Bernardinho

Por: Paula Craveiro
01 Janeiro 2008 - 00h00
Em toda sua trajetória profissional, Bernardo Rocha de Rezende – o Bernardinho – sempre foi um exemplo de garra, liderança, motivação e perseverança, seja no papel de jogador de vôlei, de assistente técnico ou como técnico da Seleção Brasileira de Voleibol feminino e masculino. Esses exemplos, porém, não são vistos apenas no âmbito profissional; também são claramente notados em sua atuação no campo social.

Há cerca de dez anos, Bernardinho ajudou a criar o Centro Rexona Ades de Voleibol, que reuniu uma equipe profissional de vôlei para uma ação socioesportiva voltada a crianças e adolescentes. Inspirado no bom funcionamento do primeiro projeto, em março de 2003 ele fundou o Instituto Compartilhar (IC).

“Embora longe de ser um mundo perfeito, o esporte apresenta modelos positivos para a sociedade, e é cada dia mais reconhecido como uma importante ferramenta no processo educacional e de inclusão social, por sua capacidade de motivar e inspirar positivamente”, afirma Bernardinho nesta entrevista à Revista Filantropia, em que fala sobre os projetos do instituto e os benefícios do esporte para a formação da cidadania.

Revista Filantropia: Quando começou seu engajamento na área social?
Bernardinho: Sempre me preocupei com a falta de perspectiva e oportunidades para os jovens, e com o sucesso que obtive com o esporte, achava que deveria retribuir à sociedade tudo o que havia conquistado. Assim, em 1997, formei uma parceria com a empresa Unilever e o Governo do Estado do Paraná para levar à Curitiba uma equipe feminina de voleibol junto com um projeto social de iniciação esportiva.
Foi o primeiro passo para desenvolvermos o projeto Centro Rexona Ades de Voleibol, hoje chamado de Programa Rexona Ades – Esporte Cidadão, que atende a mais de 3.500 crianças e adolescentes em todo o estado.

Filantropia: Quais os projetos desenvolvidos pelo IC?
Bernardinho: Hoje, o instituto atende a aproximadamente 4.700 crianças e adolescentes em cinco estados brasileiros: Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. No Paraná, contamos com 26 núcleos de iniciação esportiva. No Estado do Rio Grande do Norte, atendemos a 200 jovens em Natal. Em São Paulo, atuamos na cidade de Casa Branca, no interior. No Rio Grande do Sul, temos dois núcleos instalados na Serra Gaúcha. Já na capital carioca, estamos com o Núcleo Forte do Leme – Rio/RJ, do projeto Esporte em Ação, e, na serra fluminense, em Miguel Pereira, com o Super Ação.
No Programa Socioesportivo, utilizamos a metodologia do Miniesporte, cujo principal aspecto é a adaptação às fases de crescimento e desenvolvimento motor da criança. Essa característica proporciona mais motivação para aprender o esporte e possibilita a aprendizagem de uma modalidade esportiva sempre vinculada às características do jogo e seguindo uma progressão pedagógica ideal. Basicamente, partimos da idéia de que se uma criança consegue realizar os fundamentos de um esporte de maneira lúdica e prazerosa, ela se sentirá mais motivada para ficar nas aulas e melhorar seu desempenho.

Filantropia: Como a entidade se mantém financeiramente?
Bernardinho: No começo, eu era o principal financiador do Instituto Compartilhar. Porém, sempre buscamos iniciar os projetos tendo em mente o trabalho em rede. Isto significa que as parcerias são fundamentais para a sustentabilidade dos projetos. Buscamos, em um primeiro momento, apoio do poder público para disponibilizar os espaços esportivos e, sempre que possível, os professores que já fazem parte do sistema público de ensino.
Depois, nossa tarefa é facilitar a busca de parceiros privados, geralmente locais, e que tenham mais vínculo com o público do projeto, para financiar os custos de materiais, uniformes, realização de eventos, entre outros. O IC disponibiliza a metodologia de iniciação, coordena as ações e serve de facilitador para que os parceiros interajam e para que o grau de excelência do projeto seja mantido.

Filantropia: Quais são as dificuldades enfrentadas pelo IC?
Bernardinho: A principal dificuldade é manter a sustentabilidade dos projetos. Para uma criança, é desanimador quando um projeto fecha as portas, ainda mais quando os beneficiados já fazem parte de camadas excluídas da sociedade. É mais um sonho ceifado, mais uma oportunidade marcada negativamente na vida delas. Por isso, a nossa preocupação é garantir a continuidade das atividades e a excelência no atendimento.
Além do trabalho em rede, o instituto também desenvolveu um programa de doação por pessoas físicas, chamado Amigos do Compartilhar, que gera outras possibilidades de renda. Acreditamos que, com o tempo e a solidez do IC, outras empresas nos apóiem por acreditar na eficácia do esporte como instrumento de educação e transmissão de valores da vida.

Filantropia: Quais as conquistas de seu trabalho social até hoje? O que ainda falta conquistar?
Bernardinho: Ainda falta muito! Mas acho que já tivemos conquistas muito importantes, principalmente no que se refere ao desenvolvimento de valores nas crianças e adolescentes. É gratificante ir aos projetos e ver a metodologia sendo aplicada, a dedicação dos alunos, a coletividade despontando como parte da rotina de todos. Abranger tantas realidades diferentes em todo país também é uma conquista, sinal de que o esporte – no nosso caso, principalmente o voleibol – é algo pelo qual os jovens se relacionam, se interessam.
Nosso próximo passo é a avaliação dos projetos. O Núcleo Forte do Leme – Rio/RJ, do projeto Esporte em Ação, será o piloto para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento e avaliação que acompanhará os efeitos da prática esportiva nas crianças e adolescentes nos ambientes do projeto, da escola e da família. Com essa avaliação, queremos comprovar a relevância do esporte na formação de cidadãos.

Filantropia: Quais os benefícios que o esporte pode trazer a essas crianças e adolescentes?
Bernardinho: O Instituto Compartilhar considera o esporte uma excelente ferramenta para a formação dos jovens e, conseqüentemente, para auxiliar em sua inclusão na sociedade. Primeiro, porque o esporte atrai e motiva o indivíduo, por representar um desafio e proporcionar a sensação gratificante da superação, de se conseguir aprender uma modalidade e superar limites do próprio corpo. Claro que a visibilidade nos meios de comunicação também motiva, afinal, muitos atletas hoje se tornam ídolos e apresentam um padrão de vida que é o sonho de muitos jovens.
E, no contexto pedagógico, o esporte estimula a convivência com outras pessoas, o senso de equipe, além de transmitir valores como respeito, cooperação, amizade, comprometimento e ética, por exemplo. Além disso, ainda é uma ótima alternativa de lazer, preenchendo o espaço livre de crianças e adolescentes com uma atividade produtiva e saudável. Desta maneira, auxiliamos a assegurar o direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de brincar e ter acesso ao lazer e ao esporte.

Filantropia: Qual a sua opinião sobre o Terceiro Setor no país?
Bernardinho: Acho que o Terceiro Setor já está enraizado no país, fazendo um bom trabalho para preencher as deficiências do Estado e até para democratizar a política, no sentido de aumentar a participação da sociedade civil. Ainda assim, é preciso cuidar para não confundir os papéis sociais de cada setor, pois o Estado não pode se acomodar nem o Terceiro Setor pode assumir responsabilidades que não são suas. O importante é que trabalhem juntos, cada um com responsabilidades definidas, para assegurar o acesso aos serviços.

Filantropia: Se fosse possível realizar apenas um desejo para melhorar o mundo, o que você pediria?
Bernardinho: Pediria mais ética. Não só na política, mas em todas as atitudes das pessoas, para que pensassem nas conseqüências de suas ações em um sentido mais amplo, de participação na sociedade.

 

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