Comunicação solidária, o caminho para um mundo melhor

Por: Valdir Cimino
19 Maio 2022 - 00h00

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Em tempos de pandemia, o Terceiro Setor vem demonstrando a sua força nas ações em busca de qualidade de vida, combate à fome, respeito à diversidade e muitas outras. O trabalho sobre-humano dos voluntários vai desde construir, arrecadar produtos, cozinhar e entregar alimentos, roupas e comunicar. Sim! A comunicação solidária aos poucos vai fazendo muito. No Primeiro e Segundo Setores, desde 2012, com o aprimoramento do Marco Legal do Terceiro Setor, tanto as empresas como o governo vêm promovendo o voluntariado corporativo e as organizações apresentam resultados em prol dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Ou seja, o voluntário é o elo que faz acontecer, seja apoiado por uma Organização da Sociedade Civil (OSC), seja pelo Indivíduo Não Governamental (ING), que é o cidadão indignado com o descaso humanitário, que coloca a mão na massa para ajudar, apoiar e transformar a sociedade em que vivemos.

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, resumiu bem o significado do desenvolvimento humano quando falou sobre a qualidade do futuro resultante das atitudes do presente — e que essas atitudes só poderiam ser tomadas por meio do conhecimento.

Eu realmente acredito nisso. Acho que transformar informação em conhecimento, transmitir esse conhecimento e colocá-lo a serviço de causas sociais deve ser a maior realização de qualquer estudante, professor e profissional de comunicação. Conciliar essas atividades é uma ideia que me move desde a adolescência — que foi quando senti que havia alguma conexão entre “conhecimento, comunicação e futuro”. Desde então, a Comunicação Social é a minha paixão.

Há 20 anos, já especializado em Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Marketing — vivendo por muitos anos no mundo da comunicação corporativa em agências de propaganda, anunciantes, veículos de comunicação —, cheguei ao mundo acadêmico. Assim conheci o Centro Universitário Armando Alvares Penteado. Meu coordenador de curso na ocasião, professor Edson Gardin, me ensinou algo que muito contribuiu para a minha realização profissional e como cidadão. Ele disse: “nós envelhecemos a cada ano, mas os nossos alunos não”. E isso é ótimo. Essa carga crescente de questionamentos, somada a um grande interesse em ajudar, nos movimenta em direção à reinvenção e à inovação.

Atuo no Primeiro, Segundo e Terceiro Setores, mas foi no mundo acadêmico, ao assumir a responsabilidade de ensinar, que percebi a importância de me relacionar com as outras disciplinas — as específicas e as de humanidades — para atender ao cidadão estudante.

A tecnologia vem nos possibilitando uma nova forma de aprender e de ensinar. O custo da comunicação não é mais determinado pela distância, como explicou a professora doutora Margarida Kunsch, em sua palestra “Novos tempos e o fim das distâncias”.

Pequenos globais, grandes locais — pequenas empresas de alcance global; grandes empresas se especializando no domínio de localidades, além de atuar globalmente; convergência entre TV, celular e internet. Possibilidades diversas de informação personalizada. Competitividade forçando a redução dos custos — e retorno proporcional ao alcance do negócio. Valorização do capital humano, do profissional especializado. Transformação de residências em estações de trabalho. Cidades, ao mesmo tempo, abrigando centros culturais e sendo palco de choques culturais. Inglês como idioma padrão. Acontecimentos em um canto do mundo afetam com grande intensidade os demais pontos do globo — e a interdependência força as negociações pela paz e pela democracia entre os países.

E uma grande massa de excluídos, sem acesso à informação — em um mundo em que informação é sinônimo de liberdade. Para os incluídos, aqueles que têm informação correta, na hora certa, o poder de decisão nas mãos. Em outras palavras, sociedades virtuais com grande poder de influência política, cultural, econômica. Ampla difusão de ideias e culturas, com o acesso a qualquer conteúdo, a qualquer hora, em qualquer lugar. Interação maior com as mídias — conteúdo personalizado etc. Comunidades de lazer e conveniência — subdivisão social de acordo com interesses específicos para atividades de interesse mútuo.

Como lidar com tudo isso? O futuro está em cada um de nós. Será conjugado de acordo com nossos interesses e nossas necessidades. Cabe a cada um contribuir com um futuro ético, verdadeiro e justo.

Essa dinâmica reforça minhas ideias expostas no livro “O papel do educador na era da interdependência”. Conforme explico na abertura, eu queria muito pensar as relações humanas entre educadores, alunos e profissionais de comunicação e mostrar como é possível resgatar valores essenciais para a construção de uma comunicação ética e solidária.

Na universidade, meu desafio é o de um empreendedor social que, a cada semestre, tem de motivar os alunos e gerar projetos que os incentivem a criar produtoras experimentais que contribuam para o trabalho das OSCs, como um exercício que reúne cidadania, empreendedorismo e o estudo da comunicação. Ou seja, conhecimento, comunicação e futuro!

No projeto Transform(ação), possibilitamos aos alunos exercer uma cidadania participativa, ao mesmo tempo em que promovemos o desenvolvimento do Terceiro Setor, área que carece muito de apoio. Essa é uma forma de fomentar o empreendedorismo social entre os estudantes, uma vez que são criadas agências experimentais para acolher essas causas. Em dezembro, entregamos mais três projetos. Isso é muito gratificante! Para chegar ao resultado — a campanha de comunicação que dá visibilidade à causa —, eles tiveram de pesquisar, se aproximar e entender melhor os problemas sociais e qual o papel da comunicação na agenda de soluções.

9826-aberturaNossos alunos já estão pensando, criando e fazendo comunicação para a sociedade!

Os projetos foram criados para: Banco de Alimentos, Catalyst 2030 e Instituto Velho Amigo.

O projeto Transform(ação) foi criado para ampliar as discussões e reflexões entre a academia (alunos e professores), os parceiros internos, como a FAAP Social, FAAP Business Hub, Agência Oboé de Comunicação, FAAP Eventos, e os departamentos de Rádio, TV e Internet da FAAP.

Os vídeos produzidos pelos alunos podem ser visualizados nos links abaixo:

Catalyst

https://www.instagram.com/produtorapprove/tv/CXML3k5jUne/?utm_medium=copy_link

Instituto Velho Amigo

https://www.instagram.com/agenciatri_/tv/CXMEWCRpO5Y/?utm_medium=copy_link

Banco de Alimentos

https://www.instagram.com/agc.integra/

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