Perspectivas na área de captação de recursos

Por: Thaís Iannarelli
21 Junho 2013 - 21h32

Bob Carter, diretor da Association of Fundraising Professionals, fala sobre este cenário no mundo e as tendências para o futuro

Quando o assunto é captação de recursos, muitos concordam que, em termos de profissionalização, países da Europa e os Estados Unidos estão à frente e têm muitos anos de experiência no setor. Por estes e outros motivos, Bob Carter, diretor da Association of Fundraising Professionals (AFP), foi convidado para palestrar no FLAC 2013 – Festival ABCR, que aconteceu entre os dias 23 e 25 de abril de 2013.
Carter tem décadas de experiência em captação de recursos, incluindo uma carreira de 26 anos na Ketchum, uma das maiores empresas da área, sendo 15 deste total como presidente. Antes de começar na Ketchum, em 1981, atuou em muitas posições de liderança e captação de recursos para a Catholic University of America, The Johns Hopkins University e Gilman School. Até o final de 2014 à frente da AFP, seu papel é levar temas da área social para o governo e também focar na internacionalização da profissão do captador. Em entrevista à Revista Filantropia, Bob fala sobre o cenário do fundraising e as expectativas para o futuro.
Revista Filantropia: Como você analisa o cenário da captação de recursos nos Estados Unidos e no Brasil?
Bob Carter: Temos um ponto muito importante em comum, que é o bom coração das pessoas. Vemos muitas coisas boas acontecerem, ajudamos nossos vizinhos quando há necessidade, estendemos a mão ao próximo. Algumas das diferenças são políticas, já que os Estados Unidos foram fundados com base no princípio das liberdades individuais e em alguns outros governos, como ouvi algumas pessoas dizerem aqui hoje (durante o FLAC), não é tão fácil escolher. Você precisa de uma permissão para qualificar uma organização, por exemplo. Esta é a principal diferença que vejo.
RF: Então nos EUA o governo oferece mais subsídios para a criação e manutenção das organizações?
BC: Atualmente, o clima político nos Estados Unidos está mais oposicionista do que nunca em relação ao setor sem fins lucrativos, como chamamos aqui. Isso porque as excelentes melhorias que tivemos em termos de doações, incluindo deduções de impostos, estão sendo atacadas para que o governo possa ter mais receita para balancear seus orçamentos. Em alguns casos, os políticos não entendem as consequências disso, que poderão ser as pessoas sem acesso aos serviços disponibilizados pelas organizações exigindo isso do governo, que tende a crescer mais e mais, diminuindo as liberdades individuais.
RF: Qual é o impacto do aumento da renda do brasileiro no trabalho do captador de recursos?
BC: O principal impacto é que as pessoas com riqueza significativa no Brasil estão começando a doar mais, e o crescimento da classe média possibilita que ela tenha mais renda disponível. Ou seja, o foco do trabalho deve ser no indivíduo.
RF: Qual é o futuro da área social, sob seu ponto de vista?
BC: Pensando globalmente, o futuro da filantropia pode ir por dois caminhos. Um deles é a doação individual, porque são as pessoas que controlam os sistemas monetários no mundo todo, ou seja, são elas que controlam a riqueza. O outro caminho é que empresas com cunho de responsabilidade social passem a fazer parcerias com instituições que já existem, e a apoiá-las, ao invés de criar seus próprios projetos e organizações. E se puder citar ainda um terceiro caminho, que também envolve indivíduos, é importante melhorar as oportunidades que as famílias têm de deixar seus legados para as instituições de sua escolha. Isso é comum nos Estados Unidos, mas nem tanto em outras partes do mundo, onde os cidadãos preferem passar os legados e heranças para a próxima geração. Se houvesse incentivo para isso, provavelmente haveria mais geração de recurso dessa forma.
RF: Em sua opinião, como analisa a situação do Brasil em termos de profissionalização do Terceiro Setor?
BC: O Brasil está adiantado em relação a outras partes da América do Sul. Talvez o México esteja à frente, e isso se deve em parte à sua conexão geográfica com os EUA, ou seja, o país é muito influenciado pelas práticas de negócios e filantrópicas norte-americanas. Também existem dois pontos: um deles é o aumento no número de pessoas do segundo setor migrando para o mundo social, e trazendo consigo sua experiência e, com ela, práticas de marketing e planejamento de negócios. O outro item é que justamente quando essas empresas passam a ser parceiras das ONGs também passam a levar experiências empresariais, já que emprestam suas marcas ao nome da instituição. Então a empresa não doa só dinheiro, mas ajuda na profissionalização e na eficiência da gestão.
RF: Qual você considera que seja o papel de um evento como este, o FLAC?
BC: Tem um papel importante, porque às vezes você se sente sozinho em sua instituição, mas aqui percebe que muitas pessoas têm o mesmo problema, e algumas o administram de maneiras que você não havia pensado antes, e isso é um benefício real. Além disso, eventos assim mostram às pessoas que este é um setor em crescimento. Veja só, temos aqui 500 pessoas reunidas para falar de captação de recursos. Acho que o Brasil também está chegando ao ponto de premiar e reconhecer modelos de ação na área social, e isso é muito positivo.
RF: Quais são suas expectativas em relação ao novo cargo na AFP?
BC: Bem, no momento estou envolvido com as políticas públicas, ou seja, a política do governo norte-americano. Estivemos em diversas reuniões na Casa Branca, com a equipe da presidência, e também com os membros do Comitê de Finanças, e trabalhamos para manter as deduções de impostos para as instituições e para ter uma conversa mais ampla com o governo para que este possa também apoiar o setor sem fins lucrativos, doando recursos. Nossa intenção é informá-los também, porque, sinceramente, não creio que o governo tenha plena consciência do que é este setor. Outra questão é a internacionalização da profissão do captador de recursos. Eu já trabalhei na Europa, no México, nos Estados Unidos e no Canadá, e precisamos ter uma compreensão global da riqueza, da filantropia e das necessidades de forma geral.

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