Em busca de abrigo e proteção

Por: Revista Filantropia
01 Julho 2010 - 00h00

Somente em 2009, mais de 43 milhões de pessoas fugiram de seus países de origem por causa de conflitos. O motivo? Perseguição por raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas. Preconceito. É o que ainda leva milhares de pessoas em todo o mundo a viverem fugindo.

Números recentes do relatório Tendências Globais, divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), revelam que a cifra de refugiados mundiais é a maior desde a metade dos anos 1990 e que o número de repatriados aos seus países de origem é o mais baixo nos últimos 20 anos.

Apesar disso, o número médio de refugiados é ainda considerado estável – está em torno de 15,2 milhões de pessoas, sendo que dois terços desse total vivem sob os cuidados do Acnur e o restante é assistido por uma agência da ONU que se dedica somente a refugiados palestinos.

O relatório mostra também que apenas 251 mil refugiados retornaram para casa em 2009 – o menor número desde 1990. Nos últimos dez anos, os retornos voluntários chegavam a cerca de 1 milhão por ano. Atualmente, mais de 5,5 milhões de refugiados sob os cuidados do Acnur estão em situação prolongada de exílio – cinco anos ou mais – e a ONU acredita que esse número deve crescer, pois são cada vez piores as condições para essas pessoas voltarem para suas casas, uma vez que as situações de conflito são constantes.

O Acnur protege, assiste e busca soluções para os refugiados, e os que chegam ao Brasil podem contar também com o apoio da Cáritas, entidade composta por 162 organizações presentes em 200 países e territórios. Segundo Heloisa Santos Nunes, coordenadora do Serviço de Atendimento a Refugiados da Cáritas do Rio de Janeiro, o atendimento é feito em convênio com o Acnur. “Desenvolvemos diversas ações e projetos para ajudar os refugiados, tanto em relação às questões legais, como documentação, quanto em relação à sua sobrevivência e integração no país”, explicou.

Uma vez no Brasil, os refugiados participam de cursos do nosso idioma, recebem encaminhamento para formação profissional, escolar etc. “Os refugiados encontram por aqui problemas semelhantes aos que enfrentam os próprios brasileiros na busca por trabalho e moradia, acrescentando-se, no entanto, o grave fato de que a maior parte deles não possui dinheiro ou sequer documentos”, aponta Heloisa.

Apesar da assistência dada e do trabalho realizado há anos – inclusive junto à sociedade – eles ainda são vítimas de discriminação. “Como qualquer outro brasileiro ou estrangeiro eles sofrem preconceitos, seja por causa de sua origem, sua cor ou por qualquer outra característica. Embora não sejamos um país conhecido por sua repulsa a estrangeiros, muitas pessoas confundem refugiado com foragido”, acrescentou a coordenadora.

Outros números

O relatório Tendências Globais apontou também que o número de pessoas que se deslocaram por conflitos em seus próprios países – os chamados deslocados internos – cresceu 4% e chegou a 27,1 milhões ao final de 2009. Em relação ao reassentamento – que transfere refugiados de um país onde se concedeu refúgio uma primeira vez, mas não há mais condições de proteção ou integração, e a transferência para outro se faz necessária –, o Acnur recebeu um número recorde de pedidos no ano passado: 128 mil pessoas, o maior nos últimos 16 anos.

Durante a última década, pelo menos 1,3 milhão de refugiados se naturalizou nos países de refúgio – mais da metade nos Estados Unidos.

Tendências globais

  • 80% dos 15,2 milhões de refugiados do mundo vivem em países em desenvolvimento, sendo que mais da metade reside em áreas urbanas.
  • As situações prolongadas de refúgio – grupos de pelo menos 25 mil pessoas há mais de cinco anos no exílio – já representam mais da metade dos refugiados sob os cuidados do Acnur.
  • Aumenta o número de pedidos de refúgio por crianças desacompanhadas ou separadas: 18,7 mil casos registrados em 2009, sendo 81% deles na Europa.
  • Principais países de asilo em 2009: Paquistão (1,74 milhão de refugiados), Irã (1,07 milhão), Síria (1,05 milhão), Alemanha (593,8 mil), Jordânia (450,8 mil), Quênia (358,9 mil) e Chade (338,5 mil).
  • Cerca de 80% dos refugiados vivem na mesma região dos seus países de origem.
  • Principais países de origem de refugiados em 2009: Afeganistão (2,88 milhões), Iraque (1,78 milhão), Somália (678,3 mil), República Democrática do Congo (455,9 mil), Myanmar (406,7 mil) e Colômbia (389,8 mil). Um em cada quatro refugiados do mundo é do Afeganistão.
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