, adequando-o à realidade de cada instituição, para qualquer tipo de administração no Terceiro setor. Com essas estratégias, estaremos construindo um novo modelo de instituição que poderá ter uma longa e eficiente vida.
Profissionalização da gestão
Não existe lugar para amadores na gestão de uma instituição sem fins lucrativos que queira crescer. Voluntários sim, são bem-vindos para diversas funções não-gerenciais. Inclusive empresas de head-hunters devem ser procuradas. Devemos constituir uma diretoria executiva competente, recebendo salários de mercado (na função), na qual tais diretores profissionais deverão estar sempre participando de cursos e palestras nas áreas que atuam.
Marketing e divulgação
No nosso entender, a velha máxima de que “o que a mão direita faz, a esquerda não deve ficar sabendo”, aliás, citação bíblica, não se aplica às entidades filantrópicas e assistências sem fins lucrativos. Faça e divulgue, pois as boas ações são incentivadoras para terceiros. No CIEE, ativamos a Revista Agitação, na qual contamos muita coisa sobre educação (nosso maior foco), assistência social e filantropia em geral. São 60 mil exemplares distribuídos bimestralmente às empresas, instituições de ensino e órgãos públicos ligados às nossas imunidades e isenções tributárias, a fim de que vejam o que estamos fazendo. Este ano, por exemplo, remetemos junto com a Revista Agitação, o relatório anual de nossas atividades.
Programas com maior visibilidade assistencial
Apesar do estágio ser um programa de assistência social, conforme prescreve a Constituição, sentimos que precisávamos fazer mais e, assim, criamos o programa de alfabetização de adultos, pois não se pode falar em cidadania com tantos brasileiros analfabetos. Para tanto, fizemos parcerias com a Igreja Católica e empresas que queiram alfabetizar seus empregados. Criamos também o programa de colocação de deficientes físico, mental, auditivo e visual para fazerem estágios e trabalharem, programa este que cresce substancialmente, pois as empresas estão mais sensibilizadas pela questão.Esses são alguns exemplos do CIEE. Pense em sua instituição e molde outros trabalhos que dêem maior amplitude assistencial.Com isso, pode-se mostrar ao CNAS e aos órgãos públicos que analisam nossas imunidades e isenções, o que está se fazendo em assistência social efetiva em vários campos, sem fugir do foco.
Obtenção de recursos próprios
Um grande número de entidades sem fins lucrativos não possuem receitas próprias e vivem de doações e favores. Assim, no CIEE, como nós não recebemos nenhuma receita ou doação do Governo, tivemos de incrementar nossas ações, tendo como mira as empresas, pois são elas que pagam ao CIEE uma contribuição institucional pelos serviços prestados - seleção do estudante, capacitação, acompanhamento do estágio, fiscalização nas faculdades e escolas. Ou seja, o CIEE é um facilitador também para a empresa, no cumprimento integral da Lei do Estágio.Aliás, a criação da Associação Brasileira de Captadores de Recursos para Instituições sem Fins Lucrativos mostra que há necessidade de profissionalização para captar recursos. Acreditamos que as empresas são sensíveis a doações e projetos sociais, porém tem de existir um “projeto correto”.
Transparência nas contas da instituição
Apesar de entidades sem fins lucrativos não precisarem de auditoria externa (as fundações necessitam), o CIEE dentro de um programa de modernidade e transparência (fatos relevantes para os órgãos públicos), vem há muitos anos utilizando de auditoria externa em suas contas contábeis-fiscais.
Rodízio dos diretores institucionais
Não eternizar funções. O CIEE alterou seu estatuto a fim de que o presidente do Conselho de Administração – cargo mais elevado da instituição - e os vice-presidentes só possam ser reeleitos uma vez. A expressão “o time que vai bem não se muda” só funciona no futebol. Deve haver mudanças na gestão institucional, a fim de se criar novas lideranças. É obvio que na diretoria executiva, os profissionais, quando necessário, também devem ser trocados. A prática mostra que a eternização de presidentes em instituições é mais negativa do que positiva, pois fica a imagem de “dono da entidade”.
Envolvimento político
Jamais o CIEE se envolveu em política. Não apoiamos nenhum candidato e, ao mesmo tempo, apoiamos todos. Não deixamos que nossos conselheiros, e mesmo os executivos, usem o CIEE como lançamento político ou escada para obtenção de favores. Neste momento, estamos acompanhando de perto os quatro principais presidenciáveis, embora cada conselheiro tenha sua preferência. Os políticos não-apoiados pela instituição poderão, se eleitos, prejudicarem a instituição. Os políticos passam, a instituição fica.
Relacionamento com o Governo
Como o CIEE necessita dos atestados de imunidade - CNAS, Receita Federal, prefeituras - procuramos saber quem é quem em cada função e, assim sendo, mandamos a eles relatórios, informações, convites para visitarem a entidade e ministrarem palestras sobre assuntos relevantes. Realizamos também visitas periódicas e tentamos fazer parcerias de divulgação nas áreas de educação e assistência social, acreditando na parceria governo-instituição.
Paixão
Não existe Terceiro Setor sem paixão. Juntamente com os sonhos são os grandes motores da filantropia. No CIEE, procuramos estimular a paixão de nossos conselheiros e funcionários por meio de palestras, livros, cerimônias de formatura dos participantes do programa de Alfabetização de Adultos, programas dos deficientes, visitas às entidades que prestam assistência social de alto envolvimento e campanhas de prevenção às drogas, entre outros.
Conselheiros
A participação de pessoas das várias áreas (empresários, professores, educadores, reitores, profissionais liberais, mulheres - estas quase nunca foram convidadas para participar do conselho) é de suma relevância, pois dá maior representatividade à instituição, faz melhor divulgação da entidade. Nos estatutos deve estar claro que os conselheiros não terão responsabilidade pessoal por quaisquer débitos da entidade.
Aplicações financeiras
As entidades devem possuir reservas financeiras para quaisquer emergências, porém não podem e não devem ser “colecionadoras de dinheiro”. Se existem reservas substanciais, comprem sede própria, pois imóvel é sempre imóvel e “dinheiro na mão é vendaval”. O CIEE comprou sua sede própria e possui atualmente patrimônio imobiliário relevante, reduzindo seus gastos com aluguéis. Estamos agora com um projeto já aprovado, de construirmos um Espaço Cultural CIEE (com um auditório para 500 lugares) para realização de nossos eventos e aluguel nos fins de semana para peças teatrais.
Estratégia do momento
Além de todas as estratégias citadas anteriormente que reputamos como sendo as responsáveis pelo sucesso do CIEE e o bom momento em que vive, acreditamos que faltava um “algo a mais” que podemos chamar de “pressão”, no bom sentido da palavra. Para suprir isso, há três anos criamos o CIEE-Nacional, com sede em Brasília.Dentro do processo de nacionalização do CIEE, foram dadas autonomias a oito CIEEs estaduais, pois acreditamos que quando o CIEE é estadual, o envolvimento na comunidade é bem maior e o aumento de estagiários, bem como dos programas sociais aumenta substancialmente. Assim sendo, os oito CIEEs juntos, formaram o CIEE-Nacional, que tem função não-operacional, mas institucional e de efetiva representação. Sua manutenção não é cara, pois apenas alugamos local em Brasília com um gerente e secretária e, com isso, “estamos pertos de tudo” que acontece em âmbitos governamental e político que possam atingir o CIEE e seus objetivos e propósitos. A pressão, se feita corretamente, é altamente salutar, pois apenas estamos defendendo o que é correto, o que é bom para os jovens e para a assistência social em geral. Essa pressão também tem de ser exercida nas empresas e nos empresários, universidades, faculdades, escolas, jornais e televisão, órgãos públicos.Nós também somos pressionados pela sociedade, a fim de que aumentemos nossos programas sociais. As pressões feitas são sempre muito bem aceitas, vez que não estamos pedindo nada para nós mesmos, mas sim para quem precisa.
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