Paulo Renato Souza

Por: Elaine Iorio
01 Julho 2005 - 00h00
É difícil desvincular a imagem de Paulo Renato Souza do tema educação. Economista com formação e carreira internacionais, ele ficou nacionalmente conhecido por todas as classes da população entre os anos de 1994 e 2000, quando esteve à frente do Ministério da Educação, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

A preocupação com políticas públicas e projetos em prol da qualidade do ensino permeou toda a sua história profissional. Mesmo nas passagens por órgãos de extrema notoriedade mundial, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas, Paulo Renato sempre manteve forte essa ligação.

Segundo ele, nos últimos 20 anos, a educação se transformou no centro de suas atividades. Referência mais contundente quando se retoma o princípio de sua carreira política, em 1984, ano em que foi convidado pelo então governador de São Paulo, Franco Montoro, a assumir a Secretaria Estadual da Educação. Desde então, como reitor da Universidade de Campinas e ministro da Educação, o professor Paulo Renato não se afasta muito do assunto, principalmente em função das atividades de sua empresa, a Paulo Renato Consultores, que presta assessoria personalizada na área da educação.

No entanto, apesar da importância desse elo em sua vida, ele também se dedica a outras questões, como o posicionamento político de seu partido (PSDB) e os encontros do Conselho Superior de Responsabilidade Social (Consocial), órgão instituído pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Convidado pessoalmente por Paulo Scaf, presidente da entidade, para assumir a presidência, Paulo Renato se diz honrado e disposto a contribuir para o fortalecimento do debate e da consciência da responsabilidade social corporativa.

É o que evidencia em entrevista à Revista Filantropia, na qual comenta suas atuais atividades profissionais e critica duramente a falta de foco das políticas em educação do governo Lula.

Revista Filantropia: Você já trabalhou em importantes instituições internacionais. Comente resumidamente sua carreira.
Paulo Renato Souza: Eu me formei em Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fiz mestrado na área na Universidade do Chile, em 1969. Após concluir o curso, trabalhei na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e, em seguida, fui diretor adjunto do Programa Regional do Emprego para a América Latina e o Caribe (Prealc), da OIT, ambos no Chile.

Ao voltar ao Brasil, em 1978, me vinculei à Unicamp, onde cursei doutorado e me tornei professor titular. Em 1983, comecei a trabalhar com o governador Franco Montoro, em São Paulo. Em seu governo, fui sucessivamente presidente da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) e, depois, secretário de Educação durante dois anos.

Em 1986, fui indicado o primeiro da lista para a reitoria da Unicamp, onde permaneci por quatro anos. Depois disso, em 1990, trabalhei para o BID[em Washington] e lá fi quei por quatro anos como gerente de operações – o terceiro cargo na hierarquia do órgão. Voltei ao Brasil para coordenar a campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e logo em seguida me tornei ministro da Educação. Desde 2003, organizo um escritório de consultoria na área de educação.

Filantropia: O seu ingresso na área política aconteceu, então, no governo Montoro?
PRS: A minha primeira atividade política foi, na verdade, uma passagem na Unicamp, como presidente da Associação dos Docentes da universidade [a Adunicamp]. Depois, no governo Montoro, aí sim me tornei presidente da Codesp e secretário de Educação.

Filantropia: Quais eram suas ambições e ideologias no início da carreira política?
PRS: Não mudei muito em termos de ideologias. Obviamente o mundo muda, nossa visão sobre os acontecimentos também, mas acho que meus princípios são os mesmos: preocupação com o progresso social do Brasil e com a ética na vida pública, e uma orientação geral pelo crescimento do país e das pessoas, ou seja, responsabilidade pública. Isso foi o que sempre guiou o meu trabalho.

Filantropia: O senhor almejava ocupar um cargo de grande visibilidade, tinha idéia aonde poderia chegar na esfera pública?
PRS: Nem esperava me transformar em secretário estadual da Educação. Quando comecei a trabalhar com o governador Montoro, nunca havia trabalhado com educação, então não esperava me transformar em secretário naquele momento, e depois como reitor também. As circunstâncias foram abrindo caminhos e eu trilhei cada momento nessa busca de prestar serviços públicos, galgando essas posições.

Filantropia: Em relação aos oito anos em que o senhor comandou a pasta da Educação, na sua opinião, quais as maiores conquistas e derrotas?
PRS: Os anos no Ministério foram um período extremamente gratificante para mim e de muito mais realizações que frustrações. O mais importante foi, certamente, alcançar a universalização do ensino fundamental, com a aprovação do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). Além disso, todos os indicadores educacionais do país melhoraram naquele período, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. Também produzimos a mentalidade de avaliação do sistema educacional brasileiro.

Filantropia: Que seria o antigo Provão?
PRS: O Provão foi só uma parte disso. Teve também a avaliação do ensino básico, o Saebe [Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica] e o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. Não havia na educação brasileira a idéia de avaliação. O sistema de avaliação foi, com certeza, a expansão que houve no ensino superior, além da melhoria da qualidade no conjunto do sistema que os dados mostram muito claramente. Acredito que minha única frustração foi não ter completado a reforma do ensino superior. No geral, porém, nós cumprimos com folga todas as metas propostas. Ou seja, fizemos muito mais do que eu esperava no começo.

Filantropia: De modo geral, o senhor considera positiva a atuação do governo Lula na área da educação?
PRS: Acho que tem acertos e erros. A minha crítica principal ao governo Lula na área da educação é a falta de rumo. No primeiro ano, com o ministro Cristóvão Buarque, o presidente Lula deu ênfase à alfabetização de adultos. Já com o ministro Tarso Genro, a prioridade está sendo o ensino superior.

Agora, vamos para o terceiro governo em menos de três anos de gestão, com o terceiro ministro [Fernando Haddad]. Parece que o presidente não se afastou da tradição brasileira de manter um ministro por menos de um ano. Eu acho isso lamentável. Na área de educação, especialmente, é muito importante você fixar rumos e ter continuidade.

Contudo, é claro que também há acertos. Eu considero o Prouni um acerto, como também a manutenção do Enem, por exemplo, e da TV Escola – vários programas que foram iniciados [na minha gestão] e que não foram interrompidos. Mas, infelizmente, muitos projetos foram finalizados, como o programa de treinamento de professores [Parâmetros em Ação].

Filantropia: Se o senhor ainda fosse o responsável, qual seria sua atitude?
PRS: Teria mantido a prioridade evidente no ensino básico, com a universalização do acesso à educação média e à pré-escola.

Filantropia: Por trás de seu histórico envolvimento com a área da educação, haveria uma convicção apaixonada sobre a importância da educação para o desenvolvimento do país?
PRS: Com certeza. Eu entrei na área de educação circunstancialmente, por um convite do governador Montoro. Antes, eu nunca havia trabalhado com essa questão. A minha área de especialização era economia do trabalho (questões trabalhistas, emprego, salário etc.). Porém, nos últimos 20 anos, a educação se transformou no centro das minhas atividades.

Filantropia: Quais os objetivos do Consocial?
PRS: São dois objetivos principais. Difundir entre os empresários a noção da responsabilidade social, que tem três dimensões: o cumprimento das obrigações sociais da empresa; a melhoria da comunidade poliempresa; e a melhoria da sociedade em geral. Nas três dimensões, o Conselho tem como missão debater o tema e difundir experiências que possam estimular os empresários. O segundo objetivo é discutir assuntos sociais brasileiros – como educação, saúde etc. –, sob o ponto de vista das políticas públicas.

Filantropia: Nos primeiros encontros do Conselho, o foco foram as questões trabalhistas. Quais os próximos temas a serem discutidos?
PRS: Uma das idéias é discutir a reforma universitária proposta pelo governo. Mas pretendemos discutir ainda outros temas, como a experiência da cidade de São Paulo em relação às Parcerias Público-Privadas (PPP) na área social.

Filantropia: Qual a sua visão sobre o crescimento da responsabilidade social nas empresas? Há realmente uma preocupação com o coletivo ou não passa de mais uma jogada de marketing?
PRS: Acredito que possam existir pessoas que estão nesse caminho porque é moda e querem fazer marketing, mas a responsabilidade social é uma tendência mundial. Há um reconhecimento tanto por parte dos governos quanto por parte da sociedade de que as políticas públicas e as ações na área social são responsabilidades de todos, e que pode haver uma relação muito positiva entre as ações públicas e privadas. E as empresas podem certamente contribuir muito com sua experiência técnica de gestão e administração para o desenvolvimento social do país.

Filantropia: Como o governo pode estimular esse processo? Não estão faltando mais leis de incentivo ou mesmo conscientização das corporações?
PRS: É preciso uma atitude ativa do governo para buscar as parcerias. Às vezes, os governos são muito passivos, deixando que os empresários por si só tenham as idéias e busquem as ações de responsabilidade social. Acredito que seja do governo a responsabilidade de liderar o processo, apontar os caminhos e oportunidades, buscar as parcerias e estimular os empresários.

Filantropia: Quais são as suas perspectivas profissionais?
PRS: Do ponto de vista profissional, pretendo continuar na direção da minha empresa, desenvolvendo o trabalho de assessoria para instituições de ensino e para grupos editoriais, além de fundações e entidades do Terceiro Setor, como já estamos fazendo.

Em relação à vida pública, estou considerando me apresentar para as próximas eleições. O cargo vai depender muito do partido, mas a idéia é ser candidato pelo menos para deputado federal. Além disso, sou membro do diretório nacional do PSDB e participo ativamente do debate público.

Filantropia: Como ex-integrante de um governo federal, como o senhor vê a atual crise do PT e do governo Lula?
PRS: Para mim, é uma surpresa muito grande ter havido casos de corrupção dentro do PT. Três fatos me chamaram mais a atenção nesse processo: a dimensão que o problema da corrupção tomou neste governo; o caráter sistemático; e a maneira grosseira como tudo foi feito. Percebe-se que foram cometidos sem nenhum cuidado, por pessoas que se julgavam acima do bem e do mal, que achavam que nunca seriam flagradas. Foi escancarado demais.
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