Quem são os principais agentes de transformação para o Rio de Janeiro?

Por: Revista Filantropia
01 Novembro 2010 - 00h00

A discussão nacional sobre a resolução das complexas questões presentes na estrutura social brasileira e o seu desenvolvimento em bases sustentáveis tem destacado, entre outras noções, as de corresponsabilidade e complementaridade entre as ações realizadas pelos diversos setores atuantes no campo social.

No caso da cidade do Rio de Janeiro e sua conquista para sediar as Olimpíadas de 2016, faz-se necessário que os agentes de transformação atuem de forma ativa, pois isso representa desenvolvimento para a cidade e para o país, com a transformação social, esportiva, urbana e econômica e, consequentemente, a geração de saldos positivos em todo o Brasil.

A pesquisa Cidades e Mudanças Climáticas, de autoria da Market Analysis em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), ouviu o público em geral para avaliar quem são os principais agentes de transformação nos quais os cariocas confiam e o que esperam de cada um.

Quando questionados sobre o nível de confiança (em uma escala de 0 a 100) em algumas das instituições do Rio de Janeiro, no sentido de atuarem em benefício da cidade e da maioria dos cariocas, a mídia e a imprensa local apareceram na primeira posição, com 55 pontos, seguidas pelas ONGs, com 54 pontos, empresas nacionais do Rio, com 52 pontos, e multinacionais do Rio, com 48 pontos. O governo estadual aparece na quinta posição, com 45 pontos e, na última, a prefeitura, com 44.

Os dados da pesquisa fortalecem a noção dos meios de comunicação como o quarto poder – o papel do jornalista como agente conciliador, gerador e modificador de contextos mediante seu potencial de transformação, que pode criar melhorias para a sociedade.

É fundamental analisar o grau de confiança dos cariocas em relação aos diferentes agentes sociais (governo, empresas, indivíduos e ONGs) e estabelecer a sua relação com alguns dos principais problemas socioambientais enfrentados atualmente, levando-se em consideração os quesitos credibilidade e responsabilidade para definir qual papel deve ser desempenhado por cada agente.

Quem deveria ser responsável pela resolução dos problemas que o Rio de Janeiro enfrenta? Quem tem credibilidade para resolvê-los?

O governo é visto como o grande protagonista da sociedade em busca de soluções para os problemas socioambientais. Apenas em relação às mudanças climáticas e ao lixo e sujeira nas ruas, os indivíduos são vistos como mais responsáveis. Mesmo nesses problemas, o governo é o agente de maior credibilidade para encontrar a solução.

As empresas são protagonistas na resolução principalmente das questões associadas à energia e blecautes, além do abastecimento de água. Também possuem responsabilidade e elevada credibilidade na resolução das questões dos transportes, da poluição ambiental e das mudanças climáticas. Nas últimas décadas, sobretudo em 1990, assiste-se à proliferação de ações de empresas privadas para a resolução de problemas sociais e relativos à infraestrutura urbana das cidades, o que, até muito recentemente, era de responsabilidade da administração pública municipal.

As ONGs são consideradas autoridade na resolução das mudanças climáticas, da poluição ambiental, do aumento do poder das multinacionais e na melhoria da educação. Isso revela sua importância, já que, para os cariocas, as mudanças climáticas são um problema real e mais da metade da população está alarmada com a questão. A grande maioria acredita que são necessárias medidas urgentes no combate ao aquecimento global. Apesar de não possuírem responsabilidade elevada, têm credibilidade para atuar na diminuição da violência.

Os cariocas pensam que os indivíduos são protagonistas na busca por soluções para as mudanças climáticas, poluição ambiental e questão do lixo. Há, assim, uma percepção de maior responsabilização individual a partir da ideia de que cada cidadão pode fazer mais quando se trata de temas ambientais.

A educação ambiental é fundamental na resolução desses problemas, pois incentiva os cidadãos a conhecerem e fazerem sua parte: evitar desperdício de água, luz e consumos desnecessários (reduzir, reusar e reciclar), fazer coleta seletiva, adquirir produtos de empresas preocupadas com o meio ambiente, cobrar para que autoridades competentes apliquem a lei, tratem o lixo e o esgoto de forma correta, protejam áreas naturais, façam um planejamento da utilização do solo, incentivem a reciclagem, entre outros.

 

Fonte

Estudo Cidades e Mudanças Climáticas, parceria entre a Market Analysis e o CEBDS. Amostra total de 299 entrevistas realizadas por telefone no período entre 26 de março e 15 de abril de 2010.
Público geral: adultos de 18 a 69 anos, pertencentes às classes A, B e C, residentes no município do Rio de Janeiro, com algum nível de informação sobre os temas abordados no estudo. Amostra: 258 entrevistas.
Público especializado: pessoas com altos cargos de gestão ou relações institucionais, jornalistas ou editores e acadêmicos que lidam diretamente com temas de sustentabilidade. Amostra: 41 entrevistas.

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