Do Sonho à Realidade

Por: Paula Craveiro
19 Janeiro 2017 - 00h00

 

Ex-jogador de futebol e presidente do Instituto Bola Pra Frente, Jorginho conta como a união entre esporte e educação possibilita a criação de cidadãos conscientes e responsáveis

Criado em 2000 pelo tetracampeão mundial de futebol Jorge de Amorim Campos, Jorginho, o Instituto Bola Pra Frente utiliza o esporte como ferramenta para o desenvolvimento social em comunidades socialmente vulneráveis dos bairros de Guadalupe e Deodoro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Desde a sua fundação, já foram atendidos mais de 15 mil crianças e jovens com idades entre 6 e 17 anos, regularmente matriculados na rede pública de ensino e residentes em uma das seis comunidades beneficiadas no entorno do Instituto (Conjunto Presidente Vargas, Triângulo, Coreia, Ferroviária, Muquiço e Vila Eugênia). Atualmente, cerca de 400 crianças e adolescentes fazem parte dos projetos desenvolvidos.

A evolução desses jovens é acompanhada por meio de parcerias com as escolas locais, de modo a garantir que as ações realizadas pelo Instituto gerem impactos reais e positivos no rendimento em sala de aula e na redução da evasão escolar. A intenção do Bola Pra Frente é impactar todas as áreas da vida de crianças e adolescentes beneficiados pelos projetos – família, escola, comunidade, saúde e meio ambiente – e, como consequência, proporcionar um futuro melhor para eles.

Nesta edição da Revista Filantropia, batemos um papo com o Jorginho, que explicou como funciona a tecnologia social desenvolvida pelo Instituto e comentou os desafios do dia a dia. Confira!

Revista Filantropia: Como surgiu o interesse em criar o Instituto Bola Pra Frente?

Jorginho: O Bola Pra Frente surgiu a partir de um sonho que tive na infância. Aos 11 anos de idade, sonhei que tinham construído uma Disneylândia no campo de várzea onde eu jogava bola, em frente à minha casa, no Conjunto Presidente Vargas, em Guadalupe. Acordei eufórico, corri até a janela e fiquei muito decepcionado quando vi que aquilo não era real e que tudo continuava do mesmo jeito. No entanto, aquele sonho me marcou profundamente. Cerca de 25 anos depois, naquele mesmo campo, foi construído o Instituto Bola Pra Frente, que há 16 anos vem motivando crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social a sonharem com um futuro melhor. Além de incentivar os sonhos, o Instituto aponta caminhos para que eles se tornem realidade por meio do esporte, da educação, da arte, da cultura e da qualificação profissional.

RF: Qual é a missão do Instituto?

Jorginho: O Bola Pra Frente tem a missão de educar crianças, adolescentes e suas famílias para o protagonismo social, utilizando o esporte como principal ferramenta impulsionadora da construção de valores em prol da promoção social. Além disso, queremos ser referência para a sociedade na formação de cidadãos éticos e íntegros, bem como sermos reconhecidos como um dos melhores institutos em esporte educacional.

RF: O que significa o conceito de "esporte educacional"?

Jorginho: A combinação do esporte com educação, em um processo de desenvolvimento integral, dita uma direção no comportamento das crianças e dos adolescentes participantes, que os levarão a atuar de maneira consciente, eficiente e responsável em suas vidas. Há um permanente estímulo, por parte dos educadores do Bola Pra Frente, para que essa direção de comportamento seja assumida pelos próprios alunos, e não imposta, conscientizando-os quanto à informação e à formação. Informação como conhecimento da realidade, e formação como maneira de agir, que deve ser responsável, avaliando as consequências de seus atos.

RF: Como funciona o processo educacional desenvolvido pelo Bola Pra Frente?

Jorginho: Somos comprometidos com a educação permanente, que consiste no processo continuado de desenvolvimento individual, de modo a conduzir as crianças e os adolescentes na busca por competências pessoais, profissionais e sociais, que lhe serão úteis por toda vida. Buscamos ensinar a esses jovens a importância do aprendizado contínuo, não se limitando ao conhecimento técnico, mas também ampliando suas relações com os outros, com o meio e com o trabalho. A educação permanente pressupõe o aprendizado de conhecimentos, conceitos e atitudes que vão além da sala de aula, mas também de elementos essenciais na educação formal, que servirão de base para o melhor aproveitamento em todas as disciplinas. Nossa linha de intervenção pedagógica está ancorada na promoção de atividades que desenvolvam a leitura e a escrita, com- batendo e prevenindo o analfabetismo funcional. Pesquisas apontam que a criança que lê e tem contato com a leitura desde cedo é beneficiada em diversos sentidos: ela aprende mais, pronuncia melhor as palavras e se comunica melhor.

RF: Como funciona a tecnologia social desenvolvida pelo Instituto – metodologia de intervenção social?

Jorginho: A metodologia do Bola Pra Frente foi elaborada visando ao desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes atendidos. Essa integralidade só é possível de duas maneiras: se o ensino por meio do movimento fizer parte do processo educacional e se estiver intimamente conectado ao contexto social do nosso público beneficiado. Nesse sentido, perceber o nosso educando como um ser integral pressupõe, inicialmente, que não pode haver distinção entre seu corpo e sua mente. Para nós, o pensar é tão corporal como o correr. Desenvolvemos assim uma nova forma de tematizar o processo ensino-aprendizado, no qual a necessidade inerente do ser humano de se movimentar é respeitada e estimulada. Elaboramos um modelo de Educação Esportiva focado no desenvolvimento de habilidades psicomotoras e na formação de valores nas crianças e nos adolescentes, sem envolvê-los demasiadamente no processo de treinamento de uma modalidade esportiva. Dessa maneira, a atividade esportiva não é uma mera recreação, muito menos está focada no rendimento; ao contrário, deve apresentar compromissos sociopedagógicos que visem ao desenvolvimento integral do educando.

De modo complementar, acreditamos que outra base fundamental para um trabalho educativo e de conscientização é o estabelecimento de uma relação íntima e permanente com o contexto social em que vivem os educandos. Entendemos que o lado pedagógico não pode ser limitado apenas à sala de aula, devendo contemplar os principais núcleos nos quais eles estão inseridos: família, escola e comunidade. Por isso, temos a preocupação de utilizar, no processo ensino-aprendizagem, gêneros significativos que estão a todo tempo na vida do educando e que fazem sentido para eles. Neste contexto, o esporte é, sem dúvida, uma fonte de informação e interesse para um grande público, visto que sua prática é comum à realidade local e, ao mesmo tempo, universal.

RF: Como o Instituto é mantido?

Jorginho: Temos a alegria de contar com grandes parceiros que nos apoiam há anos, como a Nike e a Nestlé, entre tantos outros. E a cada ano temos conquistado novas e importantes parcerias. Esse apoio se dá por meio de patrocínios sociais, incentivos fiscais e doação de produtos e serviços. Nosso desafio agora é ampliar a captação de recursos para garantir o crescimento sustentável do Bola Pra Frente.

RF: Como o Instituto trabalha a questão da captação de recursos?

Jorginho: Além dos apoiadores, também realizamos eventos e jantares para captação de recursos, que contam com o envolvimento de personalidades e empresas interessadas em ajudar a nossa causa. Em breve, vamos lançar uma plataforma de captação para doações de pessoas físicas por meio do smartphone. Também temos em andamento um projeto de mobilização via redes sociais, que certamente fará toda diferença na maneira de captarmos recursos, além de intensificar as ações que visam à captação junto a pessoas jurídicas.

RF: Qual é o maior desafio enfrentado pelo Instituto em seu dia a dia e como ele é driblado?

Jorginho: Hoje, nosso maior desafio é ampliar a captação de recursos para garantir o crescimento sustentável do Bola Pra Frente e também construir o Centro de Capacitação, que vai representar um verdadeiro legado social para a nossa cidade.

O Centro de Capacitação é um projeto de ampliação da sede do Instituto Bola Pra Frente em Deodoro, Zona Norte do Rio de Janeiro. Trata-se de um centro de pesquisa, inovação, capacitação e reaplicação de tecnologias sociais, com foco no esporte educacional. O projeto foi provado pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte e prevê a construção de 3.184 m2 na nossa sede. Vamos construir salas de aula, cozinha industrial, refeitório, biblioteca, áreas de convivência e espaço para atendimento na área de saúde. Com esse projeto, ampliaremos o nosso atendimento e formaremos profissionais que atuem ou queiram atuar com a promoção social por meio do esporte, beneficiando ainda mais crianças e adolescentes em todo o Brasil. A expectativa é de que as obras sejam iniciadas em breve.

Link: www.bolaprafrente.org.br

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