Ana Paula Padrão

Por: Juliana Fernandes
01 Maio 2011 - 00h00

Ana Paula Padrão é sinônimo de profissionalismo, credibilidade e competência. Formada pela Universidade de Brasília, a jornalista iniciou sua carreira na Rádio Nacional. Em 1987, foi convidada pela TV Globo para fazer parte do time de repórteres da emissora. Durante os 18 anos em que trabalhou na organização, Ana Paula também atuou como âncora e correspondente internacional em Londres e Nova York – cobrindo acontecimentos de grande repercussão mundial, entre eles, os atentados de 11 de setembro.
Atualmente, na TV Record, a jornalista apresenta o principal jornal da emissora ao lado de Celso Freitas. Além de comandar o noticiário, ela ainda realiza reportagens especiais, que a tornaram uma das profissionais mais respeitadas de sua área. Em entrevista à Revista Filantropia, Ana Paula Padrão fala sobre o papel social da mídia, além de avaliar a atuação do governo frente à realidade do país.

Revista Filantropia: Suas reportagens se destacam pelo viés social. O que despertou o interesse por tais questões?
Ana Paula Padrão: Gosto de gente. Onde houver uma história sobre alguém, ela me interessa. Nunca cobri uma guerra, por exemplo, pelo aspecto da estratégia militar. O que me interessa são as populações vitimadas pelo conflito. As pessoas em seus limites. Como se comportam? O que as faz rir? O que as faz chorar? Do mesmo modo, quando cubro uma crise econômica ou política, o que busco são as histórias das pessoas envolvidas no processo.
RF: Conte um pouco sobre sua experiência na série S.O.S Brasil.
AP: Foi minha primeira série na TV Record. O desafio era fazer um panorama dos grandes problemas nacionais naquele momento. Mapeamos o trabalho numa pré-produção rápida, mas que envolveu muita gente, e saímos a campo para encontrar as histórias por trás das estatísticas. O que me surpreendeu foi a receptividade que encontrei nas ruas. Há muito tempo eu me dedicava mais a reportagens internacionais e estava um pouco afastada do Brasil. Foi um reencontro – e muito feliz. A TV Record é muito querida, principalmente nas periferias, onde o cidadão se sente representado pela emissora.
RF: Em sua opinião, qual dos problemas sociais brasileiros é o mais urgente a ser combatido?
AP: A lista de questões não resolvidas, ou mal resolvidas no Brasil, é imensa. Mas acredito firmemente que a maior parte desses problemas se resolve, em médio prazo, com educação de qualidade para o cidadão. Uma sociedade bem educada, com acesso à cultura e a uma boa formação técnica vota melhor, escolhe melhor seus representantes e ganha espírito crítico para não cair nas esparrelas políticas de sempre.
RF: Como você avalia a atuação do governo frente à realidade social do país?
AP: Estamos diante de um governo que tem pouco tempo de atuação – impossível, para não dizer injusto, fazer uma avaliação criteriosa nesse momento. De maneira geral, acho que governo nenhum consegue mais virar as costas para as injustiças sociais brasileiras. Há um movimento mundial de consciência popular sobre seu poder político. Quem não prestar atenção nisso não terá a confiança do povo.
RF: Qual a sua opinião sobre a atuação das ONGs no Brasil?
AP: Há ONGs e ONGs. A maioria delas, pelo que tenho notícia, tem um papel fundamental em sua área de atuação. Elas acabam preenchendo uma lacuna deixada pelo governo naquilo que deveria ser de sua responsabilidade. Mas em qualquer setor há distorções. Também tenho notícia de organizações que apenas se aproveitam de determinados instrumentos jurídicos para captar recursos que, no fim, não chegam ao projeto.
RF: Você acha que o jornalismo, como é feito hoje, tem um papel social importante na conscientização da população?
AP: Acho que parte da mídia, no Brasil, ainda não acordou para as profundas mudanças sociais pelas quais o país passou num período relativamente curto de tempo. Nossa classe média deixou de ser a grande formadora de opinião. Há menos de uma década, quem falasse com a classe média estaria falando com o país inteiro. Hoje isso não acontece. A imensa massa de pessoas que emergiu das classes D e E, e foi incluída na sociedade de consumo, pensa sozinha. Apesar de não terem tido acesso a uma boa educação formal, essas pessoas descobriram que têm valor e que sua opinião conta. Elas não querem ascender socialmente para se transformar na elite que conhecemos. Elas querem preservar seus próprios valores sociais e culturais, e querem vê-los representados pela mídia. Isso ainda não acontece, de maneira geral.
RF: Em sua opinião, qual é a importância das pessoas que têm destaque na mídia apoiarem as causas sociais? Essa atitude serve de “estímulo” para outros cidadãos?
AP: Todas as pesquisas mostram que a maioria dos brasileiros ainda se deixa influenciar pela opinião das pessoas que estão em evidência. Por isso, é muito importante que as chamadas “celebridades” emprestem sua notoriedade às boas causas. Elas são exemplos e serão inspiradoras de um Brasil melhor.
Uma sociedade bem educada, com acesso à cultura e a uma boa formação técnica vota melhor, escolhe melhor seus representantes e ganha espírito crítico

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