Andrew Watt

Por: Thaís Iannarelli
01 Janeiro 2009 - 00h00
Andrew Watt, vice-presidente de Desenvolvimento Internacional da Association of Fundraising Professionals (AFP), nasceu na Escócia e atua na área de captação de recursos desde 1993. No início da carreira trabalhou como diretor para assuntos políticos na Comunidade de Captação de Recursos e, em 2001, tornou-se diretor executivo geral do Institute of Fundraising, no Reino Unido.
Atualmente, trabalha na AFP identificando necessidades da comunidade internacional para difundir práticas eficientes de captação de recursos. Em entrevista à Revista Filantropia, Andrew fala sobre as regiões do mundo e divulga o 5º Congresso Hemisférico de Captação de Recursos, resultado de uma parceria entre a AFP e a Faculdades Integradas Rio Branco, que acontecerá em novembro de 2009, em São Paulo.


Revista RF: O que faz a AFP?

Andrew Watt: Tentamos criar um ambiente de captação de recursos mais positivo, dando oportunidades de formar redes de apoio na comunidade de captação, ou oferecendo estrutura educacional, como conferências e programas formais. Também procuramos fazer regulamentações para que as organizações possam prestar contas, definir suas atividades e ser comparadas a outras instituições. Esse é o único material que forma a base da comunicação clara com o público. Outro objetivo é desenvolver uma legislação que realmente promova o conceito de filantropia, ou seja, que faça com que o governo enxergue seu papel de capacitar o setor social.

RF: Em que lugares a AFP atua?

AW: Existem grupos formais em Hong Kong, Jacarta e Cingapura, e também temos alianças estratégicas com associações de captação de recursos pelo mundo, como Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Holanda e Reino Unido. Temos feito um trabalho crescente na América Latina, assim como na América do Norte e na Ásia.

RF: Você sente que as necessidades da área social são diversas de acordo com cada país?

AW: A situação é diferente em qualquer lugar que se vá, mas, na verdade, as necessidades que se procura solucionar são as mesmas. Normalmente se baseiam em assistência social, justiça, saúde, educação e saneamento. O que percebo é que nos países em desenvolvimento as pessoas são mais criativas e têm mais determinação para alcançar a mudança. Isso não acontece em países com o mercado mais desenvolvido.

RF: E você vê essa criatividade em países como o Brasil?

AW: Sim, é muito claro para mim que as atuações mais empolgantes no Terceiro Setor acontecem na América Latina. Campanhas interessantes, como as de marketing viral, destacam-se na região. Acho que isso acontece porque existe uma necessidade de se arriscar, tentar o novo, para alcançar as metas. Nos Estados Unidos, as pessoas têm consciência de que é preciso ser extremamente profissional na área de captação de recursos e procuram sempre se aprimorar; não há muita necessidade para essa criatividade.

RF: Você considera que os Estados Unidos sejam mais desenvolvidos em relação a outros países no que diz respeito ao Terceiro Setor?

AW: Os Estados Unidos são diferentes de qualquer outro país do mundo e acho admirável a maneira como formam comunidades assistenciais. É algo cultural. Os cidadãos entendem que precisam doar seu tempo e dinheiro para fazer algo acontecer, e não acham que o governo deve estar envolvido nesse tipo de atividade.

RF: E em relação à profissionalização da área de captação de recursos?

AW: Também é diferente. Nos Estados Unidos, captar recursos já é considerado uma profissão há muitos anos, e há o entendimento de que é preciso investir em pessoas especializadas. Ou seja, as organizações sociais são vistas como empresas nesse sentido. Não acho que esse conceito seja tão desenvolvido na Europa. Em lugares como Reino Unido, Alemanha, França e Holanda, existe a percepção de que captar recursos é um ato a ser realizado por voluntários. Alguns se surpreendem ao saber que a “caridade” emprega pessoas. Sinto que esse seja o caso no Brasil também.

RF: O que pode ser feito para mudar essa visão sobre a profissão?

AW: É preciso explicar porque é importante ter profissionais capacitados para gerar recursos. Isso significa entender sobre ética, compreender as técnicas e como respeitar tanto o doador quanto o beneficiário. Não se deve explorar o beneficiário para conseguir dinheiro de alguém, por exemplo. Ao mesmo tempo, é preciso respeitar a necessidade que o doador tem de transparência.

RF: Você concorda que existem organizações com mais acesso a informações e recursos que outras?

AW: Com certeza. Mas não só na América Latina, se você for ao Canadá ou aos Estados Unidos, acontece exatamente a mesma coisa. As organizações que recebem grande atenção do público e da mídia levantam recursos com eficácia. Já aquelas que lutam diariamente pelos seus programas locais têm menos habilidades e pouco acesso a grandes recursos. Isso acontece porque eles têm muito o que resolver no dia-a-dia e a última coisa em que pensam é sair para se desenvolver profissionalmente. A solução é realizar cursos acessíveis e identificar os parceiros-chave em cada comunidade para promover o desenvolvimento.

RF: Em que consiste o curso que será oferecido pela AFP e pelas Faculdades Integradas Rio Branco?

AW: A AFP desenvolveu uma série de programas educacionais. O primeiro curso é direcionado àqueles que estão começando na área de captação de recursos, e é a primeira vez que o traduzimos para o português. O curso será ministrado pelo presidente das Faculdades Integradas Rio Branco, Dr. Custódio Pereira, e terá
16 horas de duração. Ao fim, os alunos receberão um certificado assinado pela AFP e pela faculdade. A primeira turma está prevista para março de 2009.

5º Congresso Hemisférico de Captação de Recursos

Pela primeira vez no Brasil, o congresso que acontecerá no início de novembro de 2009 reunirá profissionais para discutir questões ligadas à captação de recursos. Andrew Watt e Custódio Pereira, presidente das Faculdades Integradas Rio Branco, contaram à Revista Filantropia sobre o evento.

RF: Qual é a proposta do evento?

Andrew Watt: Reunir profissionais da América Latina para tratar de questões ligadas ao desenvolvimento e à profissionalização da área de captação de recursos no mundo.

Custódio Pereira: Será interessante porque é um evento internacional que envolverá associações da América do Sul, e isso será bom para integrar as pessoas e discutir assuntos de todas as áreas. O congresso também receberá palestrantes de todo o mundo, Europa, Estados Unidos, e a qualidade do conteúdo será muito alta.

RF: E por que é importante que o evento seja realizado em São Paulo?

Andrew Watt: Porque São Paulo é uma cidade grande, e o Brasil é um país muito rico, que tem mostrado grande crescimento no Terceiro Setor.

Links
www.afpnet.org
www.riobrancofac.edu.br

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