Programa estimula investimentos em projetos culturais de jovens

Por: Thaís Iannarelli
28 Janeiro 2015 - 12h58

Jovens de comunidades do Rio de Janeiro apresentarão, até quinta-feira (29), projetos de empreendedorismo na área cultural como parte do Programa Favela Criativa. Organizada pela Secretaria de Estado de Cultura, a feira aproxima jovens de investidores interessados nos projetos apresentados.
O evento contará com uma série de atividades que poderão garantir patrocínios, como opiching, termo que designa a apresentação de projetos para uma plateia de investidores; rodadas de negócios, conversas com consultores, curadores de festivais e programadores de espaços culturais; consultorias e oficinas em gestão cultural.
Também serão oferecidas palestras sobre economia criativa e formação artística. No último dia do evento, a banca formada pela secretaria e pelos patrocinadores anunciarão os projetos que receberão ajuda de custo. Esses trabalhos têm de ser feitos ou por jovens das periferias ou para eles. Entre os 60 inscritos, 40 vão receber R$ 50 mil, cada.
O programa é resultado da parceria entre o Poder Público e a iniciativa privada e conta com recursos de R$ 14 milhões repassados pela secretaria, empresas privadas, Programa de Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O Favela Criativa teve início no ano passado e tem vigência prevista de dois anos. Gerente de Cultura Urbana da secretaria de estado e um dos idealizadores do probrama, Tiago Gomes acredita na possibilidade de a iniciativa se tornar política pública. “Se tiver repercussão, creio que o programa pode se tornar algo permanente. Espero que as gestões futuras da secretaria e do governo entendam que a grande vanguarda da cultura do Rio de Janeiro vem das favelas e isso precisa ser fomentado pelo estado”, disse.
Tiago Gomes destacou que o programa já trouxe impactos no cenário cultural das comunidades, apesar de ter sido criado em junho de 2014. “Temos mais de 4,5 mil jovens atendidos, 3 mil somente no Complexo de Manguinhos, na zona norte. Eles têm acesso a filmes com preços populares, além de oficinas de teatro, música, cinema e redação.”
Gomes disse que o programa tem mostrado que a periferia é “um espaço de criatividade” e de invenção da cidade. Para ele, o Favela Criativa tem contribuído para mudar a imagem das comunidades do Rio, geralmente vinculadas à violência, ao tráfico de drogas e à miséria.
Zeca Novais, produtor cultural de Rio Bonito, concorre aos prêmios com o projeto Lona na Lua. “Há cinco anos, fazemos oficinas artísticas e acompanhamento pedagógico com cerca de 200 jovens em Rio Bonito. Pretendemos ampliar para regiões vizinhas se vencermos o concurso. Esse é o único equipamento cultural do município, lá não tem teatro ou cinema, então, nosso trabalho é muito importante para democratização do acesso à cultura para a população de lá”, relatou.
O cantor Samuel Roco também concorre aos prêmios oferecidos pelo programa. Ele concorre com um CD com canções que misturam diversos ritmos brasileiros agregados ao funk. “Trazemos uma proposta musical inovadora. Sabemos o quanto é difícil captar recursos com ofunk, ainda existe muito preconceito. Queremos mostrar que é possível gerar um produto de qualidade, comercial e que contagia por meio desse estilo musical.”

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