Festival Latino-Americano de Captação de Recursos

Por: Rodrigo Alvarez
01 Setembro 2009 - 00h00

“Faremos um evento de troca de experiências sobre mobilização de recursos para 400 pessoas e a agenda desse evento será montada coletivamente no primeiro dia por todos os participantes!” Essa frase soava muito ousada (até inconsequente, para alguns) há seis meses, quando começamos a criar o Festival Latino-Americano de Captação de Recursos.

De fato, fomos ousados, mas sabíamos o que estávamos fazendo e tínhamos certeza de que tudo ia dar certo. Esse era o nosso combustível. Um mês depois do festival, podemos dizer que cumprimos nossa tarefa e experimentamos um novo jeito de fazer eventos de aprendizagem para um grande número de participantes. Mais de 400 pessoas se reuniram na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em São Paulo, para aprender, trocar, ensinar, conversar, se divertir, enfim, para construir coletivamente o encontro.

Foram 64 eventos em três dias, entre oficinas, rodas de conversa e rodas-vivas (uma inovação na forma de fazer plenárias de abertura); 39% das oficinas surgiram durante o evento, e foram oferecidas por palestrantes convidados ou por participantes que vieram para o festival sem nenhuma intenção prévia de propor uma atividade. No segundo e terceiro dias, quase metade das oficinas foram propostas de última hora, construídas a partir do que emergia do evento, tornando o festival absolutamente vivo e coletivo.

De fato, o modelo de festival, apesar de surpreender alguns e passar a impressão, no primeiro momento, de “desorganização”, é um modelo bastante testado e que cresce com muita velocidade mundo afora. Sobre nosso tema – captação de recursos –, já acontecem pelo menos dois outros festivais no mundo – o International Fundraising Festival (IFF), na República Checa, e o Festival del Fundraising, na Itália.

A palavra “festival” nos remete naturalmente a eventos ligados à área cultural – festival de dança, teatro e música. Mais recentemente, o conceito passou a ser adaptado para eventos que, tradicionalmente, são chamados de congressos, seminários e simpósios.

Mas por que isso vem acontecendo? Veja se você já viveu alguma dessas situações quando foi a um congresso tradicional:

• Você achou o horário do café mais interessante que as palestras, porque foi quando fez contatos, conheceu pessoas novas, reviu amigos e despertou para novas ideias;

• Você entrou em uma palestra cujo tema parecia interessantíssimo, mas, depois de cinco minutos de exposição, percebeu que não era nada do que tinha imaginado e ficou constrangido de levantar e sair da sala;

• Você voltou de um congresso caríssimo em Miami e não lembra bem o que aprendeu durante aqueles quatro dias, a não ser que os restaurantes da orla são muito charmosos e que você aproveitou a viagem para espairecer um pouco.

Então, por que não fazer um evento em que:

• A hora do cafezinho é a hora que você quiser: todo o festival pode ser como a hora do café dos congressos tradicionais. Então, por que não deixar o café disponível o tempo todo no salão? Ou então, por que não fazer das atividades de discussão um momento descontraído, agradável, em que se fala de assuntos que realmente importam para quem está ouvindo?

• Você pode entrar e sair das salas quando quiser (a lei dos dois pés): por que permanecer em uma oficina se você não está aprendendo ou não está contribuindo? Você é livre para ir e vir. Mexa-se, levante da cadeira e seja feliz!

• Você pode propor os temas: justo aquele tema que você queria explorar não está na grade de palestras. E por que você mesmo não o propõe? “Ah, mas não tenho capacidade para ser um palestrante!” Não tem problema. Estude um pouco, proponha perguntas, uma discussão. Você pode se surpreender com sua própria capacidade. No final, aprenderá muito mais do que se ficasse ouvindo um “especialista” falar do assunto.

• Você aprende com todos e com tudo: duvido que alguém questione essa frase. É quase consenso a crença de que a vida é a escola. Então, por que a maioria tem a ilusão de que, em um congresso, vai encontrar um iluminado que sabe muito mais do que qualquer um de nós, mortais, e vai ensinar os sete segredos da captação de recursos eficaz? Você não vai cair nessa de novo, não é?

• Os recursos são abundantes: se estamos em um evento com 440 pessoas, será que apenas 20 delas têm algo a dizer? A crença de que vivemos em um mundo de escassez é balela. Não acredite nisso. O mundo e as possibilidades são abundantes. A criatividade pode nos levar a um número infinito de alternativas. Nossa capacidade de escolher é limitada, mas é muito melhor ter escolhas, não é mesmo?

• Adultos aprendem de várias maneiras: certamente, ouvir palestras é uma das formas menos eficazes de aprendizagem para adultos. Nós aprendemos quando nos sentimos seguros, envolvidos, quando conseguimos fazer um paralelo com nossa experiência prática, quando participamos, falamos, somos desafiados, experimentamos.

• Você é responsável pelo seu aprendizado: a responsabilidade por criar um evento espetacular é de todos os que participam dele. Assumindo todas as responsabilidades que lhe cabem, os organizadores conseguem fazer, no máximo, um ótimo evento. Mas, para o evento ser fantástico, uma experiência realmente valiosa, cada um que participa tem de dar o seu melhor.

E a vida não é isso mesmo – um pouco de cada um de nós? O que você está fazendo para melhorar a sua parte? Comece agora fazendo parte da comunidade que está construindo o próximo Festival Latino-Americano de Captação de Recursos, que vai acontecer no ano que vem em Recife. Espero você lá para um café.

Visite e faça parte da nossa comunidade: www.festivalabcr.ning.com.

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