Programas de geração de renda

Por: Revista Filantropia
01 Janeiro 2008 - 00h00
“Aexperiência de geração de renda em comunidades menos favorecidas economicamente é capaz de transformar a realidade local. A melhoria financeira traz benefícios diretos para o indivíduo, para a família, para a sociedade, enfim, para todos. E o melhor destes projetos é que eles partem da necessidade da comunidade. Ela é responsável pela transformação”, afirma Fernanda Rocha dos Santos, coordenadora do Centro de Ação Voluntária de Curitiba (CAV).

Desenvolvendo o projeto gerAção em parceria com a Associação Aliança Empreendedora, o CAV promove o trabalho voluntário, em prol do desenvolvimento sustentável e o fomento a grupos de geração de renda. O projeto, selecionado pelo programa de Incentivo à Geração de Renda em Comunidades Populares, do Instituto HSBC Solidariedade, incentiva profissionais do Terceiro Setor, voluntários e microempreendedores a atuar socialmente, buscando aumentar a renda de comunidades de Curitiba e Região Metropolitana.

Em seu primeiro ano, o projeto gerAção será desenvolvido em 11 comunidades com perfil sociocultural diversificado, em sua maioria áreas de invasão, sem infra-estrutura urbana adequada, com a renda per capita da população abaixo de um dólar ao dia, considerado pela ONU como extremamente pobres. Cerca de 40% dos habitantes dessas regiões encontra-se em situação de desemprego, agravado pelo grande contingente de jovens que convivem com a falta de oportunidades, a ausência de políticas públicas e a violência.

Segundo Rodrigo Brito, presidente da Aliança Empreendedora, “os projetos de geração de renda são fundamentais para que as pessoas não precisem esperar ações do governo nem dependam de ajuda assistencial de ONGs”. A união da entidade com o CAV possibilitou uma maior mobilização social, conforme explica Fernanda Rocha: “Unindo o voluntariado à geração de renda, fazemos com que toda comunidade participe com seu próprio desenvolvimento”. O ex-coordenador do Programa dos Voluntários das Nações Unidas, Dirk Hegmanns, concorda com Fernanda: “O envolvimento de voluntários com projetos na comunidade fortalece a integração, a ‘cola social’ dentro desta comunidade. A população local passa a se sentir também ‘dona’ do projeto, a se identificar com ele. O projeto é visto como pertencente à comunidade, e não uma coisa que vem de fora, isto é muito importante para a efetividade das ações”.

Com a elevação da renda familiar e o progresso econômico, outros resultados vêm na esteira, como a diminuição da violência doméstica e a melhoria nas relações de gênero.

Assim, ganham as famílias de um modo geral; os indivíduos participantes – que somam resultados como recuperação da auto-estima e o desenvolvimento do espírito de liderança –; e toda a comunidade, com a melhoria nas condições de habitação, saúde e educação e maior acesso a produtos e serviços.

A sociedade também soma resultados positivos vindos da mobilização social e de voluntários para participação das atividades: fortalecimento dos vínculos com família, escola e comunidade, com a criação de empresas comunitárias (cooperativas e associações), com a redução da violência e a diminuição da evasão e da repetência escolar.

Esses resultados foram apontados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em um estudo realizado em 2002, cujo objetivo era identificar alternativas a serem apropriadas pelos programas de prevenção e eliminação do trabalho infantil doméstico em casa de terceiros. A análise verificou, entre vários projetos de desenvolvidos na América Latina e em outras partes do mundo, as experiências de geração de renda e oferta de recursos financeiros às famílias pobres.

Para Barbina Ferreira Martins, coordenadora do grupo de geração de renda Santo Fuxico, de Curitiba, projetos que desenvolvem economicamente a mulher têm como resultado também o envolvimento dela com a comunidade. “Percebemos que todos estão unidos não apenas para progredir individualmente, mas também para crescer como grupo. Mulheres que antes tinham dificuldades em casa hoje são costureiras, artesãs, recuperaram a dignidade, a auto-estima e se tornaram exemplos para a comunidade”, explica.

Além do envolvimento com geração de renda, as participantes também são voluntárias da Pastoral da Criança. “Ajudamos famílias, crianças de zero a cinco anos e gestantes. Somos líderes comunitárias e percebemos a transformação na vida de toda mundo, a partir da nossa atuação”, diz Barbina.

Resultados de projetos de geração de renda:
1. Melhoria nas condições de habitação, saúde e educação dos filhos dos beneficiários;
2. Geração e manutenção de emprego diretos e indiretos;
3. Microempresas se livraram dos agiotas e atravessadores;
4. Reativação de negócios que se encontravam fechados;
5. Acesso dos jovens ao primeiro emprego;
6. Maior acesso da comunidade carente a produtos e serviços;
7. Mobilização social e de voluntários para participação das atividades;
8. Fortalecimento dos vínculos com família, escola e comunidade;
9. Participação efetiva das famílias e comunidades nas atividades;
10. Criação de empresas comunitárias (cooperativas e associações);
11. Desenvolvimento do espírito de liderança;
12. Melhoria nas relações de gênero;
13. Diminuição da evasão e repetência escolar;
14. Diminuição da violência doméstica;
15. Recuperação a auto-estima;
16. Ação ecumênica entre as famílias; e
17. Elevação do nível de renda familiar.
Fonte: OIT.

Links
www.acaovoluntaria.org.br
www.aliancaempreendedora.org.br

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