Plantação de cidadãos

Por: Felipe Mello, Roberto Ravagnani
01 Janeiro 2003 - 00h00
“Eduquem-se os meninos e não será preciso castigar os homens”. Esse pensamento de Pitágoras reflete com muita clareza a missão da Associação Educacional para Adolescentes e Crianças, o Cepac, organização social sem fins lucrativos criada para agregar valor ao processo de formação dos futuros cidadãos e protagonistas sociais, contribuindo para a melhoria da perspectiva de vida do atendido e de seus familiares. A parcela da juventude atendida pelo Cepac encontra-se no Parque Imperial, um bairro carente situado no município de Barueri, há alguns quilômetros da Capital de São Paulo.

Desde 1993, ano de fundação da organização, já foram atendidos 1.485 crianças e adolescentes carentes, os quais participaram dos programas educacionais oferecidos pelo Cepac. Não há dúvidas de que o trabalho desenvolvido proporcionou mudanças profundas e perenes nos seres humanos em questão. Educar, para não precisar castigar. Mais uma vez recorremos ao pensamento para salientar que, dentro de uma parcela social calejada pelos castigos diários, a existência de um espaço de ampliação da condição cidadã e humana é muito comemorada, apesar de todos os desafios pertinentes à manutenção de uma entidade assistencial em fase de expansão.

OS NÚMEROS DA SOLIDARIEDADE

  • 85 pessoas envolvidas no trabalho
    do Cepac.

  • 68 voluntários (médicos, dentistas, professores do coral e de xadrez, agentes de saúde, conselho e diretoria).

  • 17 funcionários contratados (coordenadoria geral, professores e administrativo).

  • Em 2001, o Cepac atendia 230 alunos, passando para 300 em 2002.

  • De 1993 a 2001, passaram pelos programas educacionais do Cepac 1.485 crianças e adolescentes carentes.

  • Aquisição de terreno e construção de sede própria, com implantação de horta com sistema irrigatório e maquinário.

  • Construção de consultório médico-odontológico.

Processo necessário e irreversível, o crescimento da capacidade de atendimento do Cepac encontra aliados em sua história e seus personagens, testemunhas de uma tarefa social que vem “fazendo a diferença” na região onde atua, extrapolando o resultado de suas ações para dentro do seio familiar, referência básica para um desenvolvimento pessoal equilibrado. Entre 2001 e 2002, o número de crianças e adolescentes atendidos passou de 230 para 300, representando acréscimo de 30%. Para um trabalho direcionado e adequado, existe uma divisão por idade: o núcleo infantil (7 a 13 anos) e o juvenil (14 a 19 anos), sendo que o primeiro ocupa o período da tarde e o segundo, o período da manhã. Importante ressaltar que somente são aceitos crianças e adolescentes regularmente matriculados nas instituições de ensino público. Mas, afinal, o que faz com que, cada vez mais, as pessoas do Parque Imperial e da região se interessem pelo programa educacional do Cepac?

A resposta fica nítida ao conhecermos as atividades que são preparadas para os atendidos. São oficinas e aulas divididas em módulos compatíveis com a idade e o grau de desenvolvimento de cada um. Para os menores, as oficinas fomentam desde o treino ortográfico e a criação de textos até cursos práticos e teóricos de horticultura e educação ambiental, dentre outros temas pertinentes ao processo de formação de um indivíduo mais preparado e consciente. Para os mais velhos, existem espaços para o exercício da comunicação, formação de opiniões, arte, informática, cidadania e inglês.

“O índice de criminalidade vem baixando ano a ano no bairro Parque Imperial”

Além da grade curricular normal, as atividades suplementares para alunos e pais reforçam a certeza de que o Cepac cumpre um papel decisivo na vida atual e na futura de sua comunidade. Para os alunos, são oferecidas aulas de xadrez, oficinas de redação e coral, além de palestras sobre gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis. Para os pais, existe um curso de cultivo de brotos de feijão e um processo de capacitação de agentes de saúde, oferecendo elementos para os pais complementarem a renda familiar e se tornarem agentes multiplicadores de cidadania dentro de sua comunidade.

SAIBA MAIS

  • Missão: Trabalhar com crianças e adolescentes carentes, além de atender suas famílias, visando melhorar sua realidade.

  • Criação: 1993

  • Em 2002, 400 candidatos
    participaram do processo de seleção, sendo 170 matriculados.

  • Existem 400 crianças e adolescentes, inclusive muitos já aprovados,
    em lista de espera.

  • Núcleo Infantil (7 a 13 anos):
    10 turmas de 15 alunos, à tarde.

  • Núcleo Juvenil (14 a 19 anos):
    10 turmas de 15 alunos, pela manhã.

  • Atividades do Núcleo Infantil:
    oficina de linguagem, artes, informática e de saúde e alimentação.

  • Atividades do Núcleo Juvenil: comunicação, multimeios, artes, informática, cidadania e trabalho e inglês.

  • Atividades suplementares para os alunos: aulas de xadrez, oficina de redação, coral e palestras sobre gravidez indesejada e dst-aids.

  • Atividades suplementares para os pais: curso de cultivo de brotos de feijão e capacitação de agentes de saúde.

O desafio da gestão

Quando se pensa em manutenção de toda essa iniciativa e também na sua ampliação, imediatamente, surgem curiosidades sobre a gestão da organização, uma vez que os resultados indicam que o Cepac é uma referência para outras instituições que desejam ver suas iniciativas fortalecidas e rendendo novos frutos. Dois assuntos cruciais vêm logo à mente: recursos humanos e recursos financeiros. Como o Cepac lida com esses dois fatores de sucesso – ou fracasso – dentro de seus domínios?

Comecemos pelo capital humano, engrenagem indispensável para o alcance dos objetivos sociais. O Cepac possui um amplo programa de voluntários, contando com, aproximadamente, 70 pessoas que atuam em diversas especialidades: médicos, dentistas, professores do coral e de xadrez e agentes de saúde, além do conselho e da diretoria, que não são remunerados. Os voluntários representam 80% dos recursos humanos da organização, existindo um acompanhamento próximo e constante por parte da coordenação geral das atividades dos voluntários, visando manter o grupo motivado e coeso. Explicitar, freqüentemente, para o trabalhador voluntário que ele é decisivo para o sucesso da organização cria o necessário sentimento de propriedade e comprometimento com a causa.

Com relação aos recursos financeiros, observa-se a preocupação do Cepac na diversificação das fontes, evitando a dependência completa ou muito significativa de recurso A ou B. Não cansamos de repetir que essas estratégia e preocupação são muito importantes para a sobrevivência das iniciativas. Assim, recursos são obtidos com empresas e fundações, governos municipal e estadual, associados e outras fontes. Vale ressaltar que o Cepac exercita muito a sua rede de relacionamentos, buscando sempre novos canais de potenciais financiadores de seus projetos, inclusive na esfera internacional. Para tanto, busca fundações e organismos que tenham afinidade com sua causa, tendo já conquistado bons frutos para a organização.

Ainda dentro da gestão de recursos da instituição, um passo importante foi dado para colocar em prática a transparência em utilização: desde março de 2002, foi implantada uma auditoria externa das contas do Cepac, realizada de forma gratuita pela Deloitte Touche Tohmatsu, uma das empresas mais respeitadas do mundo nessa área. Mais um ponto para a gestão da organização, que abre suas contas para a completa verificação, fornecendo aos seus apoiadores e colaboradores a confiança para tocar o barco adiante.

Eficiência endossada

Os resultados alcançados pela eficiente gestão do Cepac podem ser percebidos em três depoimentos, os quais representam com muita propriedade o processo de transformação social que a organização social vem desenvolvendo. Uma das mães afirma que “esse trabalho está sendo fundamental para construir um melhor caráter em nossos filhos, deixando-os mais seguros, mais comunicativos, mais instruídos e preparados para a grande concorrência do mundo!”. Uma outra constatação importante vem da polícia local comunitária: “O índice de criminalidade vem baixando ano a ano neste bairro. Não sabemos precisar com exatidão o motivo, mas atribuo grande parte ao trabalho que o Cepac vem desenvolvendo, tirando, das ruas, crianças e adolescentes, dando-lhes condição para interagir na sociedade”.

E, como não poderia deixar de ser, buscamos as palavras de um aluno de 17 anos: “Meu sonho é ter um bom emprego e cantar. Para isso, eu preciso ter um alicerce e isso eu encontro aqui, no Cepac”. São revelações que indicam os resultados que um trabalho social realizado com afeto, dedicação e profissionalismo pode gerar dentro da comunidade em que atua, especialmente quando os objetivos sociais estão alinhados com as necessidades das pessoas de seu entorno.

Fortalecer o alicerce dos futuros cidadãos, educando, para não ter de castigar. Quem sabe o resultado que essa iniciativa multiplicada por tantas outras pode gerar? É certo que o método do castigo não vem se mostrando adequado há mais de 500 anos, somente no Brasil. Assim, toda iniciativa que aposta, honesta e emocionalmente, na inversão do foco de tratamento merece ser reconhecida e utilizada como referência.

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