Renovando energias para o futuro

Por: Thaís Iannarelli
01 Março 2007 - 00h00

nchentes, secas, furacões, terremotos, tsunamis. Nos últimos tempos, notícias sobre desastres ambientais como estes, que afetam as vidas de milhares de pessoas, estão ficando mais freqüentes. Mudanças no clima, o efeito estufa e o aquecimento global são as principais causas para a desestruturação do planeta.

A conscientização global sobre o problema começa a aparecer com o surgimento de tratados e acordos entre países, que pretendem diminuir a emissão de gases na atmosfera. Porém, foi a ação do próprio homem que deu início a tais mudanças ambientais. De acordo com a teoria do geólogo marinho William Ruddiman, da Universidade de Virgínia, há cerca de 10.000 anos, com o início da agricultura, já houve um aumento nas concentrações de gás carbônico (CO2). Depois, o desmatamento para cultivo e habitação e o nascimento da máquina a vapor e da indústria também fizeram com que mais gás carbônico fosse lançado. Para o estudioso, sem a atuação humana, a esta altura, o planeta estaria voltando à era glacial.

Porém, os excessos levaram a dados alarmantes: após analisar uma coluna de gelo de 2.000 metros na Antártida, onde ficaram amostras do ar ao longo da história, verificou-se que nunca houve mais gás carbônico na atmosfera que nos últimos 650 mil anos; o nível de CO2 hoje é 27% maior que o pico registrado há dezenas de milhares de anos, e a quantidade de metano aumentou 130%. De acordo com dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, até o final deste século, a temperatura do planeta deve aumentar 2,6%, e o nível dos oceanos subirá entre 15 cm e 1 m.

A maior parte da população ainda não tem consciência do que está acontecendo com o planeta e a vida presente na biosfera, afetada pelas mudanças climáticas, diz Augustin Woelz, responsável pela tecnologia e administração da ONG Sociedade do Sol, que busca diminuir o consumo de energia com a produção de aquecedores solares de baixo custo.

Solução nos biocombustíveis?

O Brasil pode criar novas tecnologias que ficarão disponíveis para outros países, disse o presidente George W. Bush em visita ao Brasil, no início de março deste ano. As novas tecnologias citadas por ele são os biocombustíveis ou, mais especificamente, o etanol.
Bush e Lula assinaram um acordo com o objetivo de investir no etanol e diminuir a utilização e dependência do petróleo. De 2005 para 2006 as exportações de etanol do Brasil para os Estados Unidos passaram de US$ 765 milhões para US$ 1,6 bilhão, e, junto com a China, África do Sul, Índia e União Européia, foi criado o Fórum Internacional sobre Biocombustíveis.

Para o jornalista André Trigueiro, professor, criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ e autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação, abriu-se uma perspectiva de o Brasil vir a ser um parceiro estratégico dos Estados Unidos no fornecimento de álcool e tecnologia. Para mim, o grande mérito dessa visita foi discutirmos amplamente as vantagens e os problemas inerentes à expansão dos canaviais em um país onde os bóias-frias ainda são explorados, os impactos ambientais dessa atividade ainda existem e os usineiros acumulam poder sem uma regulação eficiente do Estado, sendo chamados de heróis nacionais pelo presidente da República. Em resumo: temos uma oportunidade interessante de ajudar o mundo a usar em escala um combustível mais limpo, mas precisamos realizar esse movimento com atenção e cuidado, explica.

O Brasil é o maior produtor do mundo – possui 5,6 milhões de hectares para o cultivo de cana-de-açúcar, que produzem 18 bilhões de litros de etanol ao ano. De acordo com um estudo feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o país tem capacidade para substituir 10% da gasolina do mundo, se multiplicasse sua produção anual de etanol por sete. Até 2010, a meta é aumentar a produção em 8 bilhões de litros, e, a produção de cana de açúcar, que hoje atinge 425 milhões de toneladas, deve chegar a 685 milhões em 2012.

Porém, tanto aumento na produção já gera críticas, porque a plantação de cana-de-açúcar no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ocupa 7,4 milhões de hectares – cresceu 125% no último ano. Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace, defende a produção do álcool, mas com limites. É preciso haver parâmetros de sustentabilidade, como o uso de terras agriculturáveis para o plantio, o respeito da fronteira agrícola de produção de alimentos, o uso racional da água e o não-uso de agrotóxicos e substâncias poluentes nas lavouras. O uso do etanol fora desses parâmetros pode implicar em uma série de malefícios ao ambiente, como desmatamento de vegetação nativa e o aumento de queimadas para a colheita de cana. Entendemos também que a produção do etanol, ainda que traga uma série de vantagens ambientais, não representa por si só a solução para a redução de emissão de gases de efeito estufa, explica.

Outro biocombustível que é utilizado é o biodiesel (mistura de óleo de origem vegetal com etanol), criado pelo brasileiro Expedito Parente nos anos 70. A previsão é que, em 2007, o Brasil consuma 840 milhões de litros de biodiesel. Para isso, o país já está à procura de espécies alternativas à soja ou ao girassol para produzir o biocombustível, como o pinhão-manso, rícino, óleo de palma e sebo bovino.

Os biocombustíveis ou a agroenergia podem reduzir drasticamente as emissões globais de CO2, mas a produção de etanol e de oleaginosas para o uso disseminado de álcool e biodiesel não podem justificar novos graves impactos sobre o meio ambiente. Uma coisa não justifica a outra. Temos conhecimento e tecnologia para fazer tudo isso de maneira sustentável, reduzindo ao máximo os impactos. O problema é que nem todo mundo está realmente preocupado com isso, comenta André Trigueiro.

Iniciativas responsáveis

Um exemplo da mudança no uso dos combustíveis é a parceria entre a Ericsson, a GSM Association e a Idea Cellular, que aplicam o biodiesel como fonte alternativa de energia em redes sem fio nas áreas rurais da Índia. A primeira fase do projeto testou a utilização de sementes de plantas não-comestíveis (algodão e jatropha), e, na segunda fase, será produzido o biodiesel, que vai gerar energia suficiente para colocar em funcionamento de cinco a dez estações rádio-base na região de Maharashtra. Esta parceria tem como principal objetivo reduzir os custos da rede e aumentar a confiabilidade pelo uso de uma fonte combustível mais segura e limpa, assim como tornar a comunicação móvel mais acessível para o usuário final. Além disso, a idéia ajuda as operadoras a solucionarem um problema de longo prazo, que é o fornecimento de energia esgotável (como o petróleo), especialmente para áreas remotas ou com dificuldade de comunicação com redes elétricas, explica Bert Nordberg, vice-presidente mundial de Vendas e Marketing da Ericsson.

De acordo com a empresa, os benefícios dessa fonte alternativa de energia se dividem em três características:

1. Socioeconômico (microcomunidade)

Estimula diretamente a economia local, abrindo novos postos
de trabalho;

Benefícios / bem-estar indiretos criados pelo efeito que o acesso à comunicação traz para uma comunidade;

Extensão da cobertura e da base de assinantes para áreas previamente fora da rede de força.

2. Econômico (custo total de posse reduzido)

O biodiesel é um combustível de queima mais limpo, que resulta em: extensão do tempo de vida dos geradores, devido à alta lubrificação do biodiesel; aumento do apoio, uma vez que requer menos visitas de manutenção; logística reduzida pela metade, uma vez que o combustível é produzido próximo à estação base; diminuição da dependência nos preços dos combustíveis fósseis.

3. Ambiental

Biocombustíveis são biodegradáveis e não-tóxicos e têm emissões significantemente menores do que os combustíveis à base de petróleo. Por exemplo, emissões de CO2 são reduzidas em 78% com os combustíveis mais limpos.

Outra iniciativa é o Programa 3S, da Sadia, que tem como objetivo desenvolver projetos com a geração de crédito de carbono por meio dos biodigestores implantados nas granjas. A principal vantagem é que o uso do biodigestor ajuda a reduzir consideravelmente a emissão do gás metano, que é gerado pelos dejetos dos suínos. Com os biodigestores, os gases poluentes são transformados em gás carbônico, que é 21 vezes mais limpo que o metano. Além disso, possibilita a comercialização do crédito de carbono, e o uso do sistema biodigestor pode incrementar a renda do produtor, oferecendo subprodutos como estoque de biofertilizantes para uso agrícola, biogás para utilização como energia elétrica ou gás de cozinha, explica Meire Ferreira, diretora executiva do Instituto Sadia.

A suinocultura é considerada pelos órgãos ambientais como de grande potencial poluidor, já que a carga orgânica poluidora dos dejetos suínos é 25 vezes maior que a do esgoto humano. Por isso, o objetivo do Programa 3S é aumentar a sustentabilidade das granjas. O projeto piloto da Sadia, que foi o motivador do Programa 3S, foi aprovado pelo Executive Board da Organização das Nações Unidas que trabalha em benefício das mudanças climáticas do mundo, e teve reconhecimento no Brasil com o Prêmio Brasil Ambiental, na categoria Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da Câmara Americana de Comércio em 2004, complementa Meire.

Mercado e seqüestro do carbono

As emissões do carbono (CO2) correspondem a 55% do total de emissões mundiais dos gases do efeito estufa – é o gás que mais contribui para o aquecimento global. Uma vez lançado na atmosfera, permanece
lá por 100 anos.

Com o intuito de diminuir essas emissões, países desenvolvidos e indústrias criaram o mercado e o seqüestro do carbono. Dessa maneira, as empresas investem no seqüestro do carbono, que é capturado e mantido pela vegetação em níveis seguros, no solo, dando lugar à comercialização de créditos de carbono. Este conceito foi melhor desenvolvido na Conferência de Kyoto, em 1997.

Foram criados três mecanismos de flexibilização em relação ao mercado do carbono:

Comércio de emissões: Dois países do Anexo 1 (desenvolvidos), sujeitos a metas de redução nas emissões, fazem um acordo – um país pode vender o excesso de suas reduções para outro país que não tenha alcançado sua meta;

Implementação conjunta: Também entre os países do Anexo 1, quando um país implementa projetos para reduzir emissões em outro país, onde os custos sejam mais baixos;

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): Países do Anexo 1 podem realizar projetos que ajudem a redução das emissões dos países em desenvolvimento. Isso geraria créditos de redução para os países do Anexo 1.

Em São Paulo, uma iniciativa diferenciada deu origem à primeira empresa carbono zero da América Latina. É a agência de publicidade Nova S/B, que conseguiu neutralizar todo o carbono que emite ao plantar árvores para compensação. A empresa calculou a quantidade de gases do efeito estufa que emitia por funcionário e, para compensar, plantou 385 árvores.

O Brasil deve priorizar, no combate ao aquecimento global, formas mais eficientes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, promovendo o uso de energia limpa, de economia de energia por meio de aparelhos eficientes e de práticas racionais no uso de transportes. Enquanto grande emissor mundial de dióxido de carbono por conta do desmatamento da Amazônia, o país deve priorizar a promoção do reflorestamento e da certificação da madeira e biocombustíveis, além de monitorar todas as ações e práticas sustentáveis sugeridas, explica Ricardo Baitelo.

Alternativas

Para André Trigueiro, o Brasil ainda não resolveu problemas básicos, como a destinação correta do lixo e do esgoto, a exploração sustentável dos recursos naturais da Amazônia, a implantação de mecanismos de controle mais rígidos em relação ao uso da água nas irrigações, mais investimentos em energia renovável, entre outras questões que permanecem pendentes. Porém, algumas iniciativas já procuram mudar este quadro.

O desperdício de energia elétrica e água também é um fator a ser considerado na questão do meio ambiente. A energia elétrica, que não pode ser armazenada, precisa ser produzida no momento em que será utilizada. De acordo com o Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica (Procel), o crescimento do consumo é constante – entre 3 e 5% ao ano.

A ONG Sociedade do Sol, por exemplo, foi fundada em 2001 com o objetivo de criar um aquecedor solar que pudesse ser instalado em qualquer lar nacional. Estive em um congresso de energia solar fotovoltaica em Lisboa, Portugal, em 1991, e ficou claro que o mundo considerava que o Brasil tinha a obrigação de tomar uma atitude em relação à energia, graças à incrível estrutura disponibilizada pela natureza do país, conta Augustin Woelz. Assim, na ECO 92, no Rio de Janeiro, surgiu a idéia de um aquecedor solar de baixo custo.

Conhecido como ASBC, o aquecedor traz muitas vantagens. Primeiro, reduz muito os custos de energia elétrica no lar; aumenta a auto-estima e orgulho da família que conseguiu montar o seu aquecedor, passando a ser um gerador de energia; universaliza o uso do aquecedor solar no Brasil, o que geraria uma redução da demanda nacional de energia em aproximadamente 9%; reduz o pico noturno de consumo de energia; reduz o impacto social do ‘gato’, presente na periferia das grandes cidades, explica Augustin. Além disso, ajuda a redução da emissão de CO2 – 3,5 aquecedores solares correspondem à economia da emissão de carbono de um veículo particular.

O fato de a água ser a maior produtora de energia e também uma fonte esgotável nem sempre é lembrado pela população que desperdiça tal bem. Mas o Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), que trabalha para a conservação e reuso da água, busca conscientizar e diminuir o consumo, especialmente das indústrias. Elas nos procuram para resolver problemas relativos à água, seja para reduzir seu consumo ou para adequar seu efluente para lançar nos corpos receptores de acordo com as leis de descarte, explica Maurício Costa Cabral da Silva, engenheiro civil responsável pelos estudos e projetos no Cirra.

O primeiro passo é analisar o processo produtivo da empresa com o objetivo de identificar usos inadequados da água. Verificamos as possibilidades de reduzir o consumo apenas com medidas de otimização do uso da água, pois muitas empresas são antigas e seus hábitos de consumo nos processos não foram atualizados com o tempo. Assim, há pouca preocupação com o desperdício, e, muitas vezes, existem equipamentos mais modernos que fariam a mesma função, com menor consumo de água, conta Maurício.

Iniciativas como esta são de extrema importância para o futuro do planeta. Mesmo assim, a falta da água já é um problema muito grave. Em muitos países da África a disponibilidade por habitante é de 500 m3/ano, bem abaixo do valor recomendado pela ONU, que é de 2.000 m3/ano. Isso sem considerar que muitas pessoas têm dificuldades de acesso à água e precisam caminhar muito para consegui-la, complementa o engenheiro.

A situação tende a se agravar. A previsão é que daqui a 25 anos dois terços da população mundial esteja sem água potável. Ainda assim, Maurício acredita que, com a tecnologia certa e ações de reformulação na maneira de usar a água, há como impedir o avanço da crise. Se, por exemplo, nas áreas rurais fosse utilizada água de reuso para irrigação, e nas indústrias também, já seria um progresso, pois são locais que concentram muita água. Além disso, há os sistemas de membranas de osmose reversa, que são capazes de dessalinizar a água.

Medidas para amenizar o problema

A preocupação com o meio ambiente está na moda atualmente, mas o assunto veio ao conhecimento público a partir da ECO 92, no Rio de Janeiro. Estratégias estabelecidas neste evento para a redução dos gases do efeito estufa foram modificadas e viabilizadas em 1997, no Protocolo de Kyoto, considerado a primeira tentativa internacional para mudar o quadro do aquecimento global.

O Protocolo foi o resultado da 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que reuniu 166 países para discutir o tema. Os países que assinaram o documento se comprometeram a reduzir a emissão de gases poluentes em 5,2% até 2012 em relação aos níveis de 1990, e devem colocar em prática esses planos entre 2008 e 2012. Os países do Anexo 1, desenvolvidos, são obrigados a reduzir suas emissões, enquanto os países em desenvolvimento, como a China e o Brasil, podem participar, mas não têm obrigações.

A intenção é que essa redução aconteça em várias atividades econômicas, com cooperação entre os países e outras ações, como a reforma dos setores de energia e transportes, uso de energias renováveis, limitação de emissões de metano e proteção de florestas. Estima-se que, se houver sucesso, até 2100 a temperatura global reduzirá entre 1,4 ºC e 5,8 ºC. Até hoje, os Estados Unidos se recusam a assinar o documento, alegando que isso prejudicaria a economia do país.

Responsabilidade de cada um

Consciência: sistema de valores morais que funciona, mais ou menos integradamente, na aprovação ou desaprovação das condutas; conjunto de idéias, atitudes, crenças de um grupo de indivíduos, relativamente ao que têm em comum ou ao mundo que os cerca. Esta é a definição do dicionário para essa palavra. A questão é: será que a população tem consciência do tamanho do problema ambiental do planeta?

Para Ricardo Baitelo, sim. Os problemas são cada vez mais visíveis em diferentes regiões do Brasil, em casos de estiagens e secas em zonas agrícolas, inundações em grandes metrópoles, ocorrência de furacões e aumento do nível do mar em zonas costeiras. No entanto, a maneira com que a sociedade pode evitar tais efeitos climáticos ainda carece de disseminação de instrução, explica.

Informação ambiental é assunto de todos, complementa André Trigueiro. Não há melhor maneira de levar a informação, ela deve circular por todos os poros da sociedade fomentando uma nova atitude em relação à vida e ao modelo de desenvolvimento que seja justo e sustentável. Mas é inegável que os avanços acontecem mais rapidamente onde a educação é eficiente. Não há nada mais poderoso do que um professor bem informado e estimulado em uma escola ou universidade onde os alunos são instigados a construir um novo mundo.

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