Mauricio de Sousa

Por: Thaís Iannarelli
01 Março 2009 - 00h00

A Turma da Mônica, idealizada por Mauricio de Sousa, é muito conhecida. Como prova disso, basta perceber como é difícil encontrar alguém que não a conheça, ou que não tenha passado a infância acompanhando as aventuras de seus carismáticos personagens.

Aproveitando a influência que Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e companhia têm sobre as crianças, há 11 anos seu criador inaugurou o Instituto Mauricio de Sousa, com o intuito de ensinar conceitos de cidadania, educação, saúde e meio ambiente.

Passando por gerações, seus personagens começaram a nascer em 1959, com a criação do Bidu e, em 1970, surgiu a revista da Mônica. Mauricio já recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais graças a sua forma descontraída de ensinar valores importantes a crianças de todas as idades, classes sociais e nacionalidades.


Revista Filantropia: O que faz, exatamente, o Instituto Mauricio de Sousa?

Mauricio de Sousa: Trabalhamos efetivamente com educação, saúde, meio ambiente e cultura, e fazemos projetos para governos, parceiros do Terceiro Setor e empresas. A nossa estratégia é pensar sempre na criança como protagonista e, por isso, utilizamos muito nosso material em sala de aula. Então as crianças participam, são treinadas e informadas por meio de atividades lúdicas para entender de determinado assunto, como o combate ao desperdício de energia ou o consumo consciente, por exemplo. Depois, ela vai atuar na comunidade, se tornar uma multiplicadora. Pelos resultados, percebemos que a criança incorpora melhor os conceitos e sente que pode modificar as coisas. O nosso público principal é o infantil, mas também atingimos as famílias e a comunidade com as atividades nas escolas. Trabalhamos também em hospitais para informar e dar carinho às crianças internadas.

RF: E como surgiu a idéia de criar o instituto?

MS: No começo, só fazíamos história em quadrinhos, mas percebemos que os personagens tinham muita força junto à criançada. São personagens totalmente “ecumênicos”, todo mundo gosta. Então, a primeira vez que me procuraram para fazer uma revista com enfoque social foi para falar sobre economia de água. Até então, sem o instituto, passamos a fazer revistas sobre outros assuntos, como meio ambiente e vacinação, utilizando os personagens. Resolvi criar o instituto quando percebi que estávamos fazendo praticamente uma revista por mês com esse enfoque. Hoje somos uma Oscip, e vimos que é muito fácil trabalhar com os professores, que cresceram lendo a Turma da Mônica e gostam de usar nossos personagens.

RF: É possível mensurar quantas pessoas são beneficiadas pelos projetos?

MS: É impossível. Para se ter uma ideia, somente uma de nossas publicações, o Estatuto da Criança e do Adolescente da Turma da Mônica, teve uma tiragem inicial de 26 milhões de exemplares, sem contar as que vieram depois. Mas também, não nos preocupamos com esses números. Queremos que as pessoas se informem e adquiram conhecimento. E tem mais, as publicações do instituto não estão nas bancas, elas vão direto para a mão da criança, para a família, então se torna uma coisa irradiante. Mesmo nas nossas publicações normais, os personagens já têm hábitos diferentes. O Cascão não brinca no lixo há anos e a Mônica ficou até mais tranquila, não está mais batendo no Cebolinha.

RF: Como é a atuação do instituto na América do Sul?

MS: Existe um projeto novo que fazemos com o governo chamado Amizade sem Fronteiras, com o objetivo de explicar para as pessoas, e não só para as crianças, as vantagens de as populações dos países do Mercosul se unirem, interagirem culturalmente. É um dos meus projetos mais preciosos, e o site fala tudo sobre essas nações, não só os dados gerais, mas as brincadeiras típicas e costumes. Outra atividade interessante, embora não tenha sido feita pelo instituto, aconteceu na América Central e teve grande impacto. Era uma área muito carente, onde as crianças morriam de desidratação porque não tinham cuidado com a higiene e contraíam doenças, como disenteria. Aí apresentamos o Cascão com cartazes e livros e, depois, o fizemos lavar as mãos após usar o banheiro. Com isso, a curva de mortalidade caiu muito, ou seja, vimos que é possível mudar hábitos com uma brincadeira.

RF: E em outros países do mundo?

MS: Nós fazemos algumas coisas fora do instituto justamente por não serem no Brasil. Agora, por exemplo, estamos realizando campanhas de alfabetização na China, em parceria com a BBC de Londres, além de passar valores de ética e cidadania. O material em chinês já atingiu 180 milhões de crianças. E mais, eles têm tanta curiosidade sobre o Brasil que a primeira revista é sobre o descobrimento do nosso país. O governo de lá está mais preocupado com educação, meio ambiente, estrutura familiar, então decidimos colaborar. A grande novidade agora, até para nós, é que uma grande editora chinesa está interessada em publicar algumas revistas feitas pelo instituto.

RF: Quais são as suas perspectivas para o futuro do Instituto Mauricio de Sousa?

MS: Atualmente, o instituto funciona no mesmo espaço físico da Mauricio de Sousa Produções, mas ele vai virar algo tão grande que vai se afastar da empresa. Eu ainda não gosto da proximidade geográfica das duas coisas. Queremos que ele cresça junto com os personagens, que estão amadurecendo agora, com a Turma da Mônica jovem lançada recentemente. Ainda quero fazer muita coisa, atuar com as forças vivas do Terceiro Setor, outras organizações, empresas e governos de muitos países. Temos que fazer essas parcerias para aprendermos juntos a enxergar objetivos maiores.

RF: O instituto foi criado há 11 anos. Você vê mudanças na área social no país, de lá para cá?

MS: Claro que sim. E nós estamos colaborando para uma mudança de mentalidade, de paradigmas. Hoje é melhor ainda, a criança está mais bem preparada e mais consciente em relação ao tipo de mensagem que passamos aqui. E a mudança de dez anos para cá é incrível. Não sei de onde veio essa onda toda, mas como disse Barack Obama no dia de sua posse, o mundo mudou, e nós temos de mudar também. Isso está acontecendo com as crianças e jovens. Um exemplo é meu filho que, quando tinha quatro anos, chamou a minha atenção porque eu estava escovando os dentes e deixei a torneira aberta. Ele disse: “Pai, fecha essa torneira. Senão vai acabar a água do mundo!” Dramático, eu sei, mas funcionou. Eu nunca mais deixei a torneira aberta.

RF: Todos sabem da difícil realidade do mundo, com tanta fome e pobreza, mesmo com o crescente número de projetos sociais. Como você se posiciona em relação a isso?

MS: Acho que a busca por melhorias faz parte da natureza humana. Algumas pessoas mais sensíveis, ou até românticas, procuram a felicidade, mas acho que não devemos nos preocupar com isso. A gente precisa procurar uma qualidade de vida equilibrada, que nos permita pensar em futuro, na família e, obviamente, que fiquemos longe da fome, da falta de escola e de saúde. Claro que há acidentes de percurso, como guerras e perseguições religiosas, mas mesmo assim a busca por melhores dias é inerente ao ser humano. O necessário é que os trabalhos como os que fazemos no Terceiro Setor se unam e avisem as pessoas de que elas têm não só, naturalmente, essa vontade, mas também têm direitos. Por isso, se a pessoa sentir que quer, pode, deve e merece crescer e, ainda, que tem direito a isso, não há o que errar. É difícil, sim. Talvez essa mudança venha com as gerações, mas sem dúvida estamos caminhando para isso.

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www.institutomauriciodesousa.com.br

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