Engajado desde pequeno

Por: Instituto Filantropia
21 Agosto 2019 - 00h00

5222-aberturaQuando era pequeno, uma vez por mês era levado pela mãe em visitas a creches. Se por um lado doava parte de suas roupas, por outro brincava com as crianças que viviam nas instituições.

“Eu adorava interagir com aquelas crianças. Eu gostava de fazer parte daquilo, de sentir que elas se aproximavam de mim de igual para igual, porque não tem de haver diferença. Em casa, sempre se ensinou a importância de cuidar do próximo, saber o lugar de cada um e respeitar a todos, independentemente de quem fosse, fazer o bem, ajudar aqueles que precisam”, lembra.

Nascido em 1997 no Rio de Janeiro e atualmente cursando administração de empresas na FAAP, em São Paulo, Enzo é um dos fundadores do Instituto Dadivar, organização sem fins lucrativos que busca fomentar a cultura de doação no Brasil, auxiliando na definição da essência social de marcas pessoais e institucionais, com o objetivo de melhores práticas para o investimento social.

Fundada em 2017, a ONG conta com colaboradores no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Paraíba, entre webdesigners, jornalistas, administradores e advogados. Para fomentar a cultura de doação do país, o Instituto Dadivar atua na captação de recursos com o apoio de celebridades e de empresas, conforme salienta o diretor-executivo da organização, na entrevista a seguir.

Revista Filantropia: O que moveu você a fundar o Instituto Dadivar?
Enzo Celulari: Eu sempre quis empreender com o social. Digo sempre que eu vim ao mundo com a missão de fazer o bem e ajudar aqueles que precisam. Dando vida à Dadivar, junto com os meus parceiros de empreendedorismo, Lucas Fox, da área de tecnologia, e Danilo Tiisel, advogado especializado em consultoria social, começamos a traçar o nosso objetivo de reunir as maiores vozes do país para fazer o bem. Unimos nossas forças e nossas vontades para revolucionar o mercado de doações no Brasil.

Revista Filantropia: É um empreendimento social? Como se remunera?
Enzo Celulari: Na verdade, é um conjunto de iniciativas sociais, tendo o Instituto como coração de toda essa operação. Dentro do Instituto, temos três formas de captação. A primeira são as campanhas de experiências, apadrinhadas por artistas, em que mobilizamos o público fã a apoiar uma causa e/ou um projeto específico. A segunda forma são as ações de marketing relacionado à causa (MRC), que podem incluir empresas, restaurantes, marcas de moda ou cosméticos etc. E por último, um programa de mantenedores no qual pessoas físicas e jurídicas conseguem contribuir, de forma recorrente, com o trabalho do Instituto Dadivar. Tanto as campanhas quanto as ações de MRC têm um valor retido para ajudar a manter as operações do Instituto.

Revista Filantropia: Quando foi fundado, sobre quais conceitos ela atua e qual a missão?
Enzo Celulari: Criamos o Instituto Dadivar em 2017 acreditando que todos têm uma causa que gostariam de apoiar. O Instituto tem como missão unir grandes marcas pessoais ou institucionais à sua essência social. Vimos que existia essa brecha e muita insegurança entre pessoas com alto poder de influência que não apoiavam publicamente uma iniciativa social por receio ou por não confiarem no projeto. Foi justamente essa segurança que a gente quis oferecer aos padrinhos e madrinhas das nossas campanhas e às marcas institucionais que são nossas parceiras.
No futuro, queremos que a Dadivar se torne uma referência no Terceiro Setor, que consiga renovar constantemente dentro e fora desse mercado, trazendo o novo ao Terceiro Setor e multiplicando a força da doação, da filantropia, do ajudar o próximo, àqueles que realmente precisam no Brasil.

Revista Filantropia: Quais são os projetos desenvolvidos e os que celebridades já participaram, e como elas contribuíram?
Enzo Celulari: Começamos em 2017 com o foco em campanhas com artistas que são grandes influenciadores. Eles apadrinhavam nossas campanhas, o público contribuía com valores em dinheiro e em troca concorria a uma experiência com essas celebridades. O valor arrecadado era investido em projetos e instituições sociais de todo o Brasil, como o Retiro dos Artistas, as Aldeias Infantis SOS e a ONG Solar Meninos de Luz, no Rio de Janeiro, o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, e a Ampara Animal, em São Paulo, entre outros. Já participaram das campanhas a cantora Anitta, as atrizes Claudia Raia, Fernanda Souza, Paloma Bernardi e Thaila Ayala, o humorista Paulo Gustavo e a apresentadora Fernanda Gentil.
Em 2018, demos início a projetos de marketing relacionado à causa, quando começamos a fazer parcerias com marcas como os restaurantes Paris 6 e Aragon, com a clínica Connect Care e com a grife Estilé By BV. No acordo com o Bistrô Paris 6, R$ 1,00 de cada “Almoço Parisiense” vendido, o prato executivo da casa, é doado para o Fundo Social Dadivar. No restaurante Aragon, R$ 2,00 da sobremesa “churros com doce de leite”, carro-chefe entre os doces da casa, são revertidos ao Fundo.
Na clínica Connect Care, são incluídos R$ 5,00 na cobrança de todos os exames e atendimentos, e o cliente opta por pagar ou não esse valor a mais. A parceria com a Estilé By BV foi nossa primeira experiência com moda, em que produzimos juntos uma bolsa superestilosa – a clutch Blue Domino, e 75% das vendas são destinadas à continuidade dos cursos de educação via software para jovens carentes da ONG Aldeias Infantis SOS Brasil. O Fundo Social Dadivar gerencia o valor doado para o apoio de organizações sem fins lucrativos que atuam em áreas sociais e/ou ambientais.

Lucas Fox e Enzo Celulari

Revista Filantropia: Como é o trabalho de captação com essas celebridades? Tem alguma projeção até o fim de 2019?
Enzo Celulari: O Instituto Dadivar tentou passar, desde o primeiro dia, a confiança diante de grandes personalidades, funcionando como gestor e/ou parceiro social recorrente. Mais uma vez, entendendo a insegurança e o receio de personalidades ao se atrelarem ou não a uma iniciativa social, cada vez mais aumentamos nossa credibilidade com o apoio a esses artistas dentro do âmbito social.
Para este ano, temos trabalhado muito em nossa relação com marcas institucionais com o objetivo de tornar nossas campanhas de arrecadação coletiva em campanhas publicitárias sociais. E, com isso, atingir a soma de muitas contribuições com os players: artistas, doadores (físicos) e empresas.

Revista Filantropia: Como seleciona as entidades beneficiadas e desenvolve o trabalho com elas?
Enzo Celulari: Todas as entidades apoiadas pelo Instituto Dadivar passam por um protocolo de verificação que inclui análise da procedência, confiabilidade e transparência. Este protocolo é realizado pela Social Profit, consultoria de impacto social liderada por Danilo Tiisel, advogado especializado em consultoria jurídica para o Terceiro Setor e também fundador do Instituto Dadivar. Além disso, somos parceiros do Instituto Doar e compartilhamos critérios de seleção das ONGs, utilizados na certificação que o Instituto Doar disponibiliza.
Conseguimos, através dos nossos especialistas do Terceiro Setor e de tecnologia, orientar não só os doadores a apoiarem instituições sérias e com credibilidade dentro do mercado, como as celebridades que se unem à Dadivar e às nossas campanhas para abraçarem causas sociais confiáveis e transparentes. Além disso, temos, cada vez mais, trabalhado com assessoria e orientação para OSCs a fim de profissionalizar e aprimorar a sustentabilidade dessas instituições.

Revista Filantropia: O fato de ser filho da Claudia Raia e do Edson Celulari colaborou de que forma para facilitar o acesso às celebridades? 
Enzo Celulari: Eu me tornei uma pessoa pública 100% por ser filho dos meus pais. E comecei a perceber que eu poderia usar isso a meu favor. O poder de influência e de mobilização que eu tenho poderia ser usado para o bem e foi nisso que eu me apoiei: no meu poder de comunicação, no meu networking e em uma credibilidade que tenho no âmbito social. Eu consigo hoje usar não só o meu espaço como o espaço da Dadivar nas redes, das madrinhas e padrinhos de campanhas que promovemos para viabilizar e mobilizar em prol dessa cultura de doação no país e do apoio genuíno a iniciativas sociais.

Revista Filantropia: Você acredita que o engajamento social deve ser visto como “obrigatório” pelas celebridades?
Enzo Celulari: Na minha opinião, dentro do Terceiro Setor, se houvesse a obrigação dos artistas, consequentemente existiria essa mesma obrigação de pessoas físicas ou de empresas. Por isso, dentro da Dadivar, prezamos muito mais pela total transparência e seriedade dos projetos apoiados para diminuir, com isso, o receio da sociedade como um todo diante do apoio social.
No ano passado, por exemplo, nos unimos à agência SUBA com o intuito de trazer uma nova linguagem às nossas campanhas sociais para criar experiências físicas e de conteúdo que transformam marcas, engajam pessoas e geram resultados para os talentos e para as causas que apoiamos.

Revista Filantropia: Como você analisa a necessidade de o Brasil precisar de uma cultura de doação, principalmente levando em conta que o país caiu do 75º para o 122º lugar – entre 146 países pesquisados no World Giving Index 2018 (Ranking Global de Solidariedade)? O que acha que pode ser feito para a criação dessa cultura?
Enzo Celulari: O trabalho é muito mais de conscientização e aproximação do público doador (que não é pequeno) do que tentar tornar o brasileiro alguém mais solidário. A Dadivar acredita que essa cultura de doação tem diminuído não pela falta de solidariedade, mas pela falta de confiança.

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