Engajamento em programas de voluntariado

Por: Roberta Rossi
26 Maio 2014 - 20h37

Que ações podem ser tomadas para aumentar o engajamento de funcionários em programas de voluntariado?

O momento de conceber ou repensar um programa de voluntariado empresarial é muito importante. É aí que serão criados ou revistos: propósito, visão, princípios, sintonia com identidade da empresa, normas, governança, vínculos internos e estratégias.
Quem atua diretamente com voluntariado empresarial entende que um dos pontos mais desafiadores é a definição da(s) forma(s) de atuação dos voluntários. Para atender as expectativas de todos os envolvidos e engajar um bom número de voluntários, a empresa deve refletir e traçar a melhor estratégia.
É possível agradar e mobilizar todos? Atingir a totalidade é sempre desafiador, mas existem maneiras de oferecer opções para que a maioria tenha possibilidade de se engajar. A equipe gestora deve ter a sensibilidade de pesquisar, conhecer e reconhecer a diversidade entre seus colaboradores para facilitar a maneira como os voluntários vão atuar. A partir daí, participar ou não fica a critério de cada um.
Existem diversas alternativas que podem ser incorporadas ao programa de voluntariado, independentemente da sua política e foco de atuação. A empresa pode proporcionar novas oportunidades para ampliar a participação dos funcionários na atuação voluntária. São possibilidades interessantes:

Ações descentralizadas

Uma das maiores dificuldades, principalmente nas cidades grandes, é a locomoção. Por mais que a pessoa seja responsável e comprometida com a causa e a atividade, imprevistos podem acontecer com certa frequência, impossibilitando a participação. Se a empresa organizar ações descentralizadas em diferentes regiões da cidade, isso facilitará a atuação do funcionário.
Firmar parcerias com organizações, escolas ou projetos que tenham oportunidades de trabalho voluntário contínuas em sintonia com a visão da empresa é uma ótima estratégia. Também é possível apoiar e incentivar ações pontuais promovidas por pessoas ou instituições, como mutirões e campanhas.

Ações coletivas na própria empresa

Utilizar o início da manhã, horário de almoço e final do expediente pode ser uma boa saída para mobilizar mais gente. As pessoas podem preferir utilizar melhor esse tempo e doar essas horas estendidas para o voluntariado.
A empresa pode organizar ações voluntárias coletivas em espaços ociosos nestes horários. O ideal seriam atividades em projetos da própria empresa para aquelas que têm institutos ou fundações, e/ou estabelecer parcerias com instituições que tenham projetos que propiciem essas oportunidades.
Exemplos: digitação de documentos diversos, cadastramento de notas fiscais para entidades beneficiadas (estado de SP), transcrição de material para pessoas com deficiência visual, elaboração de projetos, elaboração de materiais de comunicação, organização de campanhas de doação de itens, entre outras.

Competições solidárias pontuais

Esses eventos são ótimos impulsionadores de programas de voluntariado. Organizar esse tipo de ação é uma maneira diferente e divertida de envolver funcionários com a temática.
Cada empresa vai desenvolver uma competição dentro das suas possibilidades e que tenha a sua cara. Pode pautar as atividades da competição adequadas ao seu foco de atuação ou permitir algo mais geral, já que se trata de uma ação de incentivo e degustação do trabalho voluntário.
O cardápio de ações da competição pode ser bem variado, com atividades presenciais ou à distância e que beneficiem organizações da sociedade civil, escolas ou outros projetos interessantes.
A divisão das equipes pode ser por área, por localização (andar/prédio) ou por escolha dos próprios voluntários.
O contato dinâmico e lúdico com ações cidadãs promove a integração dos funcionários, amplia o relacionamento entre pessoas de diferentes níveis hierárquicos e departamentos numa experiência de competição que envolve a cooperação em busca de resultados efetivos. Aproveitar ano de Copa do Mundo ou ano de Olimpíada pode ser bem interessante.

Voluntariado à distância

A tecnologia facilitou muito a forma de fazer trabalho voluntário. O uso de computadores e telefones celulares aproximou quem vai doar seu tempo com quem vai receber a ação.
É tendência que as empresas também considerem o voluntariado à distância em seus programas, pois a falta de tempo e dificuldade de locomoção podem ser resolvidas com essa modalidade.
A ideia é que o voluntário realize as atividades no seu tempo livre, onde quer que esteja. O compromisso é entregar a tarefa no prazo por e-mail, por qualquer plataforma digital disponível pela instituição ou até presencialmente, caso seja necessário.
São muitas possibilidades: elaboração e gestão de projetos diversos, captação de recursos, pesquisas, capacitações por meio do ensino à distância, tradução de materiais, consultorias administrativas, contábeis e de comunicação, programação, design de produtos, web design, divulgação online, desenvolvimento de conteúdo e muitas outras a serem pensadas pela instituição e pelo voluntário.
Muita gente está esperando uma oportunidade mais flexível para se engajar em causas sociais. Para que a empresa tenha um programa efetivo, deve refletir e fazer algo sobre isso.
Lembrando que um programa de voluntariado assume a visão e a prática das relações da empresa com a sua comunidade e com os desafios da sociedade. Por isso, é estratégico posicionar a empresa nesse contexto e desenvolver um programa que seja adequado à sua realidade.

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