Pela causa dos bichos

Por: Valeuska de Vassimon
01 Maio 2008 - 00h00

Cuidar de um bicho não representa apenas uma boa ação. Há muito tempo isso se tornou um trabalho sério e de impacto no mundo todo, envolvendo entidades comprometidas com o bem-estar dos animais e a conscientização das pessoas sobre a causa.

Uma das principais ONGs a atuar no setor é a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), com 900 afiliadas em 153 países. Criada em 1981 para combater a caça de focas e baleias e o transporte internacional de animais, a entidade atua por meio de trabalhos de campo, campanhas, projetos legislativos, cursos e programas de treinamento.

“O trabalho legislativo é uma peça-chave, pois muitas melhorias para os animais só irão acontecer com o cumprimento de leis. Por isso, procuramos melhorar a legislação animal existente e auxiliamos na criação de novas regras”, afirma Bernardo Torrico, gerente de comunicação da WSPA Brasil.

Recentemente, a entidade firmou um acordo de cooperação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para ministrar um treinamento a fiscais federais e funcionários de frigoríficos sobre as boas práticas no manejo pré-abate dos animais.

Outra medida da organização tem sido o patrocínio a um concurso acadêmico sobre bem-estar animal dirigido a universitários, que fornece como prêmio uma viagem a Londres e à fazenda-modelo da WSPA em Oxford, Inglaterra. “É lá que alunos e professores conhecem as técnicas de criação de animais com alto grau de bem-estar”, conta Bernardo.

Entidades nacionais

Também na luta pela causa dos animais está a Arca Brasil, fundada em 1993 e considerada uma das maiores referências no setor. A entidade é uma das pioneiras a organizar a demanda por alternativas à vivisseção (uso de animais vivos no ensino) e a exigir a implementação de comitês de ética nas instituições de pesquisa.

“A Arca faz o papel de mediador entre os profissionais responsáveis pela promoção da saúde e do bem-estar dos animais, traduzindo o conhecimento técnico em informação para a comunidade leiga. Na outra mão, leva a demanda dos cidadãos comuns aos especialistas”, afirma Marco Ciampi, presidente da organização.

Com ações que envolvem políticas públicas, diversas campanhas e divulgação de informação (o site recebe em média 35 mil visitas por mês), a ONG abriu portas para o diálogo entre governo e veterinários no Programa de Controle de Animais Abandonados, implantado em 1996, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

No projeto, a prefeitura do município cede os medicamentos às clínicas veterinárias, que realizam as castrações a preços viáveis para toda a população. O programa foi reconhecido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e serviu de modelo para iniciativas semelhantes em várias cidades do país.

Ainda em formação e com o intuito de promover a conscientização do público sobre a senciência dos animais (capacidade de fruir sensações como medo ou bem-estar), o Projeto Anajé de Reabilitação de Aves de Rapina, do Rio de Janeiro, também desempenha um papel importante na área.

Em parceria com a ONG Projeto Água, a entidade está criando um centro de reabilitação de aves de rapina que serão preparadas para retornar à natureza. “Muitas dessas aves encontram-se nos setores extras de zoológicos após tratamento veterinário, esperando apenas um treinamento adequado para que possam voltar à vida livre”, conta Aparecida Negreiros, uma das idealizadoras do projeto.

Recursos

O Projeto Anajé, cujo nome significa “gavião” em tupi-guarani, tem enfrentado certa dificuldade na captação de recursos, embora receba apoio de outras ONGs, como o Instituto Pro Bono. A idéia é construir os viveiros das aves e dar início ao processo de reabilitação e soltura em breve.

Já a Arca Brasil conta com um programa de doações de associados e uma linha de produtos à venda on-line, como camisetas, adesivos e livros para garantir a estrutura e continuidade dos trabalhos. Um dos projetos que a ONG deve lançar em breve tratará de animais criados em confinamento para o consumo humano.

WSPA, cuja totalidade das verbas vem de doações privadas, tem investido no desenvolvimento de suas afiliadas para atingir um resultado mais abrangente, devido ao tamanho da organização. Questionado se há alguma espécie de “rixa” entre as entidades gigantes e as menores do setor, Bernardo acredita justamente no oposto. “Há um sentido de colaboração, já que todos têm o mesmo ideal: aliviar o sofrimento dos animais e promover um melhor relacionamento homem-animal.”

Campanhas de peso

As ONGs de proteção animal são bastante conhecidas por meio de suas campanhas – muitas vezes, polêmicas –, que representam uma forma direta e eficaz de atingir o público e alertar as autoridades para a causa animal.

A People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), maior associação defensora de direitos dos animais com cerca de 1,8 milhões de membros no mundo todo, é famosa por suas campanhas radicais contra o uso de casacos de pele, por exemplo. A última ação, lançada nos EUA em dezembro de 2007, traz estrelas de Hollywood nuas em outdoors com a frase: “Pele? Eu prefiro sair nua”.

Já a Renctas, ONG fundada em 1991 com base em Brasília e que lida com o tráfico de animais silvestres, realiza uma grande campanha desde 2004 em parceria com o grupo Itapemirim de transporte. Denominada “Tráfico de Animais: não caia nessa armadilha”, a campanha chama a atenção do público por meio de propagandas que estampam as capas das passagens, outdoors, busdoors, kit-lanches, papéis de bandeja e sacolas de bordo.

Outra campanha de grande apelo é contra a touradas na Espanha, promovida pela WSPA. Foi através dela que uma proposta de lei foi levada ao congresso catalão para pôr fim à prática. A entidade também atua na campanha contra a Farra do Boi, em parceria com as afiliadas da região sul do Brasil e o Ministério Público de Santa Catarina, estimulando a informação e a fiscalização dos eventos no sul do país.

Segundo Torrico, da WSPA, “uma ou outra campanha já recebeu críticas, principalmente de grandes ou pequenos negócios que vivem da exploração animal e que implicam em crueldade contra animais. No entanto, a maioria da população incentiva a medida”.

O presidente da Arca Brasil, Marco Ciampi, aponta a relevância da campanha sobre corte de orelhas, rabos e outras mutilações recentemente proibidas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. Além disso, a entidade lutou pela “consulta popular” do Ibama sobre a venda de animais silvestres em pet shops. Segundo Ciampi, o Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo para o setor. “Agora, o desafio é fazer essas leis serem sempre cumpridas.”

Links
www.acolhe.org.br
www.arcabrasil.org.br
www.peta.org
www.renctas.org.br
www.vimeo.com/443831
www.wspabrasil.org

 

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