Doar para quê, mesmo?

Por: Leonardo Letelier 
04 Julho 2014 - 16h39

Em 2013, o Brasil foi classificado como a 7ª maior economia do mundo. Nesse mesmo ano, nosso país ocupou a 85ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e, segundo o GINI, é o 17˚ país mais desigual do mundo.
Não faltam dados para demonstrar os enormes desafios sociais que o Brasil ainda tem pela frente. Porém, se acreditamos que é possível enfrentá-los sem esperar pelo governo ou pelo mercado, provavelmente concordamos que uma sociedade civil independente, organizada e desenvolvida é parte fundamental deste processo.
Isto requer recursos. Isto requer doações. Segundo estimativas, o Brasil destina anualmente cerca de R$15 bilhões para doações. Pode parecer muito, mas levando-se em conta a existência de quase 300 mil ONGs no país, estamos falando em uma média de R$5 mil por mês para cada. Com este orçamento, qual seria o impacto de uma empresa? Qual seria sua força e quanta mudança ela seria capaz de gerar?
Os brasileiros são muito solidários em momentos de urgência – é verdade –, mas é preciso desenvolver uma cultura permanente de doação. Se queremos uma sociedade melhor, todos nós precisamos nos engajar em sua construção.
Ainda não é isso que observamos. De acordo com o World Giving Index, índice que avalia se pessoas de 146 países fazem doações em dinheiro, trabalhos voluntários ou se dispõem a ajudar pessoas estranhas, apenas 23% dos brasileiros se declararam doadores regulares. De acordo com esta pesquisa, em quantidade de recursos totais aplicados para doação, o Brasil aparece apenas numa não-honrosa 91ª posição mundial.
O que vemos é um grupo cada vez maior de pessoas tomando decisões sobre suas vidas preocupado com o legado que vai deixar para o mundo. Há uma clara tendência de profissionais buscarem aliar propósito à sua atuação profissional. Alguns, inclusive, abdicam de carreiras tradicionais a fim de se dedicar ao desenvolvimento de projetos sociais, culturais ou ambientais.
Por outro lado, a maioria das pessoas não vai abrir mão de seus planos para ingressar nesta seara e, com isso, se sentem presos a uma falsa dicotomia entre aqueles que trabalham para o “bem comum” e aqueles que trabalham para o “bem próprio”.
Doações são a principal arma para escancarar de vez esta falsa dicotomia. Foi pensando nisso que a SITAWI – Finanças do Bem iniciou a campanha Doe Mais Doe Melhor. Uma campanha que busca reunir e disseminar histórias de doação com o objetivo de demonstrar o papel que todos podem ter no desenvolvimento de uma sociedade mais justa. Partimos do pressuposto de que qualquer mudança social significativa depende não apenas dos atores diretamente envolvidos mas da sociedade civil como um todo.

Escutamos frequentemente uma série de razões pelas quais as pessoas não doam, mas, em nossa opinião, todas elas escondem certa falta de disposição em se engajar: Não confia em ONGs? Invista seu tempo em encontrar uma que valha sua confiança. Visite a organização, converse com os beneficiários, marque uma reunião com seus diretores executivos! Não tem tempo? Bom, existem diversas plataformas
on-line que selecionam criteriosamente as ONGs com as quais trabalham. Não existem incentivos fiscais? Há várias coisas que não têm, e ainda assim nós as fazemos. Não estamos argumentando contra incentivos. Porém, eles só fazem a diferença depois de você fazer tudo que pode sem eles. Não tem dinheiro? Pense em todas as coisas que fez no ano passado — casou-se, comprou uma casa, viajou para aquele lugar que você sonhou por anos. Existe alguma coisa muito importante que você não poderia ter feito caso tivesse doado R$50, R$500, ou R$5.000? Para cada pessoa, existe uma quantidade que funcione como orçamento filantrópico. E uma vez que você começar a doar, você identificará rapidamente o que mexe com você, aquilo que toca em seu senso de propósito e o orçamento naturalmente se ajustará àquilo que ele deveria ser.
O objetivo da campanha Doe Mais, Doe Melhor é resignificar as doações como um selo de participação social. Doar é — e precisa ser reconhecido como tal — um meio efetivo de participar na construção de um país melhor.
Por isso a campanha vai atrás de histórias de filantropia — utilizando como “chave” o sentimento gerado pela doação — de forma a incentivar novos doadores e, em conjunto, produzir um enorme impacto social.
Quer participar da campanha? Acesse o site, inspire-se e compartilhe a sua história de doação conosco. 

mapa do world giving index 2013

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