Das Medalhas à Ação Social

Por: Thaís Iannarelli
07 Outubro 2015 - 12h22

 

Daiane Dos Santos Lidera Projeto Social Voltado à Qualidade De Vida E Ao Esporte

A famosa ginasta que defendeu o Brasil em campeonatos mundiais e Jogos Olímpicos, Daiane dos Santos, agora está também engajada na área social. Daiane foi a primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha de ouro em um campeonato mundial, e fez parte da primeira seleção brasileira completa a disputar uma edição olímpica, nos Jogos de Atenas. Depois, participou também das Olimpíadas de Pequim e de Londres. Por sua destreza, Daiane tem dois movimentos nomeados em sua homenagem: o duplo twist carpado, ou Dos Santos I, e o duplo twist esticado, o Dos Santos II.

Agora atuando como comentarista da Rede Globo, Daiane também encabeça o projeto social Brasileirinhos, que busca a inclusão de crianças e adolescentes da rede pública de ensino de Mesquita, cidade da baixada Fluminense, na sociedade. O projeto visa à qualidade de vida por meio do esporte, e seu nome, Brasileirinhos, foi inspirado na música que a atleta usava em suas apresentações. Em entrevista à Revista Filantropia, Daiane fala sobre sua atuação na área social.

Revista Filantropia: Como você avalia a atuação das organizações sociais no país?

Daiane dos Santos: Acho que o Terceiro Setor tem crescido bastante, assim como o esporte. Cada vez mais temos nos preocupado com a área social, que durante muitos anos foi deixada de lado. Além disso, as leis de incentivo, como ao esporte, têm ajudado, pois aí é possível unir o esporte com o lado social, e é possível fazer projetos bacanas buscando não só resultados, títulos e medalhas, mas também um resultado qualitativo para as vidas das crianças e jovens.

RF: Como o esporte pode ajudar o desenvolvimento de crianças e jovens?

DS: Com um projeto esportivo eles têm atenção diária, conseguem aprender regras e se sociabilizar mais. O esporte ajuda a canalizar a energia positiva do jovem e da criança em uma área benéfica para eles. A gente vive em um país que tem uma desigualdade social muito grande, e normalmente isso afeta a infância e a juventude. Por isso precisamos tentar, de alguma forma. Eu acredito que hoje o Terceiro Setor vem tentar sanar um pouco desta dívida que a gente tem porque tem muito projeto bacana, trazendo benefícios para a sociedade.

RF: A atuação social dos atletas é importante pra estimular a solidariedade das pessoas?

DS: Acho que a ação social dos atletas tem trazido um exemplo para a sociedade, porque a gente está mostrando que o esporte não se trata só de títulos e medalhas. O esporte pode trazer um benefício para a infância e a juventude, e algumas crianças e jovens realmente necessitam disso. Desta forma, conseguimos comover a sociedade e a sociedade também abraça isso como um dever não somente nosso, mas de todos. Todos nós podemos fazer a diferença e agir de forma diferente com o próximo.

RF: Fale um pouco sobre seus projetos, o Brasileirinhos.

DS: O Brasileirinhos gera uma transformação na vida deles como um todo – na casa deles, na sociedade. Parece que é um multiplicador. Quando eu falo do lado motricional, claro que vai atingir a pessoa que faz o esporte, porque atinge o corpo, mas a outra parte, a parte qualitativa, de qualidade de vida, atinge diretamente as famílias.

RF: Analisando no âmbito social, o esporte é a chave de mudança na vida dos jovens?

DS: A gente tem relatos de pais sobre as mudanças nos jovens. Ou eram introvertidos demais e não conseguiam se sociabilizar, ou tinham problemas para acordar cedo, ou para fazer algum tipo de atividade física. A gente sabe que antigamente existia a recreação, a brincadeira na rua... pega-pega, esconde-esconde, queimada. E hoje, com esta violência, cada vez menos as crianças brincam na rua. E isso vai interferir na vida futura, quando forem adultos.

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