Equoterapia:a cada trote uma esperança

Por: Juliana de Souza
01 Novembro 2007 - 00h00
No final de 2006, Pedro, um homem maduro com pouco mais de 50 anos, sofreu um grave acidente de moto que o deixou 40 dias em coma. Sua articulação, fala e capacidade de locomoção ficaram bastante comprometidas. Hoje, embora ainda longe de voltar a ser como antes, está se descobrindo um outro homem com a ajuda da equoterapia.

Luiz é um rapazinho de 15 anos no corpo de uma criança. Pesa cerca de 15 kg e possui graves deformações nos membros e na coluna. Ele sofreu um afogamento na piscina de sua casa aos quatro anos de idade. Seu corpo frágil e sua mente esperta demonstram grande prazer quando está montado no dorso do animal.

Pedro e Luiz fazem parte do grupo de praticantes da equoterapia, uma modalidade de tratamento que vem crescendo a cada dia e que já tem os benefícios reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

De acordo com Fernanda Paula Santos, fonoaudióloga e sócia do Centro de Equoterapia Paraíso, de Porto Alegre (RS), para trabalhar com o método, é necessário seguir uma série de recomendações e normas da Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil). “O profissional deve possuir uma habilitação, obtida por meio de cursos ministrados pela associação ou filiados.” Além disso, as instituições privadas devem priorizar a filantropia. “Quando a prática da equoterapia for remunerada, deve-se manter um percentual mínimo de 20% das vagas para atendimento gratuito à comunidade”, diz.

Em todo o país, existem mais de 130 centros de equoterapia, privados e sem fins lucrativos, filiados à Ande-Brasil. Todos eles são formados por equipes transdisciplinares – isso quer dizer que profissionais de várias áreas se juntam para integrar um mesmo tratamento. “Olhando de fora, certamente não será possível identificar quem é o psicólogo, o fisioterapeuta, o fonoaudiólogo ou o professor de equitação. É isso o que chamamos de equipe transdisciplinar”, elucida Amauri Solon Ribeiro, psicólogo e idealizador do Centro de Equoterapia e Qualidade de Vida (Equovida), do Rio de Janeiro (RJ).

Desde antes de Cristo

Dados históricos contam que o emprego do cavalo como motivador terapêutico data de 450 a.C., quando Hipócrates, considerado “o pai da medicina”, já aconselhava os exercícios físicos a cavalo como benéficos à saúde do homem. Especialistas explicam que o deambular do animal é o mais próximo do caminhar humano, tendo apenas 5% de diferença.

Esse movimento tridimensional favorece o acionamento do sistema nervoso, alcançando os objetivos neuromotores, como equilíbrio, consciência corporal, coordenação motora e força muscular. Além disso, “na equoterapia, a estimulação do ambiente faz com que a espontaneidade aflore o prazer de estar montado em um animal superior ao tamanho do praticante, aumentando a auto-estima e autoconfiança”, completa Fernanda.

“Costumo dizer que a equoterapia é a terapia da alma, porque ela mexe não só com a parte física do ser humano, como também com o lado psicológico. É indescritível a sensação que temos quando estamos sobre o cavalo”

Cathlen Cudo, portadora de seqüelas de paralisia cerebral

Benefícios

A equoterapia pode ser aplicada em várias áreas, como ortopédicas, neuromusculares, cardiovasculares, respiratórias, psicológicas e também educacionais. De acordo com Águeda Mendes, pedagoga e coordenadora do Centro de Equoterapia de Porto Alegre (Cepa), para que ocorra aprendizagem, é necessário que haja interação entre o indivíduo e o ambiente. “Nesse processo, fatores como a capacidade de manter a atenção concentrada, estabelecer vínculos afetivos e autoconfiança assumem um papel de relevada importância.”

Mendes elucida que “inicialmente, o cavalo é um novo problema para a criança. Quando ela começa a aprender a maneira correta de montar e descobre meios de comandar o animal, desenvolve a autoconfiança, a afetividade e também trabalha limites”. Outro aspecto importante é que o praticante deve estar concentrado durante o tempo da terapia, fato importante para o bom desempenho na escola.

A fonoaudióloga Fernanda diz que o trabalho realizado na equoterapia está intimamente ligado à fonoaudiologia, já que, além do desenvolvimento da linguagem, os órgãos responsáveis pela fala também são trabalhados. “A terapia melhora a qualidade da capacidade respiratória e da coordenação pneumo-fono-articulatória. Tudo isso aprimora o desenvolvimento da comunicação”, exemplifica.

Trabalho voluntário

Desde 1993, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Equoterapia do Regimento da Cavalaria do Estado de São Paulo desenvolve atividades terapêuticas para comunidades carentes. O programa da Cavalaria da PM conta com o trabalho voluntário de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos, para proporcionar mais qualidade de vida a crianças e adultos com deficiências de diferentes naturezas: autismo, deficiência auditiva e paralisia cerebral. Anualmente, são atendidos 40 pacientes selecionados após triagem realizada pelos profissionais voluntários. Hoje, a lista de espera para iniciar o tratamento é de cerca de 600 pessoas, que podem aguardar até cinco anos na fila.

A Associação de Equoterapia de Campinas (AEC), no interior paulista, atende atualmente 50 crianças e adolescentes com necessidades especiais educativas. Como co-financiadores do projeto estão o Conselho Municipal e Assistência Social, por meio da Prefeitura de Campinas, e a Secretaria de Educação da cidade. Fundada em 1998, a AEC conta também com uma assistente social, que realiza um trabalho de visitas domiciliares, atendimentos e orientações às famílias dos praticantes.

Umas das mais conhecidas entidades que cuidam de pessoas com necessidades especiais, a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) conta com o tratamento de equoterapia em várias unidades, como Bauru (SP), Várzea Paulista (SP), Proto Alegre (RS), Uruarama (PR), Tubarão (SC), Distrito Federal, Três Rios (RJ), entre outras. Todas as unidades recebem apoio do governo, empresas e/ou pessoas físicas para proporcionar a terapia gratuitamente à comunidade.
Ande-Brasil

Sociedade civil sem fins lucrativos de caráter filantrópico, terapêutico, educativo, desportivo, cultural e assistencial. É assim que está definida a Ande-Brasil, que se mantém com contribuições de mantenedores, convênios com entidades públicas e privadas, doações e cursos. Com atuação em todo o território nacional desde 1989, a entidade contribui com a reabilitação e educação de pessoas com necessidades especiais.

A Ande é o órgão que rege a equoterapia no Brasil, sendo responsável por supervisionar a prática, promovendo e estimulando a realização de cursos e levantamentos estatísticos. Filiada à entidade internacional de equoterapia, The Federation Roding Disabled International, conta também com o apoio da Coordenadoria Nacional para a Integração de Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), da Presidência da República.

Links
www.equo.com.br
www.equoterapia.org.br
www.equoterapia.com.br
www.equovida.com.br
http://aec-cps.sites.uol.com.br
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