Xuxa

Por: Juliana Fernandes
01 Julho 2011 - 00h00

Maria da Graça Meneghel nasceu em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, em março de 1963. O apelido Xuxa foi dado pelo irmão Bladimir, assim que sua mãe chegou com a menina recém-nascida na casa onde moravam. Dona Alda disse ao filho: “olha o neném que eu comprei para brincar com você”, e ele respondeu: “eu sei, é a minha Xuxa”. Só em 1988 a apresentadora passou a se chamar oficialmente Maria da Graça Xuxa Meneghel. Desde então, a artista é sucesso por seu trabalho na televisão, cinema, moda e publicidade. Além de se dedicar ao trabalho profissional, a rainha dos baixinhos faz questão de estar engajada em causas sociais – principalmente naquelas ligadas à defesa e à proteção da criança e do adolescente.
Em outubro de 1989, sua crescente preocupação com os pequenos fez com que ela inaugurasse a Fundação Xuxa Meneghel, que oferece às crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social e suas famílias a oportunidade de exercer plenamente seus direitos, desenvolver suas potencialidades e ter poder de decisão sobre as questões que as afetam diretamente. Hoje, a iniciativa tem sete grandes áreas de atuação:
Arte e Cultura, Saúde, Nutrição e Agroecologia, Educação e Cidadania, Comunicação e Tecnologia, Esporte e Lazer, Família e Comunidade.
Nos últimos três anos, em parceria com outras organizações também comprometidas com a garantia dos direitos das crianças, a fundação vem participando de campanhas nacionais de advocacy, com o objetivo de conscientizar alguns setores da sociedade para questões como: violência intrafamiliar, institucional e comunitária e o uso adequado da internet. Em entrevista à Revista Filantropia, Xuxa conta a importância desse projeto em sua vida e sua dedicação ao Terceiro Setor.

RF: Há pouco mais de 20 anos, você criou a Fundação Xuxa Meneghel que, desde então, desenvolve um trabalho com crianças, jovens e suas famílias em Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro. Como surgiu a ideia do projeto?
Xuxa Meneghel:
Tudo isso começou com um sonho meu. Uma vez fui participar de um evento na Pavuna, zona norte do Rio de Janeiro, e uma senhora me convidou para conhecer a casa dela. Quando cheguei, vi que ela tomava conta de 80 crianças. Saí dali pensando: ‘Puxa, uma pessoa praticamente sem recurso nenhum consegue tomar conta de tantas crianças. Se ela pode, eu também posso e devo fazer’. Foi ali que tudo começou. Minha Fundação comemora 22  anos no dia 12 de outubro de 2011. Quando encontro jovens que frequentaram a Fundação e hoje estão trabalhando, sustentando e ajudando suas famílias, sinto uma felicidade enorme, porque eles são a família Fundação Xuxa. Vejo um sonho que cresceu, multiplicou-se e hoje atende milhares de pessoas, dando oportunidade a quem não tinha nada. Com eles, aprendi o melhor. Eles são felizes e sabem dar mais do que receber!
RF: Em todos esses anos atuando pela defesa e promoção dos direitos da criança e do adolescente, o que mais marcou você até o momento?
XM:
A falta de respeito dos adultos com as crianças.
RF: Recentemente você representou a ‘Rede Não Bata, Eduque!’ no seminário sobre Experiências de Legislação Contra Castigos Corporais de Crianças e Adolescentes. Sendo uma figura pública, qual é a importância de apoiar iniciativas como essa – principalmente quando se tem uma relação tão próxima com o público?
XM
: Trabalho há muito tempo na televisão e nunca bebi, fumei ou usei drogas. Trabalho sério. Venho de uma família grande, de pessoas que nasceram no interior. Eu venci por meio do meu trabalho. Conquistei outros países trabalhando para a criança. Tenho uma fundação por onde passam diariamente mais de 1.600 pessoas que têm oportunidade de mudar, aprender uma profissão, ter seus direitos defendidos. Então, apoiar campanhas que defendam o público que me deu tudo isso é minha obrigação como artista e cidadã. Já estou na luta contra os castigos físicos e humilhantes em crianças e adolescentes há muitos anos. Há seis, recebi da rede “Não bata, eduque!” o convite para ser porta voz da campanha. Primeiro, fiquei pensando: Como assim? Precisamos fazer uma campanha  para dizer aos adultos que está errado bater em uma criança? Mas, infelizmente, os números mostram que muitas pessoas ainda pensam de forma diferente. Quanto mais me aprofundei nas pesquisas e conversei com profissionais, mais aprendi  e descobri o quanto estamos atrasados em relação às leis de proteção à criança. Criança é um ser humano em desenvolvimento, mas não tem seus direitos respeitados como tal. Assim como evoluímos na questão da escravidão e dos direitos da mulher, precisamos  cuidar urgentemente dos direitos das crianças. Em minha opinião, o primeiro passo é aprovar a lei, que já tramita na Câmara dos Deputados, que pune a violência infantil. Quando isso for crime, muitos adultos vão pensar duas vezes antes de bater em uma criança. Se eu, adulta, bater em outro adulto, serei presa. Então, como um adulto pode, em nome da educação, bater em uma criança?
RF: Além das causas ligadas à infância, você se destaca pelo apoio ao cinema nacional e pela promoção da cultura no Brasil. Prova disso é que seus filmes já levaram mais de 37 milhões de espectadores às salas de cinema. Então, de maneira geral, qual a sua opinião sobre as políticas de incentivo à cultura no país?
XM:
Os filmes nacionais estão tendo ótimas bilheterias e, com isso, as coisas vão melhorar. 
RF: Sua preocupação com a natureza fez com que você fosse escolhida para representar o Brasil no show internacional Live Earth, realizado simultaneamente em sete países para alertar a população sobre os efeitos das mudanças climáticas na Terra. Em sua opinião, a sociedade brasileira já está mais consciente de seu papel nessa causa?
XM:
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, disse que foi feita uma pesquisa para eleger as personalidades que estivessem ligadas à causa da sustentabilidade em cada país onde o show Live Earth aconteceria. Meu nome foi escolhido para representar o Brasil devido ao meu trabalho com as crianças: por meio das minhas músicas, programas, shows, DVDs e filmes, que sempre  tiveram como tema e preocupação principal a preservação e o cuidado com a natureza e a vida em geral. Foi muito bom ouvi-lo dizer que, através da pesquisa, constatou que antes de virar “modismo” falar em sustentabilidade eu já fazia músicas e realizava trabalhos para as crianças com esses temas. E, no nosso encontro, contei a todos os presentes um fato que ocorreu dentro da minha casa: minha filha me chamou a atenção de que, ao escovar os dentes, temos de fechar a torneira. Ainda falta muito, mas nossas crianças estão recebendo mais informações sobre sustentabilidade. Quem sabe um dia vão colocar em prática tudo o que estão ouvindo, vendo e aprendendo.
RF: Em novembro de 2008, você foi homenageada pelo príncipe Albert de Mônaco com a mais alta honraria concedida a personalidades que se destacam na área social. Como foi receber esse prêmio?
XM:
Sempre achei que o que faço pelas crianças no meu país é pouco diante do muito que recebo delas, mas ter meu trabalho reconhecido entre vários trabalhos do mundo todo, ser a representante do Brasil ao receber o prêmio, foi como o reconhecimento de que estou cumprindo a minha missão. Para minha fundação foi muito importante! E para mim, que guardo a fundação no meu coração, foi o máximo!
RF: O que você faria se fosse presidente por um dia e pudesse erradicar ao menos um problema social existente no país?
XM:
Só um? Então vamos ao que engloba todos os outros: que os direitos das crianças fossem respeitados. As crianças teriam leis pra protegê-las de tudo e de todos; dos castigos físicos existentes no nosso país, da exploração, do trabalho infantil, da exploração sexual. Teriam direito à educação, saúde, moradia digna. Elas teriam de ser vistas como seres humanos e respeitadas como seres humanos, por lei.

Link
www.fundacaoxuxameneghel.org.br

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