Não Vá. Vamos!

Por: Paula Craveiro
06 Julho 2015 - 22h34

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Cada vez mais tem caído por terra a ideia de que é preciso comandar com mãos  de ferro para que os objetivos de uma empresa ou organização social sejam  plenamente alcançados. Senso colaborativo, espírito de equipe e habilidade no  trato com as pessoas, por exemplo, podem ser – e efetivamente são – soluções  muito mais eficazes e capazes de gerar melhores resultados.

Seja no meio acadêmico, profissional ou mesmo no  ambiente familiar, a liderança é um aspecto que se  faz constantemente presente no dia a dia. No Terceiro  Setor, assim como também ocorre no campo empresarial,  este é um assunto que sempre rende muita discussão, pois  traz à luz as questões da “chefia” e da motivação das equipes de  colaboradores e voluntários.

Ao assumir a responsabilidade pela condução de um grupo  de trabalho, além de considerar os objetivos que a organização  pretende alcançar, é necessário que aqueles que estejam sob sua  coordenação o ajudem e se ajudem entre si, com disposição e boa  vontade, a enfrentar os desafios e os problemas que aparecerão  durante a realização de suas atividades.

Embora a ideia e a importância de “cativar” a equipe pareçam  atitudes óbvias para um gestor, isso nem sempre acontece. Grande parte da resistência enfrentada pelo “chefe” decorre da  postura que ele assume diante de sua equipe. Se sua postura for  autoritária, de alguém que vive dando ordens e exigindo obediência  por parte de seus colaboradores, não resta dúvida que haverá  oposição. No entanto, se houver um posicionamento mais equilibrado  e senso de parceria, e não de superioridade, não há razão  para uma atitude negativa por parte dos profissionais.

Liderança De Equipe

A chegada de um novo “chefe” normalmente é acompanhada  por uma boa dose de apreensão, pois isso pode trazer  uma série de mudanças dentro do departamento, incluindo a  possibilidade de corte de mão de obra. No entanto, não é essa  a finalidade principal deste profissional.

Ele deve ser compreendido como o responsável pela condução  dos negócios – independentemente da área de atuação da organização  – e pelo alcance de seus objetivos. Mas, para que ele consiga  realizar suas atividades de acordo com o plano da organização,  depende de uma equipe. Sozinho, sejamos realistas, ele não fará  nada, ou fará muito pouco. A equipe (a “sua” equipe) é peça-chave  para o sucesso de seu trabalho – é uma relação de ganha-ganha.

Para que haja esse entendimento, é essencial que o profissional  se apresente de maneira positiva, como um verdadeiro líder,  e não como um chefe.

Diferenças Entre Um Líder E Um Chefe  

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CHEFE

Manda e fiscaliza.
Centraliza decisões em todos os níveis.
Foi promovido por tempo de casa.
Costuma ter dificuldade de argumentação com a equipe.
Relação baseada na autoridade.
Pensa individualmente (eu).
“Usa” as pessoas.
Desmoraliza.
Procura culpados.
Não ouve ninguém.
Gera medo.
Divulga resultados como se fossem exclusivamente seus.
Gosta de bajuladores.

LÍDER

Orienta e acompanha.
Relação baseada na boa vontade.
Pensa como equipe (nós).
Desenvolve pessoas.
Sabe ouvir.
Busca inovação.
Sabe delegar, mas sem abrir mão da responsabilidade.
Não gosta de burocracia.
Reconhece quando erra.
Toma decisões rápidas sempre que é necessário.
Cobra resultados com base em critérios predeterminados.
Contrata e promove profissionais que sabem mais do que ele.
Não rouba ideia de subordinado.
Gera respeito.

No ambiente profissional, existem algumas diferenças que  determinam o papel do chefe e o do líder. “O conceito de chefia  vem agregado a uma responsabilidade de coisas técnicas, de ditar  as regras e de controlar”, afirma Marília Fiuza, instrutora licenciada  da Sociedade Brasileira de Coaching (SBC). “A figura do  chefe está atrelada ao cargo, à autoridade pela função. Já o líder,  independentemente do cargo que ocupe, consegue delegar tarefas,  estimular pessoas e motivar sua equipe”, diz a especialista.
 

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A diferença entre um chefe
e um líder é que o chefe diz “Vá!”
e o líder diz “Vamos!”.

George Edward Maurice Kelly

 

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As pessoas perguntam qual é
a diferença entre um líder e um
chefe. O líder trabalha descoberto,
o chefe trabalha encapotado.
O líder lidera, o chefe guia.

Franklin Roosevelt

 

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Um líder é alguém que
sabe o que quer alcançar
e consegue comunicá-lo.

Margaret Thatcher

De modo geral, pode-se dizer que chefe é aquele profissional  conhecido por dar ordens diretas e incontestáveis para seus  subordinados, que precisam executar diversas tarefas por meio da  imposição ou da reafirmação do poder de sua posição hierárquica  dentro da organização.

Já o líder é aquele que orienta as pessoas que o cercam e as estimula  a fazerem aquilo que é proposto – e não imposto. Ele pede a  colaboração dos demais profissionais, além de se mostrar sempre  aberto a considerar e a avaliar possíveis contestações e novas ideias. Sua postura é mais voltada à participação e ao envolvimento de  todos de sua equipe, e sua atuação remete à ideia de motivação,  respeito, conquista, atenção e construção de um ambiente harmônico  em prol dos objetivos coletivos, enquanto o chefe carrega  consigo a ideia de opressão e intimidação.

Para a personal life coach Ivani Manzzo, a diferença entre  ambos pode ser apenas semântica, uma vez que o chefe também  pode ser um bom líder. “No entanto, o problema é o efeito que  o nome pode causar em algumas pessoas. Ser chamado de chefe  pode dar a impressão errada de que “ele é quem manda”. Agora,  o líder pode despertar o sentido de responsabilidade, da capacidade  de liderar, cativar e se fazer acreditar”, explica.

Resultados De Uma Boa Liderança

É inegável que os bons resultados de uma organização começam  com uma boa liderança, capaz de estruturar adequadamente  sua equipe de trabalho e orientá-la para a busca pelo melhor  resultado possível.

“É essencial que os líderes estejam preparados para gerar desenvolvimento,  isto é, para aprender a partir de erros e adaptação  ágil frente às inovações e mudanças”, diz a psicóloga e coach executiva  Elizabeth Soares. “Para obter um grupo alinhado e proativo,  é preciso que cada integrante saiba qual é seu papel dentro  da organização e o que deve fazer na prática para obter o resultado  final desejado. Quando a liderança comunica suas metas de  maneira clara, fica mais fácil para cada um perceber se suas ações  estão contribuindo ou não para o objetivo almejado”.

Um líder que não estabelece parâmetros objetivos para sua  equipe dá margem à desorientação e à perda de foco. Além de  comunicar as metas, ele também precisa apresentar ou criar, com  o apoio de sua equipe, os “planos de trabalho”, bem como oferecer  retorno constante aos seus liderados (feedback).

Para gerar aprendizado e construir uma equipe de alta performance,  os erros precisam ser encarados pela liderança como  oportunidade de melhoria. “No lugar de ‘bronca’, o colaborador  deve receber uma conversa que avalia suas atitudes e suas ações em  função do objetivo esperado. O líder consegue conduzir a conversa  de modo que o liderado perceba que o que está em julgamento  é a situação, não ele próprio”, destaca Elizabeth.

Com uma equipe bem estruturada e alinhada aos objetivos  da organização, liderada por alguém com mente aberta e disposição  para o trabalho em equipe, a chance de sucesso é enorme.

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