Comunicar para educar

Por: Thaís Iannarelli
21 Agosto 2013 - 00h46

O apresentador Marcelo Tas tem histórico envolvimento com a área de educação e utiliza os meios de comunicação para defender a causa

Jornalista, repórter, ator, diretor, escritor, apresentador de televisão e de rádio, Marcelo Tristão Athayde de Souza, mais conhecido como Marcelo Tas, é um comunicador multifacetado. Nascido em Ituverava, interior de São Paulo, Tas sempre esteve ligado à área educacional, porque seus pais eram professores. Profissionalmente, com atuação extensa na área de comunicação, já trabalhou em programas infantis com cunho educacional, em programas voltados diretamente à educação, em atrações envolvendo política e humor, entre outras coisas. Porém, em todos esses meios, uma preocupação está sempre presente: a promoção da educação no país. Em entrevista à Revista Filantropia, Marcelo Tas fala sobre seus projetos e trabalhos, além de dar um panorama de seus pensamentos sobre a área social no Brasil.

Revista Filantropia: Como você começou a se envolver com a promoção da educação?
Marcelo Tas: Este envolvimento começou dentro de casa, porque meus pais são professores. Então, comecei a me envolver sem perceber. Tinha uma vida muito próxima da escola antes mesmo de começar a estudar. Eles eram muito atuantes na questão das organizações de professores e, como a cidade era pequena, tinham de buscar recursos nas cidades maiores. Eu sempre estava com eles nessa empreitada. Depois, acabei trilhando uma carreira em que este acabou sendo um tema muito central. Aí, é difícil explicar, porque não sei se vim com defeito de fabricação, mas sempre gostei de explicar as coisas, talvez por ser também o irmão mais velho na minha família. Na vida profissional, isso surgiu até de maneira muito direta, quando coordenei o Telecurso 2000, que talvez tenha sido o maior projeto do qual participei na televisão. Fiquei dez anos envolvido com isso e lidei com professores, pedagogos e gente de televisão no dia a dia. E não fujo muito deste papel de mediador, porque faço isso também no CQC, ou seja, tentar mediar a sociedade, que, às vezes, se ofende com a nossa atuação e com os meninos. Também fiz coisas divertidas, que foram os programas infantis, e neles também me relacionei muito com professores, consultores etc.

RF: Como você vê a educação hoje no Brasil?
MT: O cenário é trágico, para usar uma palavra boa, porque eu poderia usar um palavrão. É um reflexo da falta de seriedade com a qual a educação é levada no Brasil, e isso é muito evidente. Eu me relaciono com vários grupos de diversas classes sociais. Por conta do Telecurso e até do Rá-Tim-Bum e do Castelo Rá-Tim-Bum, viajei o país inteiro, então, tivemos um feedback muito variado e é, de fato, uma tragédia.

RF: E do seu ponto de vista, o que poderia ser feito para mudar essa realidade?
MT: Creio que seria simples resolver isso. Bastaria fazer do discurso uma prática real. Desde que me conheço por gente, ouço todos os chefes de Estado falarem que a educação era a coisa mais importante, e é mentira. Desde Fernando Henrique, que é professor, passando pelo Lula e pela Dilma, isso não aconteceu. Pelo contrário, foram criadas pequenas maquiagens, “band-aids em cima de um câncer”. Não vemos estruturas de verdade, respeito ao professor, pesquisas. Tudo o que vemos são exceções, figuras que se dedicam por conta própria a cumprir um papel de herói, e temos vários heróis. Mas é legal entendermos que eles são exceções e que têm uma ambição extremamente elevada, que é de dentro desse deserto de oportunidades conseguirem manter alguns átomos de experiências positivas. E deveria ser o contrário, eles deveriam ser reconhecidos, receber estímulos. Os ministros da Educação são pessoas muito elegantes, falam frases bonitas, mas vazias. Não dizem nada. Criam índices de medir a educação, e há pequenos avanços, porque, claro, já se passaram 30 anos de Brasil redemocratizado. Mas o avanço é ínfimo.

RF: O que você acha da atuação das ONGs que trabalham pela educação no país?
MT: Em muitos casos, vejo quase que como a salvação de alguns setores e percebo isso como um sintoma de saúde, quer dizer, toda vez que vejo uma ONG que se dedica e tem seriedade, acende em mim uma esperança e um desejo de botar a mão na massa, de trabalhar junto. E tenho feito isso com algumas dessas ONGs. Creio que é algo novo no Brasil. O voluntariado é algo muito recente, e sua valorização também, mas já há um trabalho consistente. Então, quando percebo isso, fico engajado, vejo que é uma oportunidade de aprender muito. Não é só uma oportunidade de “dar uma força”, mas de aprender, ter contato com a realidade. Isso porque a ONG está muito ligada à realidade, está junto com a população.

RF: No que consiste o Prêmio Escola Voluntária, do qual você participa?
MT: O prêmio é realizado pelo Grupo Bandeirantes e reconhece experiências de voluntariado efetivas nas escolas de ensino médio e fundamental. Neste ano, concorrem escolas de dez estados diferentes. Eu sou o comunicador e uma espécie de conector deste grupo com o Grupo Bandeirantes. Este prêmio usa muito a força do rádio, que é o veículo mais importante do Grupo. Após a inscrição das escolas, que é feita pelo site, há uma grande peneira para selecionar dez dentre as cerca de 400 escolas participantes. A partir daí, algum membro da Rádio Bandeirantes vai até a escola, faz uma oficina de rádio, e as próprias instituições contam na rádio a experiência delas. No fim, há uma programação extensa, até chegar a noite da premiação, que é feita em dinheiro, e há também um reconhecimento para os professores. Todas as experiências são mostradas em vídeo nessa noite.

RF: Qual é a importância de pessoas influentes na mídia se engajarem em causas sociais?
MT: Posso dizer que eu me engajo por uma razão absolutamente pessoal, porque aprendo muito com isso. Até me aproximei com a intenção de ajudar, apoiar. Existe a sensação de culpa por viver em um país desigual, e isso, às vezes, atrai as pessoas, mas o que quero dizer é que quem se engaja ganha muito mais do que dá. Sou voluntário na Casa do Zezinho há quase 12 anos, e é incrível, porque dou uma colaboração, mas eles até hoje me ofereceram muito mais do que eu pude doar, porque são mestres, vivem num limite bastante diferente do nosso e conseguem fazer coisas fantásticas. Eles me tocam e estimulam cada vez que vou lá. Você se sente realmente participando de uma coisa que está sendo construída, e isso ajuda a gente a ser uma pessoa mais íntegra. Então, acho extremamente importante que as pessoas conhecidas experimentem isso, porque os outros olham para elas. Vivo falando dessas coisas, porque quero que mais gente tenha essa experiência.

RF: E como você vê o Brasil hoje, de forma geral, com tudo o que tem acontecido pelo país?
MT: Eu sou um cara com a doença do otimismo. Principalmente com o que estamos vivendo, inclusive agora, com essas manifestações de jovens na rua, porque sempre esperei e contei com isso, já que essa geração, que já nasceu no meio da tecnologia e da informação, é muito transparente. A informação circula sem o controle que existia quando eu era jovem, e essa meninada de hoje não aceita mais ser enganada tão facilmente por muito tempo. É claro que isso é um trabalho imenso, porque somos uma civilização muito recente. O Brasil é um bebê, na melhor das hipóteses, um adolescente, ainda fazendo um monte de bobagens. Mas, ao mesmo tempo, é criativo, ousado, mas, às vezes, atropelamos as coisas. A gente ainda tem mania de separar quem é de esquerda, direita, preto, branco, gay, evangélico, e isso não condiz conosco, que somos uma sociedade que se permite conviver. Mas, se há algo positivo nesse desencanto com a política, é que não há caminho certo ou errado, o ambiente agora é de quem põe a mão na massa, faz acontecer. Então, é um momento de muita transparência e mudança.

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