O que está em jogo na Rio+20?

Por: Revista Filantropia
01 Julho 2012 - 00h00

O Brasil chegará à Rio+20 com tantas certezas quanto dúvidas a respeito da importância do evento e da repercussão das propostas que, há duas décadas, marcaram as reuniões da ECO-92 e acerca das quais, neste mês de junho, será feito um novo balanço. Passada uma geração desde que o Rio de Janeiro sediou a conferência que consagrou a ideia de desenvolvimento sustentável e estabeleceu uma agenda coletiva de ação social e ambiental (conhecida como Agenda 21), os brasileiros continuam receptivos a essas promessas, mas divergem quanto aos avanços obtidos, o desempenho dos diferentes atores e a ressonância que a Rio+20 pode ter no público geral.
Pesquisa da Market Analysis realizada entre dezembro de 2011 e janeiro deste ano com 804 adultos residentes nas nove principais capitais do país revela que apenas um em cada oito brasileiros (13,2%) ouviu falar sobre a conferência. Contudo, o interesse é alto: 70% do público geral e 82% da minoria tem algum ou muito conhecimento sobre o evento. Semelhante diferença evidencia o potencial de atenção e eventual mobilização que a Rio+20 poderia alcançar com uma divulgação mais efetiva. Seria isso suficiente para virar o jogo do desconhecimento? Estaríamos pregando somente para a minoria de cidadãos conscientes, já convencidos das virtudes da sustentabilidade, e fracassando em popularizar a mensagem e em tornar o conteúdo do evento relevante para o dia a dia dos brasileiros?
Outro indicador dos desafios no curto prazo tem a ver com a interpretação que a opinião pública faz dos objetivos da Conferência. O rótulo genérico Rio+20 gera vinculações de conteúdos diversos, alguns dos quais nada tem a ver com os assuntos da conferência, embora estejam umbilicalmente ligados ao presente e ao futuro próximo da cidade do Rio de Janeiro. De um lado, surge com muita força a atribuição de objetivos essencialmente ambientais, desde que antenados com a necessidade de dinamismo econômico. A predominância de referências ao desenvolvimento sustentável e à economia verde (48% das menções) vão nesse sentido. A dimensão ambiental é ainda reforçada pelas referências ao meio ambiente no geral e ao combate à poluição como objetivos da conferência (5% de menções adicionais).
De outro lado, a dimensão social é referida por apenas 8% dos que assumem algum grau de informação a respeito da conferência, revelando o desequilíbrio nas ênfases sobre o conteúdo do evento, pelo menos da maneira como a população vem assimilando o mesmo. Em outras palavras, o tripé da sustentabilidade, tido como suposto básico dos trabalhos da Rio+20, e presente explicitamente entre os objetivos, encontra-se desbalanceado em prejuízo da esfera social.
De igual forma, podemos notar que um terço das associações feitas com relação à agenda das reuniões tem pouco ou nada a ver com o que estará na mesa e em debate a partir do próximo dia 13 de junho. Questões como violência ou tráfico de drogas podem ser vistas como condicionantes ou efeitos de níveis insatisfatórios de desenvolvimento humano, mas são temas fora do radar formal da conferência. Em última instância, trata-se de um indicador claríssimo da necessidade de tornar a mensagem não apenas mais abrangente na sua assimilação, mas também mais efetiva na divulgação do que está em jogo no evento.

Vanguarda e retaguarda da sustentabilidade

Consultados sobre como avaliavam o trabalho de diferentes instituições acerca da evolução brasileira rumo à sustentabilidade, quem melhor desempenho teve aos olhos da opinião pública foi a mídia: uma sólida maioria de 73% dos entrevistados indicou a atuação deste ator como excelente ou muito boa. No outro extremo figuram o governo (55%) e as Nações Unidas (53%), cujas atuações dividem a população e – consequentemente – enfraquecem seus papéis como agentes de mudança.
As implicações dessa polaridade saltam aos olhos: existe um espaço de legitimidade para o debate público e a educação socioambiental, âmbitos de liderança natural para os meios de comunicação, mas o papel da mídia mal pode extrapolar essa esfera: ela nem recomenda políticas de sustentabilidade (função da ONU) nem as implementa (obrigação do governo). E são justamente esses últimos atores, que naturalmente se associam mais à implementação de um modelo de governança sustentável efetivo, os que menos crédito recebem para influir nos rumos desse novo modelo de desenvolvimento. Afinal, qual é a perspectiva de impacto de um compromisso pela sustentabilidade quando seu idealizador (a ONU) e seu executor (o governo) despertam elogios e críticas com quase igual intensidade?
A pesquisa indica que outros agentes conseguem recrutar uma visão favorável entre uma maioria dos brasileiros, mas recebendo questionamentos de pelo menos um terço ou mais da sociedade. É o caso das empresas (nacionais ou multinacionais) e dos cientistas, setores que não apenas participam da estruturação do modelo de sustentabilidade, mas também são responsáveis pela sua conceituação e interpretação (no caso dos membros da ciência e academia) ou pela sua capilaridade prática através de produtos, serviços, investimentos em desenvolvimento, soluções para resíduos e geração de energia (caso das corporações). Diante deles, pouco mais de um em cada três brasileiros se posiciona criticamente.

Daqui a dois meses

É inevitável que a grande maioria dos brasileiros nem chegue a suspeitar o que está em jogo na Rio+20 e, portanto, acabem excluídos (ou se autoexcluindo) do balanço a se fazer e dos novos compromissos a serem assumidos rumo a uma sociedade mais sustentável? Nem um pouco. Por um lado, os primeiros meses do ano foram marcados por importantes eventos no processo preparatório para a conferência, e isso mobilizou tanto o governo como a sociedade civil e o mundo empresarial. As condições para que a discussão e a importância do evento ganhem força e velocidade estão dadas. Em grande medida, basta acertar o alvo e o tom da comunicação.
Até meados de junho há espaço para virar o jogo do desconhecimento e as ambivalências sobre o engajamento e resultados dos esforços das diferentes partes envolvidas. Mas, mais importante que pensar nos próximos dois meses, é desenvolver um processo educativo e mobilizador para os próximos trezentos meses. Quando, daqui a mais duas décadas, duas décadas e meia, na hora de refletir sobre uma futura Rio+40, o modelo de desenvolvimento sustentável tenha se tornado realidade.

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