Da tradição à gestão

Por: Thaís Iannarelli
22 Janeiro 2015 - 23h42

Liga Solidária, com 91 anos de existência, foca na gestão profissional da instituição

da tradicao a gestaoInicialmente chamada de Liga das Senhoras Católicas de São Paulo, a Liga Solidária, fundada em 1923, hoje é modelo de aplicação de ferramentas de gestão e profissionalização do trabalho interno e externo. Presidida por Carola Matarazzo desde 2012, a Liga Solidária desenvolve programas socioeducativos e de cidadania que beneficiam mais de 10 mil pessoas, de todas as idades.
Em entrevista à Revista Filantropia, Carola fala sobre a atuação da organização e o modelo de gestão aplicado para transformar e potencializar a atuação de uma instituição tão tradicional do país.

 

Revista Filantropia: Como você começou a se envolver com a área social, até chegar à Liga?
Carola Matarazzo: Na verdade, eu cresci em uma casa onde a educação foi pautada no olhar para o outro. Meus pais sempre deram o exemplo de fazer trabalho voluntário. Somos de uma família muito católica, e o ajudar o próximo faz parte da minha educação. Então, eu digo que fui privilegiada porque nasci com esse DNA. Formei-me em Administração de Empresas e posso dizer que fui uma empreendedora. Em um período de entressafra de trabalhos, a dona Lucinha Vidigal, então presidente da Liga, convidou-me para fazer um pequeno trabalho de levantamento de custos de um projeto social. A Liga estava, na época, em condição financeira difícil e querendo ampliar, ter novos rumos. Isso já faz 14 anos. Eu passei um ano fazendo essa ação e, de lá para cá, nunca mais consegui sair, fiquei encantada com o trabalho da Liga, pelo quanto eles precisavam de ajuda.

RF: Quais são as principais linhas de atuação da Liga Solidária?
CM: A Liga é uma entidade de 91 anos que nasceu da vontade de um bispo e de um grupo de senhoras católicas, que viram a necessidade da cidade de acolher algumas crianças que estavam desamparadas e extremamente carentes. Assim nasceu a Liga e ela foi se adequando conforme a demanda da cidade e o tempo. Hoje somos uma instituição grande, com atuação em educação e cidadania, olhando para a violência também. Costumamos dizer que atuamos dos 0 aos 90 anos... temos centro de educação infantil, um olhar especial para a primeira infância, o escolar de 7 a 15 anos, qualificação de 16 a 30 anos, polo de prevenção à violência doméstica, terceira idade, alfabetização de adultos, assistência à família, que é uma política pública, e tantos outros.

RF: Falando sobre gestão, quantos funcionários vocês têm? Como é realizada a administração dessas pessoas?
CM: Hoje temos em média 1.220 funcionários, em regime CLT, e atendemos 10 mil pessoas. Metade desses funcionários faz parte das mantenedoras, e duas delas estão na área de saúde, que são casas de idosos e possuem uma legislação própria de enfermagem, ou seja, exigem turnos de 24 horas, 7x7, o que nos dá um volume de funcionários muito grande. A gente entende hoje que faz parte da missão da Liga também zelar por essas pessoas e, por isso, temos realizado um projeto de desenvolvimento organizacional em que o RH participa ativamente, desenvolvendo lideranças dentro da instituição, promovendo processos sucessórios e capacitação contínua dos funcionários.

RF: E a questão da profissionalização, como você analisa? Como foi o processo de modernização da atuação da Liga, que já existe há mais de 90 anos?
CM: Nós nos preocupamos muito com a profissionalização. Costumo dizer que estamos em um processo que não tem fim. Há 12 anos, tivemos uma grande crise na gestão da instituição, e a então presidente teve a lucidez de perceber que precisávamos de uma nova forma de gerir os recursos, uma vez que a demanda social é enorme, e os recursos, muito parcos. Com a ajuda da Price Waterhouse Coopers, que atuou durante um ano dentro da Liga, juntamente com o conselho e a diretoria voluntários, montamos um novo plano de gestão, separado por área, do que poderíamos fazer para profissionalizar a entidade e entrar no século 21 com uma gestão moderna. Essa “Bíblia” foi seguida por dez anos e, em 2014, acabamos de implementar as últimas ações, que incluíram desligar e contratar pessoas, capacitar, implantar tecnologias e, principalmente, conscientizar os funcionários que já estavam na organização sobre a necessidade dessas mudanças.

RF: Que mudanças você pode apontar na atuação da Liga no trabalho realizado hoje em relação há alguns anos?
CM: Temos uma consciência muito forte, hoje, de que somos executores de políticas públicas. Entendemos que praticamente 80% dos nossos programas têm convênio com prefeituras, têm verbas públicas. Então, fazemos questão de dizer isso, que buscamos sempre o melhor em termos dessas políticas públicas para que elas melhorem dentro de suas demandas.

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