Protagonismo Pela Comunicação

Por: Carolina Stella, Fabiano Viana
18 Abril 2017 - 00h00

Empoderamento de todos os envolvidos

Quem conta o que acontece nas ruas? Quem fala de quem vive na rua nos meios de comunicação? Quem pode dizer, da melhor forma, quem sou eu a não ser eu mesmo? Tomamos nas mãos nossas histórias, vivências e, deste lugar que pode ser ocupado por nós, criamos narrativas únicas e múltiplas sobre quem somos e da melhor maneira que podemos: vindo de nós, de dentro.

Essas e outras reflexões aconteceram durante o caminhar do curso "Comunicando realidades", resultado de uma parceria da Faculdade PAULUS de Tecnologia e Comunicação (Fapcom)/ Núcleo Paulus com a Rede Rua.

A seguir, apresentamos alguns relatos e algumas das biografias1 de participantes da oficina: pessoas usuárias da rede de serviços socioassistenciais, estudantes da Fapcom e assistentes sociais.

  • "Gostei é da coragem que estou tendo para escrever. Fazia tempo que não escrevia nada. Quero continuar escrevendo e cada vez com mais qualidade." – José Sávio Coelho
  • "Quero voltar a produzir, criar e apresentar, atuar diretamente na defesa dos direitos humanos e mostrar a realidade das ruas." – Cleofas Borges
  • "Planejo continuar os estudos. Não parar!" – Marco Eduardo
  • "Obtive um olhar crítico para os meios de comunicação. Como assistente social, notei que a autoestima dos conviventes que acompanho está muito boa." – Jamille Lopes Silva
  • "Aprendi muita coisa importante. Estou sentindo que muitas coisas estão mudando em mim." – Altemar Barboza
  • "Os encontros ofereceram experiências inéditas, pois não tinha a menor noção sobre comunicação." – Fábio do Nascimento
  • "O que mais gostei foi a possibilidade de fluir, me expressar com criatividade, sem medo, vergonha ou cobranças impossíveis. Conquistei autonomia, autoafirmação e confiança em mim e na vida." – Antonio Dias
  • "O conteúdo é ótimo, leva à reflexão. Cada pessoa tem muitas qualidades e muito a ensinar. Abriu meus olhos para inúmeras questões da população de rua." – Danilo Jesus da Silva
  • "Gostei do companheirismo e da amizade no grupo. Fiquei mais comunicativo." – Kellyson Lino Ferreira
  • "Gostei da troca contagiante e do conteúdo. Me sinto mais viva e vou utilizar todo o conteúdo na minha vida pessoal e profissional." – Neide Vita
  • "Maravilhoso! Fazer novas amizades, aprimorar conhecimentos! Comecei a ter novas ideias e a me sentir mais forte." – José França
  • "Descobri que é bom ter esperança, que mudar é preciso e, no final, os sonhos acontecem. Vou buscar ainda mais conhecimento." – Fradique Santos
  • "Vou agora propagar mais as realidades dos movimentos de rua do Brasil." – Benedito José de Deus
  • "Gostei muito da criação das matérias e de fazer entrevistas." – Das Neves
  • "Possibilitou que a comunicação exercitasse plenamente seu papel de empoderamento social." – Alberto Nascimento

1 - Minha Biografia é Uma Carta Para Minha Querida Mamãe

José Sávio Coelho

Em primeiro lugar, eu peço a Deus que tudo esteja a mil maravilhas e que esteja tudo bem com a senhora, minhas irmãs, meus irmãos e meus sobrinhos. O fi m desta carta é dar-lhes algumas notícias e tranquilizá-la.

A senhora sabe muito bem que não adianta ficar chorando o leite derramado, pois não foi assim que foi passado para mim, minhas irmãs e meus irmãos.

Ao fazer uma comparação da minha vida com uma maratona, corrida longa de 42.195 km, hoje eu estaria no km 33. Faltam 9.195 km para completar a prova. Não levando em conta o que pode acontecer. Como aconteceu com o nosso brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima em 2004, na Olimpíada da Grécia. Aquele trapalhão intruso desmancha prazer entrou na sua frente e o agarrou, mas, mesmo assim, ele ganhou a medalha. Eu tenho que me preparar para isso!

Mamãe, não tenho exemplos melhores do que vocês. Só Deus e eu sabemos das dificuldades que passamos, mas faz parte da vida. Muitas foram as vezes, nos momentos difíceis que passei e passo até hoje, que procuro sempre fazer e pensar em muitas das coisas que a senhora me dizia. Só que hoje procuro colocar em prática.

Até parece que a senhora já sabia que tudo isso iria acontecer. Vou terminar desejando que Deus proteja vocês. Beijos do seu filho amado.

2 - Palavras De Um Sobrevivente Da Rua

José França

A vida, , em todos os meus dias, surpreende, com alegria ou tristeza.

Pode até parecer loucura falar, mas foi morando na rua que comecei a dar valor à vida.

Comecei a observar o que estava ao meu redor. Vivendo no presente foi que enxerguei o passado. Porém, tinha tudo o que precisava, mas não sabia do que necessitava.

O meu sonho era só meu. E, nas lutas, lutava só por mim. Era independente no país da independência! Mas, na rua, na tristeza, não ficamos sós. E, na alegria, dividimos com todas e todos. Aprendi que a essência do amor e a razão das lutas é a conquista pela força de todas e todos.

Já não recebo o dia de Deus para viver, mas sim para sobreviver.

Porque na esperança lutamos e, nas conquistas, vem a vitória.

E, na vitória, a realização do nosso sonho.

3 - Não Serei O Mesmo Amanhã

Fradique Santos

Saí do meu interior e de tudo ao redor
Não pensava ser melhor.
Talvez fingisse ser surdo,
Às vezes fi cava mudo
Buscava por meio dos estudos
Algo que não fosse pior.
Nas aulas sequentes,
Vi coisas diferentes
Nada para mim anormal
Falávamos de políticas,
De outras que eram públicas
E comunicação social.
Câmeras, fotografias,
Falávamos de biografias
Do mundo bilateral.
Ao me ver sem importância,
Na minha ignorância.
Fiquei nos meus devaneios,
Nas minhas pequenas lembranças.
Mas logo fui aprendendo
Que posso ir muito além.
Ainda estou a quem
Repetindo o ditado
Que dizia minha mãe.
Acertando ou errando,
Sempre buscando o saber.
Nem que os anos passem,
Sempre terei o que dizer.

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