Paulette Maehara

Por: Daniela Tcherniacowski
01 Novembro 2004 - 00h00

Presidente e Diretora Executiva da Associação de Profissionais de Mobilização de Recursos (Association of Fundraising Professionals – AFP), Paulette Maehara é considerada hoje um dos maiores nomes em mobilização de recursos no mundo.
Sua carreira teve início há cerca de 20 anos, durante uma campanha de voluntários feita boca-a-boca, no Havaí, realizada pela Fundação Dimes de Deficiências de Nascença (March of Dimes Birth Defects Foundation). “O evento teve muito sucesso e descobri que realmente gostava de captar recursos”.
Desde então, ela foi construindo uma formação que combina amplo conhecimento de mobilização de recursos com forte experiência em gerenciamento de associações.
Suas habilidades de liderança foram ressaltadas em 1994 quando o jornal The NonProfit Times nomeou o Projeto Hope (quando ela era vice-presidente de Desenvolvimento) como a organização sem fins lucrativos que mais crescia no país.
Tanto na Fundação de Epilepsia (Epilepsy Foundation) quanto na Cruz Vermelha Americana, ela concluiu, com sucesso, iniciativas que uniram e consolidaram as organizações e seus afiliados, levando a um grande aperfeiçoamento de serviços e atividades.
Com vários anos de atuação prestigiada, Maehara recebeu diversas honras. Em 1994, o trabalho pelo Projeto Hope ganhou o prêmio Melhor Programa de Mala Direta (Best Direct Mail Program) da Associação de Marketing Direto da América.
Mais recentemente, a executiva foi escolhida pelo The NonProfit Times como uma das 50 maiores influências na área da filantropia nos últimos cinco anos (1999-2004).
Em entrevista exclusiva à Revista Filantropia, Paulette Maehara fala dos principais desafios em captação de recursos e destaca o papel dos profissionais brasileiros para a sustentabilidade das organizações sem fins lucrativos do país.
Revista Filantropia: Qual deve ser o perfil de um bom captador de recursos?
Paulette Maehara: Ele deve ser muito otimista, já que ouve a palavra “não” freqüentemente. Geralmente os captadores de recursos são abençoados com excelente habilidade em lidar com as pessoas, capacidade de ouvir e conectar um doador a uma instituição e, no processo, prover ao doador muita satisfação em relação à contribuição. Também precisa ter visão. No caso do Brasil, como a filantropia e a captação de recursos são ainda relativamente novas, os profissionais precisam ter habilidades para conduzir a missão e a visão da organização. Precisam estar inspirados e levar essa inspiração para doadores potenciais e ao público. Eu ainda recomendo fortemente aos captadores e às entidades que tenham um plano estratégico engatilhado: “Qual é a missão? Como a alcançaremos? Do que precisamos? O que podemos oferecer à comunidade? Quais são nossos pontos fortes e fracos?” Um plano não só define seu curso de ações, mas também contribui para a visão. Se as pessoas puderem ver que existe um plano e uma visão, saberão que o trabalho é levado a sério.
Por último, por mais importante que um plano seja, é preciso ser flexível e apto a inovar. É impossível dizer o que vai dar certo e o que não vai. Os captadores precisam estar abertos a novas alternativas. Se não arriscarmos, nunca saberemos do que somos capazes e nunca descobriremos as oportunidades que estão por aí.
Filantropia: Do que um captador de recursos precisa para não perder a confiança dos doadores?
PM: Ser transparente, fazer comunicados sobre a organização freqüentemente, nunca deixar de reconhecer o doador e usar seus fundos nos propósitos para os quais foram doados. A comunicação com o doador é fundamental. Entidades eficazes enviam newsletters ou encontram outras maneiras de se comunicar com os doadores e com o público sobre o que estão fazendo. Para manter um doador fiel, é preciso fazê-lo se sentir parte da organização até porque ele quer saber se está fazendo diferença.
Filantropia: Quais são os principais problemas com ética na área de captação de recursos? Você poderia nos dar exemplos concretos de situações que mostram esses problemas?
PM:
O Código de Princípios Éticos e Padrões de Prática Profissional da AFP
tem 18 princípios que são seguidos pelos nossos profissionais de captação de recursos. É pedido aos 26 mil membros da AFP que renovem a assinatura do código a cada ano. A AFP, por exemplo, exige que seus membros não sejam remunerados de acordo com a porcentagem de dólares levantados. Os membros da AFP também não podem aceitar comissão ou honorários de intermediários pelos serviços. Esses tipos de negociações podem parecer atraentes a princípio, especialmente para entidades menores ou novas, mas, depois de um tempo acabam prejudicando a confiança que o público tem na entidade e cria situações em que indivíduos ganham injustamente.
Filantropia: É possível criar um consenso mundial sobre a forma de pagamento dos captadores de recursos?
PM:
Como foi dito, o Código de Ética da AFP proíbe a remuneração, comissão e honorários de intermediários baseados na porcentagem. Acabamos de concluir a 2ª Conferência Internacional sobre Ética em Amsterdã. Recebemos, juntamente com outras organizações de captação de recursos no Reino Unido e na Austrália, 23 organizações de 23 países do mundo. Um dos objetivos em longo prazo da conferência é a criação do código universal de ética no qual associações de captação podem se inscrever. Concordamos que é possível criar tal código e um grupo de trabalho foi formado para iniciá-lo e apresentá-lo na 3ª conferência em 2005.
Filantropia: Como você vê o Terceiro Setor no Brasil? Quais são os desafios?
PM:
O Terceiro Setor está crescendo no Brasil, assim como em grande parte dos países. Isso porque as necessidades das comunidades do mundo estão superando a habilidade dos governos de ajudar aqueles que precisam. O desafio para o Brasil é aprender como atingir populações locais com a mensagem apropriada. De acordo com minha experiência, a filantropia existe em todos os países, embora talvez não receba esse nome. Os brasileiros são generosos e apóiam o Terceiro Setor. O ponto chave é não impor às pessoas que a filantropia seja organizada, mas perceber como ela pode funcionar por meio de estruturas já existentes, programas e tradições. Cada país desenvolve um estilo diferenciado de filantropia, assim como o Brasil. Não há caminhos certos ou errados. As pessoas precisam se sentir comprometidas com o trabalho da organização e sentir que elas ganham com o resultado. Nesse sentido, as entidades brasileiras precisam experimentar e ver que tipos de apelos, técnicas, métodos e processos se conectam com as pessoas e trazem os melhores retornos.
É importante para as organizações do Terceiro Setor comprometerem os recursos necessários para construir e manter um programa social de longa duração. Entidades podem levar anos para fazer com que seus programas se desenvolvam ao máximo que podem. Por isso, elas precisam deixar claro às pessoas como os fundos serão usados e qual o tempo esperado para o sucesso das ações.
Filantropia: Qual sua opinião sobre os captadores de recursos brasileiros?
PM:
São éticos, têm princípios e trabalham seguindo um código de ética. Isso é fundamental porque os captadores são, normalmente, a primeira pessoa de uma organização que os doadores conhecem, e é por meio desse captador que o doador vê a organização e a causa. Os profissionais de captação de recursos carregam um grande fardo já que são os administradores do crédito do doador. Fico muito impressionada com o profissionalismo que existe no Brasil.
Filantropia: A mídia é um caminho importante para levantar fundos no Brasil, mas nem todas as instituições têm acesso a ela. Qual é sua opinião sobre isso?
PM: A mídia tem um papel muito importante para criar consciência sobre organizações sem fins lucrativos. Aqui na América do Norte, ela é crucial em disseminar mensagens ao público sobre o papel das organizações sem fins lucrativos. Elas precisam se comunicar melhor e educar a mídia sobre o seu papel na comunidade. Procurar a mídia e ser transparente sobre a organização e suas práticas de negócios é uma boa tática e ela será, na maioria dos casos, abraçada pela mídia. Entretanto, muitas organizações novas não devem esperar receber muita exposição, mas se concentrar mais em estabelecer uma base sólida de doações e operar programas bem-sucedidos. Sucesso traz sempre mais sucesso e, nesse caso, atenção da mídia.
Filantropia: Qual é a importância da captação de recursos para a sustentabilidade de organizações sem fins lucrativos?
PM:
Captar recursos é absolutamente essencial para a sustentabilidade de qualquer entidade ou organização sem fins lucrativos. A captação é o combustível para toda ação. Obviamente os programas e serviços são importantes – mostram como as entidades realizam suas missões. Mas é impossível realizar esses programas sem o dinheiro e o apoio gerados pela captação. Captação também é fundamental para a sustentabilidade porque levanta o perfil do público de uma organização. Mesmo se uma pessoa não doar imediatamente, vai saber que existe uma organização e conhecer sua missão por meio da captação de recursos, e isso pode resultar em apoio no futuro. Quando uma organização pode mostrar que é sustentada com a captação de recursos, há mais chances das pessoas doarem porque sabem que a organização é sustentável e seus programas estão tendo impacto. Em outras palavras, captação cria sustentabilidade, sustentabilidade cria programas e programas bem-sucedidos criam captação de recursos.
Filantropia: Qual é o perfil de grandes doadores hoje em dia?
PM:
De forma geral, os doadores estão mudando porque as gerações estão mudando. Eles querem saber como seu dinheiro está sendo gasto, qual a diferença que esse bem faz para a missão e querem estar envolvidos. Isso acontece principalmente com os mais jovens. Os doadores são muito diferentes e suas visões sobre filantropia são tipicamente formadas pelas suas atitudes culturais em relação às doações. Dessa forma, é essencial que as organizações entendam isso enquanto criam mensagens e cases de captação de recursos. No passado, os grandes doadores eram brancos, homens de meia-idade que doavam à universidade em que estudavam ou outras instituições grandes e conhecidas, como um hospital. Agora, vemos mais mulheres como grandes doadores, assim como pessoas de todas as culturas e etnias. E a quantidade de entidades que eles estão ajudando tem sido mais diversificada. Não é incomum ver grupos ambientais e organizações internacionais receberem grandes contribuições agora, o que era raro no passado.
Filantropia: Qual é o papel dos governos para a sustentabilidade das instituições?
PM:
Na maioria dos países, os governos estão começando a diminuir a quantidade de dinheiro direcionado ao Terceiro Setor. Esse declínio se deve ao direcionamento de fundos a outras áreas do governo ou à necessidade de reduzir os gastos governamentais. Os governos estão dependendo mais das organizações sem fins lucrativos para oferecer serviços fundamentais. Dito isso, o papel do governo é entregar serviços e eles podem ser excelentes parceiros das entidades filantrópicas. Dinheiro forte do governo para ganhar apoio filantrópico é uma combinação muito poderosa e gera ganhos e vitórias tanto para o governo como para as pessoas ajudadas pela organização.

O Código de Princípios Éticos e Padrões de Prática Profissional da AFP

Conheça os destaques entre as 18 normas que procuram guiar, de forma ética e responsável, o trabalho dos captadores de recursos.
Em relação às obrigações profissionais, a AFP pede que o membro da entidade reconheça seus limites individuais de competências e seja verdadeiro sobre sua experiência e qualificação.
Ao solicitar fundos, o membro da AFP deve garantir que todos os materiais solicitados estejam corretos, reflitam a missão da organização e sejam éticos quanto o valor dos impostos de grandes doações. A administração adequada de contribuições, incluindo relatórios sobre o uso e gerenciamento de fundos é outro ponto que um captador precisa enfatizar nesse momento ao doador.
Manter as informações sobre o doador apenas dentro da organização também é imprescindível para estabelecer a confiança entre quem pede recursos e quem os dá.
Já a forma de compensação, segundo as normas da entidade americana, são claras: não se pode aceitar nada baseado em porcentagens de contribuições, nem honorários de intermediários. O pagamento é feito apenas segundo a performance do profissional, como bônus, que deve ser dado de acordo com práticas realizadas nas organizações dos próprios membros.

www.afpnet.org/ethics

 

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