Consumo Colaborativo: A Tendência Compartilhada

Por: Instituto Filantropia
07 Outubro 2015 - 13h52

Compartilhar, emprestar, doar, trocar produtos ou serviços. O chamado “consumo colaborativo” vem ganhando espaço como forma de resolver necessidades, acessar e utilizar bens ou viver experiências que antes passavam exclusivamente pela compra ou propriedade de produtos ou serviços. A inspiração surge do crescente valor atribuído à sustentabilidade, principalmente pelas gerações mais novas, embora a praticidade do novo modelo de consumo e as economias que resultam da sua prática sejam forças importantes que acabam engajando as pessoas em comportamentos colaborativos.

O conceito surgiu em meio à crise econômica de 2009, nos Estados Unidos, que defrontou bolsos magros com bens em estado ocioso: apartamentos semivazios de moradores com recursos em queda; carros sem uso durante boa parte do dia e pagando estacionamento caro; livros e brinquedos já lidos e usados por quem almejava novos livros e brinquedos sem ter como pagar por estes. O consumo colaborativo configura uma inovação na forma de consumir: ao invés de comprar novos produtos ou serviços, os indivíduos podem procurar quem já os possua para alugá-los, trocá-los por outros bens ou emprestá-los por um período. Todos ganham. Quem empresta ou aluga um carro ou um quarto ganha renda ou poupa despesas ou, então, garante um benefício parecido para si próprio no futuro. Quem aluga ou pede emprestado preenche sua necessidade sem arcar com o custo da compra e manutenção. Mas, talvez, os principais ganhadores sejam a sociedade e o meio ambiente: afinal, mais compartilhamento significa menos. Isso minimiza as grandes produções de bens, extração de recursos naturais e desperdícios.

Além do viés de sustentabilidade, a tendência do consumo colaborativo ainda tem potencial de estimular novos negócios fora da cadeia produtiva, porém inserida em uma cadeia social que torna o ciclo de consumo mais equilibrado e direto. Clubes de aluguel de automóveis, bicicletas, roupas, apartamentos e outros serviços ganham força e escala, abrindo passo a uma geração de novos empreendedores. Além de bens tangíveis, há a opção de moedas sociais e a troca de aprendizado, levando a uma ampliação dos conhecimentos e habilidades tal como ocorre, por exemplo, entre quem domina inglês e precisa reforço em matemática e vice-versa.

Uma pesquisa inédita realizada pelo instituto Market Analysis identificou que o conceito não é novidade para 20% dos consumidores brasileiros, mas ainda não é muito praticado no país – a incidência é de apenas 7%. O estudou ouviu 900 brasileiros adultos residentes nas principais capitais do país e revelou que estar familiarizado com o conceito faz aumentar a prática. Pelo menos 1 em cada 3 familiarizados praticaram alguma forma de consumo compartilhado nos últimos 12 meses, e tanto conhecimento como prática são maiores entre as pessoas de renda mais alta.

Recife se destaca entre as capitais, tendo 50% da população adulta admitido conhecer essa modalidade de consumo. Com certeza, o programa pioneiro de compartilhamento de carros elétricos lançado pela cidade ajudou a impulsionar esse reconhecimento. A região Sudeste, maior mercado consumidor do país, apresenta índices de conhecimento abaixo da média nacional para as cidades consultadas: 17% em Belo Horizonte, 15% em São Paulo, e 14% no Rio de Janeiro.

A troca ou venda de produtos usados é a prática mais comum (73%), seguida pelo aluguel ou empréstimo de bens (15%), aluguel de carro ou carona (13%), contratação coletiva de serviços (12%) e engajamento em hospedagem solidária ou paga (8%). Ao especular com o tipo de serviços e produtos próprios do consumo colaborativo que despertariam maior interesse no curto prazo, os brasileiros privilegiam o compartilhamento de caronas, livros, serviços em geral, e hospedagem.No Brasil já há diversas iniciativas com a lógica colaborativa, a exemplo dos espaços de co-working, que são estruturas de escritórios compartilhadas entre diversas empresas. Algumas empresas ainda estimulam seus colaboradores a oferecerem carona a seus colegas que moram perto de suas casas, dando em troca estacionamento gratuito para os veículos. Na medida em que empresas e governos facilitem e valorizem as oportunidades de engajamento em formas compartilhadas de consumo, os brasileiros –amplamente receptivos à ideia- irão fazer da colaboração uma nova economia.

 

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