Embaixadora da paz

Por: Instituto Filantropia
21 Março 2020 - 00h00

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Uma das nações que mais registram homicídios (30.864 de janeiro a setembro de 2019) e mortes no trânsito (em torno de 540 mil entre 2009 e o segundo semestre do ano passado), o Brasil precisa, urgentemente, encontrar um caminho para criar uma cultura de paz. Este processo visa combater ações e atitudes que, de algum modo, coloquem em risco a segurança e a tranquilidade das pessoas.

A exemplo de outros papéis que já representou na carreira de atriz, a ativista Maria Paula Fidalgo aceitou mais este desafio, e desde 2015, quando fundou a ONG Uma Gota no Oceano, tem doado tempo e aplicado suas habilidades como psicóloga para descobrir como ajudar a pacificar a sociedade.

Conhecida por fazer parte da primeira geração de VJs da MTV Brasil, nos anos 1990, e por apresentar o humorístico Casseta & Planeta – com o qual colaborou até 2010 –, esta brasiliense de 49 anos atua também em defesa de populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além de estimular o debate em torno das mudanças climáticas e do uso de matrizes alternativas de energia.

Nomeada embaixadora da paz pelo governo do Distrito Federal e detentora de láureas como a Medalha de Honra “Amigos da Escola”, concedida pelo mesmo ente público, a ativista participa de várias ações que promovem a cultura de paz, entre as quais o incentivo ao aleitamento materno.

Já visitou, por exemplo, o presídio de Bangu, no Rio de Janeiro, onde conversou com detentas em período de lactação. Paralelamente, também realiza treinamentos com policiais e agentes penitenciários, explicando a eles a importância do tratamento diferenciado a esta parcela da população carcerária.

Tamanha dedicação resultou em sua escolha como madrinha do “Mil Mães Amamentando”, iniciativa da Ibfan Brasil – Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar - (International Baby Food Action Network), realizada em novembro do ano passado nos jardins do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio.

“A amamentação é vital para a saúde da criança ao longo de toda a sua vida. Mas é um aprendizado diário, cansativo, às vezes, doloroso. Ajudar a construir uma rede de apoio para esse momento especial é fundamental”, afirma Maria Paula, que fará parte do time de palestrantes do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica, marcado para Florianópolis (SC), entre os dias 14 e 17 de abril.

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Revista Filantropia: Quando você se envolveu com ativismo socioambiental, como iniciou sua caminhada e por que decidiu abraçar esta causa?

Maria Paula Fidalgo: Minha transformação de artista em ativista aconteceu quando me tornei mãe da Maria Luiza, hoje com 15 anos. Na ocasião, o Ministério na Saúde me colocou em rede nacional preconizando o aleitamento exclusivo nos primeiros seis meses de vida do bebê. No entanto, o Ministério do Trabalho não garantia os seis meses de licença maternidade para as brasileiras. Parti, então, para uma campanha interna com o objetivo de mudar a lei. Quando conseguimos, entendi que poderia usar a credibilidade da minha imagem para causas importantes. Foi assim que nasceu a Maria Paula ativista!

RF: Com surgiu a ideia de fundar a ONG Uma Gota no Oceano e como conseguiu engajar tantas celebridades?

Maria Paula: A ONG nasceu da necessidade de difundir, para o grande público, informações científicas relevantes sobre as mudanças climáticas. Assim, engajamos artistas de modo a ampliar a conscientização da população sobre temas urgentes como alteração de matriz energética, preservação de florestas, cuidados com os oceanos e os rios e, principalmente, oferecendo apoio às populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, que há 500 anos vêm sendo vítimas de atrocidades.

RF: Quais são as estratégias de atuação da entidade?

Maria Paula: Nossa organização atua em apoio a movimentos e organizações sociais, construindo estratégias de comunicação para ampliar a empatia e solidariedade ativa da sociedade com causas socioambientais. Identificamos oportunidades e estabelecemos pontes entre lideranças, organizações, formadores de opinião e a grande imprensa, ampliando a discussão de temas relevantes para a construção de um futuro mais consciente, justo e sustentável. Nossa principal ferramenta é a informação consistente e independente. Esta é nossa matéria-prima para apresentar novas abordagens, em diferentes perspectivas, gerando reflexão em relação às causas em que atuamos.

RF: Como a graduação em psicologia e o mestrado na área de psicologia social te ajudaram a entender melhor e a enfrentar os problemas contra os quais você luta?

Maria Paula: A minha formação em psicologia e o meu mestrado em desenvolvimento humano pela Universidade de Brasília me ajudam imensamente na hora de unir argumentação consistente ao acesso enorme que eu tenho às pessoas. Por causa da minha credibilidade de imagem, as pessoas prestam mais atenção ao que tenho a dizer. Ser famosa pelo trabalho de humorista na Rede Globo abre portas, mas ser uma pesquisadora da psique humana me ajuda com o conteúdo da minha mensagem. Falar bobagem em capa de revista de fofoca nunca foi meu foco. Por isso, me preparei tanto, e agora como embaixadora da paz posso realizar este trabalho com total desenvoltura.

RF: Como é o seu trabalho como embaixadora da paz?

Maria Paula: Este é um trabalho motivador. Acordo todo dia de manhã numa alegria! Poder sair para trabalhar com uma missão tão importante, nesse momento em que a gente está passando, falar para as pessoas sobre essa mensagem de paz, que a gente precisa fazer o que for possível para sair desse lugar do conflito e de sofrimento, é uma honra e também uma grande responsabilidade. Meu trabalho como embaixadora da paz é trazer à tona a consciência de que é preciso acolher uns aos outros, independentemente das crenças, das diferenças, sem julgamento.

RF: O que é necessário, por exemplo, para incentivar uma cultura de paz no Brasil?

Maria Paula: Proponho a criação de uma rede de apoio, que pode reunir não apenas vítimas, mas, também, agressores. No fundo, seria um grande exercício de empatia e resiliência. Geralmente, os agressores são pessoas que passaram por muita dificuldade, sofreram algum tipo de violência na infância e juventude, já foram vítimas. São ciclos que se perpetuam e o nosso papel é interferir, mudar o rumo da história, possibilitar essa transformação.

RF: Neste âmbito de cultivar a cultura de paz, que tipo de trabalho é feito, por exemplo, com os jovens?

Maria Paula: Acredito no poder de ação e transformação dos jovens. Eles são capazes, sim, de fazer a diferença no mundo. Uma das atividades que realizamos chama-se “Herói da Vizinhança”. Se você está andando na rua, encontra com duas pessoas brigando e não faz nada, você se torna cúmplice. Mas quando você interfere, você se torna um herói. A diferença está na ação. E é isso que eu busco mostrar para os jovens.

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RF: O que é o projeto Embaixada da Paz, cuja sede fica no Jardim Botânico de Brasília?

Maria Paula: O objetivo do projeto é ser um ponto de convergência, em que várias ONGs, institutos, fundações e pessoas possam se unir e trabalhar pelo bem coletivo. De um lado, há muita gente em casa que quer fazer alguma coisa e não sabe como. Do outro lado, há aquela instituição fazendo coisas incríveis e precisando de voluntários. A gente faz essa ponte.

Somos parceiros do Instituto ThetaHealing Brasil, que oferece cursos voltados para o aprimoramento humano por meio do trabalho de cura e consciência. Na sede do Instituto, no Rio de Janeiro, coordenamos conjuntamente um ambulatório gratuito para atender, semanalmente, à população carente. Este é um modelo que pretendemos replicar a partir de parceria com outras ONGs e instituições.

RF: Como embaixadora da paz, como você acompanha questões ligadas à facilitação, a uma parcela considerável da população, de maior acesso a armas?

Maria Paula: É preocupante. Em 2019, por exemplo, fizemos um grande movimento chamado “Para virar o jogo”, realizado no Circo Voador, no Rio, onde falamos sobre a importância do desarmamento. Sou a favor do desarmamento em todos os níveis, inclusive até já fiz palestra sobre desarmamento nuclear na embaixada do Cazaquistão. Prego o desarmamento amplo e irrestrito, também para pessoas com armas em casa. Me posiciono sempre por adotar atitudes pacíficas e pacificadoras.

RF: A interlocução, em todos os processos em que você se envolve, é sempre necessária, certo?

Maria Paula: A ideia é continuamente buscar uma interlocução para criar pontos de convergência nas discussões entre as duas partes, por exemplo, entre a Funai e os índios, que historicamente têm relações bastante conturbadas. Pretendo sempre me colocar como agente neutro, tentando dar subsídios para que ambos os lados encontrem um ponto de convergência de ideias e resolvam as suas diferenças.

RF: Todo este seu trabalho certamente deixará um importante legado para os seus filhos e para as próximas gerações, certo?

Maria Paula: Sim, este é o meu legado. Quero que meus filhos saibam que têm uma mãe de fibra, que se coloca diariamente em favor das boas práticas. E eles já estão se tornando ativistas, me acompanham e presenciam diariamente meu engajamento com as causas mais inspiradoras desse mundo.

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