Paulo Ricardo

Por: Thaís Iannarelli
01 Novembro 2008 - 00h00

Roqueiro de um dos grupos mais populares e bem-sucedidos dos anos 80, o RPM (sigla para Revoluções por Minuto), Paulo Ricardo de Medeiros marcou sua presença como símbolo do gênero musical e embalou toda uma geração com sucessos como Olhar 43, Rádio Pirata, Alvorada Voraz e London London. A banda, que se desfez em 1988, vendeu mais de 3 milhões de discos durante sua existência.

Carioca, nascido no bairro da Urca, Paulo Ricardo também cursou jornalismo e já trabalhou como correspondente em uma revista de música. Porém, sua aptidão para a música falou mais alto. Após o fim da banda, o cantor iniciou carreira solo com um estilo mais voltado para o romântico, até que, em 2002, reuniu o RPM por mais um ano e lançou um CD e DVD ao vivo. Depois do novo fim da banda, em 2004, Paulo Ricardo começou outro grupo, PR.5, com o qual lançou dois álbuns. O último CD que lançou, novamente em carreira solo, leva o nome da primeira banda que montou: Prisma. Em 2008, o RPM se reuniu para lançar um box comemorativo dos 25 anos da banda.

Mesmo com a vida agitada de músico, Paulo Ricardo se engaja no Terceiro Setor fazendo o que mais gosta: leva música a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em entrevista à Revista Filantropia, o cantor conta sobre suas atividades na área.


Revista Filantropia: A que se deve o seu envolvimento na área social?
Paulo Ricardo: Acho que é dever de todo cidadão fazer alguma coisa para ajudar dentro da sua possibilidade, principalmente em um país tão cheio de contrastes como o Brasil, apesar de tanta coisa bacana e tanta cultura, alegria e vibração. Assim, com o tempo e com a maturidade, vamos percebendo que é muito melhor e mais eficaz fazer do que esperar que alguém faça, participar do que cobrar, e organizar também, a própria sociedade civil, do que esperar de governos que alguma coisa seja feita.

Filantropia: Como começou seu envolvimento com as organizações?
Paulo Ricardo: Tenho sorte de ter alguns amigos e amigas envolvidos com instituições, e por isso sei que estou apoiando projetos idôneos. Às vezes ficamos perdidos entre tantos movimentos. Algumas entidades, por um motivo ou por outro, têm mais acesso à mídia e conseguem mais visibilidade, mas isso não quer dizer que elas sejam mais atuantes. Então acho que a atuação é necessária dentro do que possamos saber que vai realmente ter sucesso concreto. Para mim, mais do que se preocupar com grandes feitos, é importante estar envolvido em pequenas coisas, que sejam palpáveis dentro do seu âmbito, ou seja, não procurar salvar o mundo, mas ir aos poucos, de grão em grão. Tenho a sorte de poder levar música e alegria às instituições. Sei que é algo subjetivo, e eu até adoraria construir casas ou escolas, mas dentro da minha atividade, é muito prazeroso e há um retorno muito emocionante.

Filantropia: Quais são os tipos de ação social que você realiza?
Paulo Ricardo: Uma das coisas que faço é utilizar a visibilidade na mídia para chamar a atenção para alguns projetos. Então, com essa ferramenta maravilhosa que temos hoje, a internet, coloco vídeos e divulgação de entidades no meu blog. Outra maneira de ajudar é fazendo shows nas instituições.

Filantropia: Quais instituições você costuma apoiar?
Paulo Ricardo: São várias, mas uma entidade com a qual já estou envolvido há algum tempo é a Casa Hope, que atende crianças com câncer. Aproximadamente duas vezes por ano fazemos o show da organização, e eu fico muito emocionado de poder estar em contato direto com as crianças. Tem também o Projeto Velho Amigo, que apoio há aproximadamente três anos. Faço o show anual e também algumas apresentações na própria casa, porque acho importante ter o contato com as pessoas envolvidas, sejam elas crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Este ano ainda vou fazer um show para as crianças do Projeto Florescer e também da AACD, o que é uma alegria indescritível, porque, muitas vezes, elas têm mais dificuldade para ir a um evento de grande porte. Atualmente tenho tentado também chamar a atenção para uma organização chamada Doe Vida, que procura facilitar o trâmite da doação de órgãos no Brasil, muito burocratizado e difícil.

Filantropia: E como você entra em contato com essas instituições?
Paulo Ricardo: Acabo tendo contato com as organizações que me procuram, ou com aquelas que tenho a possibilidade de encontrar em programas de TV, então acaba sendo algo mais pessoal. Acho muito bom poder fazer isso, porque você estar ali, fisicamente próximo, participando, é bem diferente de fazer uma doação, por exemplo.

Filantropia: Em sua opinião, como a música e a arte podem beneficiar as pessoas?
Paulo Ricardo: É uma coisa mágica. Na hora em que a música está se manifestando, ela gera um tipo de emoção que cria uma realidade paralela, leva a cabeça e o coração para outro lugar, outra realidade da imaginação e dos sentimentos. A gente pode, de repente, animar ou empolgar uma criança que está vivendo uma época de muitas possibilidades. Muita coisa pode acontecer ainda com uma criança. Então, para ajudar na sua evolução, cantamos hinos eternos, como Imagine, do John Lennon, ou músicas famosas, como Vida Real, da abertura do programa Big Brother Brasil, que fala de superar dificuldades. Além disso, o formato do show, os músicos tocando, é algo diferente. A música em si também tem uma energia especial, a união das palavras com a melodia. Principalmente na linguagem do pop rock, que é muito estimulante, então, considero como uma injeção de ânimo.

Filantropia: Como você analisaria o Terceiro Setor no Brasil?
Paulo Ricardo: Acho que existe muito burocracia. Se você quer fazer alguma doação ou algo do tipo, há tanta burocracia que a pessoa é capaz até de desistir. Por isso prefiro agir de maneira mais institucional. Penso também que deve haver incentivos governamentais e fiscais, planos que estimulem as pessoas de que a ação social seja algo mais prático. Além disso, sinto que falta informação, item fundamental. Muitas vezes as pessoas não sabem o que fazer ou como fazer o voluntariado, por exemplo. Deveria haver mais informação, pelo menos nas estruturas públicas, ou redes de televisão públicas. Eles gastam tanto dinheiro para proclamar os feitos, e nada para orientar.

Filantropia: O que você acha da influência do engajamento de artistas na área social?
Paulo Ricardo: Vivemos atualmente em uma cultura de celebridade, diferente de quando eu comecei, há mais de 20 anos. Ocupa-se muito o espaço da mídia com a vida das pessoas famosas, não em relação ao trabalho, mas ao que elas estão fazendo mesmo. Se isso serve para alguma coisa, deveria ser para jogar o foco em responsabilidade e conteúdo, e não só deixar que caia na futilidade e no comércio. Então acho que alguns programas de fofoca, por exemplo, poderiam usar um pouco desse espaço e disponibilizar para outro foco. Os artistas têm uma visibilidade na mídia e isso vai ser bom, se for usado de maneira generosa, para o bem.

Filantropia: Se você pudesse fazer um pedido para beneficiar o mundo, qual seria?
Paulo Ricardo: Poderia pedir para que não levássemos as coisas ao extremo, se fosse possível resolver todas as questões até o ponto em que não se chegasse à violência, guerra e injustiça com os mais fracos. Além disso, poucas pessoas têm um tanto e tantos não têm absolutamente nada. Então também pediria para acabar com a miséria. Vemos no nosso país tanta miséria, e isso é muito triste.

 

Links
bloglog.globo.com/pauloricardo
www.aacd.org.br
www.doevida.org.br
www.hope.org.br
www.ongflorescer.com.br
www.velhoamigo.org.br

 

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