Valdir Cimino

Por: Thaís Iannarelli
01 Janeiro 2011 - 00h00

Contar histórias de forma lúdica e divertida e levar ao ambiente hospitalar criatividade e interação por meio da ação de voluntários são as principais atividades do Viva e Deixe Viver, instituição fundada por Valdir Cimino em 1997, que tem como missão levar educação e cultura para a área da Saúde.

Publicitário, Cimino já trabalhou em empresas como C&A, Rede Globo e MTV, sempre com comunicação e marketing, mas passou a conhecer mais sobre o Terceiro Setor em viagem aos Estados Unidos, quando atuou como voluntário na instituição English in Action. Nessa instituição, que atendia o público de Terceira Idade, estrangeiros conversavam com os idosos e liam para os acamados – ao mesmo tempo em que praticavam a língua, faziam companhia para as pessoas. Porém, para se tornar voluntário havia um processo seletivo extenso e detalhado, com o objetivo de conhecer muito bem o perfil das pessoas.

Esse processo acabou sendo usado como inspiração por Cimino e colocado em prática também no Viva, com adaptações. Em entrevista à Revista Filantropia, celebrando a Década do Voluntariado, ele fala sobre o voluntariado na sua instituição, no país e no mundo.

Revista Filantropia: Como a experiência nos Estados Unidos despertou seu interesse pelo voluntariado e pelo Terceiro Setor?

Valdir Cimino: A organização da ONG de lá me chamou muito a atenção. Para ser voluntário, passei por entrevista, dinâmica, um processo longo, e perguntei quando seria voluntário. Disseram-me que estavam traçando meu perfil, precisavam saber o que eu gostaria de saber, quanto tempo teria para disponibilizar, além da responsabilidade de colocar um voluntário dentro da casa de alguém, ou seja, não dava para ser um processo corrido. Foi aí que percebi a importância do processo de profissionalização do ato voluntário.

RF: Você considera importante profissionalizar o voluntariado?

VC: Sim. Podem dizer que voluntário não é profissional, mas é, sim. Quando o indivíduo faz bem feito, focado, é treinado para aquilo. A gente quer um retorno, e esse retorno pode ser a melhora de uma pessoa, a economia de esparadrapo, o que for, tudo exige técnica. Então, isso me chamou a atenção, o fato de fazer um treinamento, com muita informação. Além disso, trazia muita consciência de como cuidar da sua própria saúde. Achei interessante, porque é uma ONG que promove a saúde da própria pessoa que é voluntária.

RF: E como surgiu a ideia de fundar o Viva e Deixe Viver?

VC: Voltei a trabalhar na Rede Globo e, de 1992 até 1997, dediquei-me ao voluntariado de forma passiva. Contribuíamos com dinheiro e bens materiais, como brinquedos e materiais escolares para as crianças do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo. Quando entrei no hospital, fiquei até com desgosto, não tinha brincadeira, nem espaço para as crianças estudarem. Então a criança ficava doente, três meses internada já perdia a escola, estímulo para leitura, tudo. Então pensei que, se pudéssemos promover a leitura, trazer a escola e o brincar, seria interessante. O Viva começou assim, testando. No fim, o ato de brincar entrou para levar o lúdico e para transformar o livro em uma coisa gostosa.

RF: Que tipos de informação são passadas no treinamento dos voluntários?

VC: Começamos a investir na causa da saúde, achamos importante cuidar da nossa saúde também. Trazemos informações sobre como é estar dentro de um hospital, preparar o lado psicológico, a administração do tempo. Fomos acumulando técnicas e, em paralelo, atividades lúdicas, como o ato de contar histórias, a importância do livro, a impostação de voz. Fomos ganhando força e também sensibilizando os profissionais de saúde. Percebemos que, com as histórias, você pode tranquilizar as crianças e encorajá-las também.

RF: Como é a atuação do Viva e Deixe Viver no Brasil?

VC: Temos uma rede de 83 hospitais, em sua maioria, públicos. Estamos em 21 cidades e temos 1.200 voluntários. Porém, o trabalho voluntário no Brasil ainda tem esse ranço do ‘faço quando quero, quando estou afim’. Então, nesses 14 anos de existência da instituição, para se ter uma ideia, mais de 17 mil pessoas passaram pelo processo de seleção. Percebemos que quem fica, fica para mudar mesmo, se enquadra no perfil do voluntário que queremos.

RF: Em 2011, comemora-se a Década do Voluntariado, lembrando a data instituída pelas Nações Unidas em 2001. Como você vê a década e o desenvolvimento das ações de voluntariado no Brasil?

VC: Eu acho que o Ano do Voluntariado, em 2001, ajudou as empresas a acordarem para a questão. Começaram a construir departamentos, mas depois que a ‘bolha’ passou, começaram a rever tudo isso. Não adianta você montar um departamento para cuidar disso quando, na verdade, pode-se delegar para uma ONG, ou abraçar uma causa. Então, acho que temos muito a andar, mas esses dez anos trouxeram mudanças significativas, principalmente na sensibilização do próprio cidadão. Além disso, o assunto está dentro das escolas, do ensino fundamental, já envolve as crianças. De cara posso dizer que houve uma conscientização muito maior sobre como podemos ajudar o próximo. O que falta agora é essa visão da constância das ações. Como falei, o voluntariado no Brasil é muito ‘faço quando quero’, então o indivíduo às vezes quebra uma corrente, porque começa e não termina. Por isso as ONGs devem estar preparadas para saber qual o perfil que procura.

RF: Em momentos de tragédia, como a que recentemente aconteceu no Rio de Janeiro, vemos uma grande obilização da população brasileira em termos de voluntariado. Qual é a sua opinião sobre esse tipo de ação voluntária?

VC: Temos que imaginar que, no meio desses voluntários, há os constantes e os não constantes. O que acontece nas grandes tragédias é que aflora o lado humano do indivíduo. Nesses momentos percebemos como somos, de fato, doadores. É doação de tudo quanto é lado, então o indivíduo se coloca no lugar do outro. Porque, em uma tragédia, você pensa que poderia ser você naquela situação. No nosso dia a dia não somos acordados para isso. Nesses momentos é que percebemos o quanto a humanidade se ama, quanto as pessoas são próximas umas das outras.

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