Descarte que gera recursos

Por: Valeuska de Vassimon
01 Março 2008 - 00h00

Uma ação simples, porém grandiosa, resulta em benefícios cada vez mais significativos para as organizações sociais: a doação de equipamentos de informática. Seja para uma organização pequena, uma instituição criada para lidar com a questão da inclusão digital ou até mesmo um centro que desenvolve parcerias com o governo federal, essa é uma medida bem-vinda e cada vez mais freqüente, que pode ser tomada por pessoas físicas ou grandes empresas.

“Antes, as pessoas chegavam em qualquer dia e horário para doar um computador, porque não tínhamos muita divulgação”, lembra Fagner Victor de Lima, técnico de hardware que auxilia no controle de estoque do Comitê para Democratização da Informática (CDI) – entidade que hoje se tornou referência no assunto.

A ONG promove a apropriação social da tecnologia e arrecada, por meio de campanhas anuais e parcerias com grandes empresas – como o Banco Real e a Sul América –, computadores, impressoras, monitores, scanners etc. “Todos os equipamentos recebidos são analisados, limpos e embalados, com destino aos cursos de informática e cidadania de nossas comunidades”, explica Fagner.

O encaminhamento de materiais doados em boas condições de uso para entidades parceiras também é uma ação da ONG Sampa. “Nunca vendemos o material. A maior parte é doada para uma cooperativa do Capão Redondo em que os garotos trabalham com recondicionamento de equipamentos”, conta Mauricio Falavigna, diretor executivo da entidade.

No entanto, é comum os equipamentos doados serem utilizados na própria instituição que os recebe. O projeto Arrastão, em São Paulo, acaba de inaugurar a ampliação de seu espaço mobiliado pelas máquinas doadas. “Quando é necessário realizar pequenos reparos e a relação custo-benefício compensa, encaminhamos os equipamentos para a técnica”, explica Tony Marlon, responsável pela comunicação da instituição.

Se o material doado é danificado e o próprio doador tem consciência da situação, a ONG informa sua comercialização com o fim de reverter o dinheiro para a entidade. O CDI São Paulo, por exemplo, às vezes recebe máquinas praticamente quebradas, que vão direto para os lotes de sucata da instituição. Outro caminho alternativo e que promove a conscientização ambiental é reciclar o material recebido.

O CDI Campinas criou uma Fábrica da Cidadania, um espaço que, além de prestar cursos de montagem e manutenção de microcomputadores, recicla todos os equipamentos usados. “Além da tecnologia social, incentivamos o desenvolvimento cultural por meio da recuperação da estética do aparelho, por exemplo”, explica Kelly Vanessa Kirner, gestora de projetos da organização, que já transformou algumas peças de informática em chaveiros. A instituição chega a receber de três a quatro computadores por semana de pessoas físicas.

Educação e criatividade

Em 2006, durante evento de premiação da campanha dos maiores doadores do CDI São Paulo, o artista plástico Alfredo Muller reutilizou placas de sucata e metal para fazer obras de arte. “Fiz sete ou oito gravuras de peixes que serviram de presente para as empresas doadoras”, afirma o artista, que trabalha com reciclagem há 40 anos e é especialista em marchetaria.

Já a ONG Sampa certa vez trabalhou em um projeto do Metareciclagem – movimento de inclusão digital focado no uso de software para ressuscitar PCs aposentados – em que equipamentos eram recuperados e ganhavam uma nova pintura, adquirindo um visual muito particular. A experiência foi reproduzida na própria instituição.

A ONG Arrastão ainda não dispõe dessa tecnologia, embora tenha um núcleo de meio-ambiente e espaço suficiente para realizar o processo de reciclagem. No entanto, eles criaram o projeto Aprendendo Hardware, em que peças com pequenos defeitos são matéria-prima para a instrução de jovens quanto à montagem e manutenção de micros, ressaltando o aspecto educativo das doações recebidas.

Também o governo federal, que descarta aproximadamente 300 mil máquinas por ano, tem uma parceria com a ONG Oxigênio para montar centros de recondicionamento de computadores (CRCs) em todo o território nacional. Segundo o diretor da organização, Francisco Dias Barbosa, o objetivo é destinar os bens doados para telecentros, escolas, bibliotecas e projetos de inclusão digital em geral. “Tudo o que recebemos é avaliado por um conselho que tem representantes do CRC, do Ministério do Planejamento, do Trabalho e da Educação.”

A entidade, que recebeu mais de mil máquinas no ano passado, promove cursos que preparam jovens de baixa renda a trabalhar em grandes empresas ou como autônomos. “Eles aprendem desde abrir um computador até instalar um software na máquina”, conta Francisco.

Grandes empresas, grandes doações

A Fundação Itaú Social é uma das grandes doadoras de equipamentos para organizações sociais, seguindo um procedimento bastante detalhado. Luiz Henrique Gomes, da superintendência da fundação, explica que “o apoio a projetos está condicionado à análise da equipe técnica, de acordo com critérios que consideram o enquadramento no nosso foco de atuação, o alinhamento aos valores e princípios da fundação, a abrangência e sustentabilidade do projeto e a disponibilidade de recursos”.

Após um parecer técnico, os projetos enquadrados nessas diretrizes são analisados pelo Comitê de Programas e Patrocínios da fundação, que se reúne mensalmente. Os projetos apoiados recebem acompanhamento dos gerentes locais, que verificam a correta utilização dos recursos entregues.

No ano passado, o Banco Real fez uma doação significativa para o CDI São Paulo. Segundo a assessoria do banco, no projeto de renovação do parque de computadores da empresa, cerca de 5.000 computadores em boas condições de uso foram doados para as escolas apoiadas pela organização social. Com o intuito de promover o desenvolvimento das comunidades por meio da inclusão digital, os próprios funcionários fizeram um mutirão para configurar, instalar programas, limpar e embalar computadores e servidores.

O Banco do Brasil e a Gerdau também fizeram doações, para a unidade do CDI São José dos Campos, segundo Ana Maria Soares, coordenadora regional da entidade. “Só não estimulamos mais doações por não termos espaço para estoque”, afirma ela.

“Além da tecnologia social, incentivamos o desenvolvimento cultural por meio da recuperação da estética do aparelho”
Kelly Kirner, do CDI Campinas
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