Evento discute o investimento social privado na América Latina

Por: Renata Centelhas
01 Setembro 2007 - 00h00

Durante o Fórum de Lideranças – O Futuro do Investimento Social na América Latina, que aconteceu entre os dias 23 e 25 de setembro em São Paulo (SP), mais de 60 líderes de vários países analisaram e trocaram conhecimentos sobre o investimento social privado na região.

O evento foi uma realização do Idis em parceria com a Charities Aid Foundation (CAF) e a colaboração do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), do Centro Mexicano para Filantropia (Cemefi) e do Grupo de Fundações e Empresas (GDFE), da Argentina. Contou ainda com a presença de líderes de organizações relacionadas com o investimento social privado da América Latina, Europa e América do Norte. O objetivo era discutir as perspectivas para o investimento social no continente e promover a troca de experiências entre iniciativas de diversos países.

Segundo o presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), Marcos Kisil, o Brasil está em uma fase de transição “de uma filantropia caracterizada como atividade caritativa de caráter assistencialista para uma filantropia estratégica, que podemos chamar de investimento social em nossa região. Algumas organizações e pessoas já despertaram para o fato de que não basta apenas doar, precisa ter foco e estratégia para que atinja as causas e não apenas os efeitos socioambientais”.

O encontro mostrou que a situação na América Latina como um todo não é muito diferente da que se encontra no Brasil. “Há um progressivo despertar para a importância do investimento social, porém, em alguns países o processo ainda é incipiente. Mas um fórum como este indica que as pessoas e empresas estão cada vez mais preocupadas em investir socialmente e, assim, promover a transformação que suas sociedades necessitam”, conta Kisil.

Entre os países do continente, o Brasil ainda é o que concentra mais ações de investimento social. Isso devido não só à sua capacidade econômica, explica o presidente do Idis, mas também à ação pioneira que exerce desde que passou a construir uma infra-estrutura para o desenvolvimento e participação do setor privado na vida nacional, constituída por Gife, Ethos e Centro de Voluntariado, entre outras entidades.

Um caso importante e preocupante é o que acontece atualmente na Venezuela. “Ficamos sabendo, durante o fórum, que das 120 fundações existente nos anos de 1990, somente três sobrevivem hoje. Para governos populistas, o aparecimento de uma sociedade civil forte, representativa, preocupada com uma democracia participativa parece representar uma ameaça aos governantes que vêem o setor privado como uma ameaça aos seus projetos de poder”, conta Kisil. Ele explica que na Venezuela, assim como em muitos outros países, as entidades não enfrentam apenas dificuldade de incentivos; há também a preocupação de afastá-las das decisões que envolvem o desenvolvimento socioambiental.

Exemplos
Uma fundação a se destacar é a Charities Aid Foundation (CAF), do Reino Unido, que trabalha desde 1924 com companhias, famílias e indivíduos doadores para criar instrumentos que facilitem as doações. Segundo Kisil, entre 2005 e 2006, os doadores que se utilizam da CAF distribuíram mais de 300 milhões de libras para organizações beneficentes no Reino Unido e no exterior. “No Brasil, no ano passado, clientes do Idis investiram mais de R$ 480 milhões de recursos privados em causas sociais, isto em um universo de 61 empresas e famílias para os quais prestamos consultoria. Nesse período, o instituto disseminou diretamente sua expertise para mais de 8.000 pessoas e, desde 2005, representamos a CAF na América Latina”.

Já a Fundación Empresas Polar, da Venezuela, há 30 anos sobrevive mesmo com toda instabilidade política existente no país, contribuindo para o desenvolvimento comunitário por meio de programas de educação e saúde.

Para Michael Liffman, diretor fundador do Centro para Filantropia e Investimento Social para Ásia Pacífico da Swinburne University, em Melbourne, na Austrália, os investimentos sociais no país têm o governo como parceiro. “Mas, como está acontecendo no mundo todo, há uma expectativa de crescimento na ajuda do mercado e da sociedade civil”.

Segundo o presidente do Idis, passa a ser extremamente estratégico conhecer como os doadores estão se comportando como agentes transformadores da nossa realidade, num processo crescente de globalização “em que questões como exclusão social de grande contingente da população, combate à pobreza, busca do crescimento da cidadania, modelos para o desenvolvimento sustentável, papel das empresas frente às suas responsabilidades socioambientais se tornaram temas que progressivamente conformam a agenda de governos, organizações da sociedade civil e doadores”.

Links
www.cafonline.org.uk
www.cemefi.org
www.gdf.org.ar
www.gife.org.br
www.idis.org.br

 

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