Dr. Cão

Por: Valeuska de Vassimon
01 Julho 2009 - 00h00

Em vez de mãos, jaleco e um vocabulário repleto de termos médicos, patas, pelos, latidos e um rabo que abana incessantemente. Essa é a realidade cada vez mais presente em hospitais e instituições que apostam na melhoria e no desenvolvimento do ser humano por meio do contato com animais, especialmente os cães.

“O animal fornece contato físico, facilita a comunicação e é um intermediador de atividades motoras e vários tipos de aprendizado, além de reduzir o estresse e a ansiedade”, afirma a Dra. Hannelore Fuchs, psicoterapeuta e uma das idealizadoras do Pet Smile, o bem-sucedido programa de terapia mediada por animais em São Paulo.

O projeto nasceu em 1997 com o objetivo de atender as necessidades da prefeitura de Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo, que era pioneira em mutirões de castração. Dra. Hannelore foi convidada para elaborar um projeto de visitas pré-programadas a várias instituições, acompanhada por quatro veterinários e dois cães. Hoje, sua equipe tem 15 voluntários e 16 bichos, entre eles cães, gatos e coelhos.

“Eu comecei dentro do modelo norte-americano da Teoria Facilitadora com Cães (TFC), e falo as duas linguagens: o ‘veterinês’ e o ‘psicologuês’”, brinca Dra. Hannelore, cujo projeto busca educar os animais em vez de adestrar. As visitas ocorrem duas vezes por semana em várias instituições de São Paulo, entre elas o hospital Albert Einstein. Segundo a psicoterapeuta, o foco deve estar na relação entre voluntário, bicho e paciente, em que o segundo funciona como intermediário para a melhora do terceiro.

Embora tenha começado com crianças, seu “sonho dourado” sempre foi trabalhar com idosos, objetivo que ela finalmente atingiu em 2002. “A situação de rejeição é a mesma, mas o idoso consegue verbalizar mais, além de apresentar uma situação de abandono que é permanente. Já a criança, muitas vezes, apresenta uma situação transitória, e só precisa desfocar do ambiente hospitalar”, explica.
Entre tantas visitas marcantes, Dra. Hannelore se lembra de um momento memorável ocorrido há poucas semanas em um importante hospital da capital paulista. “Assim que chegamos, a ‘chefona’ do quarto andar pediu para que visitássemos uma menina que precisava muito de nós. Ela havia sido atropelada e teve a perna amputada. Eu estava com um coelho; coloquei-o na cama e... foi de arrepiar.

Aquela mãozinha de criança, delicada e pequenina, foi apalpando a orelhinha do bicho, à medida que abria um sorriso e entoava a canção ‘Coelhinho da Páscoa’”. A criança logo interagiu com a equipe, emocionando todos os presentes na sala.

O mesmo papel de “mensageiro da alegria” é desempenhado por Dr. Chico, um labrador preto de dois anos e sete meses que visita semanalmente o Hospital Municipal da Criança, em Guarulhos. Com o auxílio de seu proprietário, Robson Dertinatti, cão e equipe procuram reproduzir o ambiente de casa no hospital para que as crianças internadas sintam-se à vontade para brincar e se distrair.

“Lembro de um menino que estava se recuperando de uma meningite e a presença do Dr. Chico acelerou sua alta hospitalar, fazendo com que ele retornasse para casa muito antes do que imaginávamos”, conta a Dra. Heloísa Helena Sampaio, médica e diretora do hospital.

Ela estuda a possibilidade de treinar alguns animais do Centro de Controle de Zoonoses para essa “amorosa parceria”. “É um sonho bastante realizável, mas ainda em fase de discussão”, complementa.
O projeto Cão Terapeuta, da ONG Cão Cidadão, em São Paulo, também promove sessões de interação entre cães, crianças e idosos enfermos ou portadores de alguma deficiência física ou mental. “A ciência já comprovou inúmeros benefícios das terapias assistidas por animais, e um fato interessante é que o simples toque em um cão provoca alterações na frequência cardíaca”, conta Wagner Zoriki, adestrador e consultor da Cão Cidadão. Segundo a adestradora Telma Nely Bezerra, a instituição também apoia e promove a conscientização de ONGs para a posse responsável de cães por meio de palestras e trabalhos desenvolvidos pela equipe.

Cão também é gente!

Um projeto semelhante, porém mais dedicado à criação e à reabilitação dos animais, acontece na zona rural de Tatuí, no interior de São Paulo, na chácara do Recanto do Vovô Bolzan. Maria Teresa Bolzan de Ângela cria incríveis 330 animais, entre cães, gatos e cavalos, há 30 anos.

“Como eu cresci rodeada de animais, aprendi que eles dão afeto às crianças”, conta a proprietária, que salvou cinco cães que iriam ser sacrificados, adaptando-os a cadeiras de rodas. “Eu quis promover a inclusão dos animais paraplégicos no ambiente das crianças para elas observarem que, apesar de diferentes, eles conseguem se locomover e viver normalmente”, afirma.

As crianças às quais ela se refere são os 160 alunos entre dois e 15 anos que frequentam a instituição, que fornece ensino, transporte e merenda escolar há mais de 15 anos na região.

Com o auxílio de Izabel Cristina Pires Figueiredo, gerente da chácara, um veterinário e quatro funcionários por canil, Maria Teresa luta por cada bicho como se fosse uma das crianças da escola.
“Nenhum bicho sai daqui, não. Só sai morto”, brinca Cristina, que logo corrige: “Quer dizer, nem assim, porque aqui tem até cemitério para eles, com plaquinhas para cada bicho”, conclui a gerente, que largou seu emprego na prefeitura para trabalhar com os animais.

Saiba mais sobre a Terapia Facilitadora com Cães (TFC)

A TFC é a utilização do contato com o cão para fins terapêuticos, em uma abordagem multidisciplinar que busca o crescimento psicológico e social e contribui para o aprimoramento da psicomotricidade, impulsionando as potencialidades e minimizando a deficiência do ser humano.

Sua origem data de 1792, no Retiro York, na Inglaterra, em uma instituição mental em que os pacientes participavam de um programa alternativo de comportamento que consistia na permissão de cuidar de animais de fazenda como reforço positivo.

Em 1867, a mesma técnica foi usada com pacientes psiquiátricos em uma instituição na Alemanha, mas somente na década de 1960 foi publicado um estudo nos Estados Unidos que comprovava os benefícios da TFC em pacientes com desordens mentais e físicas.

No Brasil, somente a partir dos anos 1990 foram implantados os primeiros centros de atendimento de terapia assistida por animais e relevantes estudos científicos. Segundo dados do PhD. Dr. Dennis C. Turner, presidente da Associação Internacional das Organizações Homem-Animal (IAHAIO), 30% dos psiquiatras e psicoterapeutas envolvem animais em suas práticas clínicas no Brasil.

Links
www.caocidadao.org.br
www.svcpa.org
www.vovobolzan.com.br

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